Coragem eu Venci Omundo
Se há 20 anos alguém dissesse que eu teria uma vida boa, estaria concursado e feliz com o que tenho hoje, eu diria que essa pessoa faltava com a verdade. Minha realidade era totalmente diferente.
Para alguns familiares, professores e até colegas, eu era o mais analfabeto, preguiçoso e vagabundo.
Hoje não sou o mais inteligente, nem o mais trabalhador, nem o mais enérgico no serviço. Entretanto, estou na média social — e posso afirmar que estou acima daqueles que me criticavam.
Só tenho a agradecer a todos e todas que me humilharam, que me negaram trabalho e que me expulsaram de suas casas. Tenho lembranças de uma surra que levei aos 12 anos, dada por minha mãe, com fio elétrico, por estar na casa de uma tia. Os familiares não me queriam ali e me expulsaram do local. Ela não gostou da situação e, naquele dia, me corrigiu. Sei que é errado agredir em forma de “peia”, mas aquilo abriu meus olhos para muitas coisas.
Aos 18 anos, depois de muitas desilusões familiares e de mendigar emprego, resolvi trabalhar. Com 21, iniciei minha primeira graduação — e nunca mais parei. Fui o primeiro filho a trabalhar, a ingressar em uma Universidade Pública e a ser concursado.
O “louco” para muitos, o que ninguém queria em casa e até evitava chamar de parente, hoje é convidado para muitas coisas. O mundo não gira, ele capota.
Eu prefiro entregar minha vida me dedicando com as crianças que poderão aproveitar o meu ensino, do que com os adultos que jogarão no lixo.
se Kafka foge do amor e Dostoiévski vai ao encontro do mesmo... eu prefiro fazer a experiência da vivência do mesmo... no final posso decidir o que será ou o que foi.
Gustavo Cardoso
Obrigado, Deus
Obrigado por Tua graça, Senhor,
por cada milagre que eu não percebi.
Obrigado por me livrar
das maldades que eu nunca vi.
Sou grato por me guiar,
me fazendo enxergar
o caminho para seguir.
Nessa minha trajetória,
tenho muito mais a agradecer.
Já ganhei, já perdi,
procurando aprender.
O Senhor fechou e abriu portas
que eu custei pra entender.
Hoje eu acordo e só agradeço,
pois sei que o que eu mereço
o Senhor vai me devolver.
Eu sou um eterno escravo,
Escravo da minha liberdade,
Escravo da minha vontade,
Escravo da minha servidão,
Escravo de tudo,
Escravo da vida,
Escravo de mim mesmo.
Rogerio Germano
Eu te odeio
Finjo normalidade diante do seu descaso,
em comparação com a energia que tínhamos antes.
Eu não te conheço completamente,
nem suas diversas versões.
E, sinceramente, não quero conhecer.
Porque, na medida em que você se revela,
eu me decepciono mais com quem você realmente é.
E me decepciono comigo
por sentir o que sinto por você,
mesmo você sendo assim.
Se um dia te admirei,
pois saiba: hoje te desprezo.
Tento me convencer
que você ainda irá amadurecer,
ou cair na real.
Mas já percebi
que a única coisa sua que vai pra frente
é a sua idade.
Espero que você se foda
pelas suas atitudes imaturas.
Eu odeio sentir emoções fortes,
e te odeio por despertar tantas em mim.
A raiva que transborda aos poucos
consome quem sou a cada segundo.
E é culpa sua —
eu espero que você sinta o peso
do dano que me causa a cada dia.
Eu te odeio com todas as minhas forças.
E te culpo pelo meu fracasso
e pela minha infelicidade.
Porque foi você que despertou isso
e agora sou obrigada a lidar com tudo sozinha.
Eu te odeio tanto
que me atreveria a dizer que eu te amo.
Te odeio por me fazer te amar.
Te odeio por não merecer o meu amor.
E me odeio
por amar alguém que me trate assim.
Me odeio por te culpar
e te odeio por ser culpado.
Me odeio por amar alguém que,
ao meu lado, ergue os braços para outra pessoa.
Me odeio mais ainda por amar alguém como você,
que me rebaixa ao abismo.
Me odeio por ainda te querer feliz,
mesmo não sendo comigo.
E me odeio por querer felicidade
para alguém que tirou a minha.
Me odeio por não me sentir suficiente.
Te odeio por me fazer sentir insuficiente.
Eu te odeio
por ter acabado comigo.
Eu te odeio
por me fazer me odiar.
E te odeio
por me fazer sentir ódio.
Eu te odiei
desde o dia 07/06/2025.
E te odiarei
até meu último suspiro.
Que droga
No começo, não era nada — eu acho.
Só empatia.
Era ela, coitada, tão quieta na tristeza...
Que mundo injusto, que ironia.
Tão meiga, tão viva, agora em silêncio,
Olhos de mel cobertos de sombra.
Quem teve a crueldade de apagar sua luz?
De roubar o sol de quem transborda?
E então me atingiu — direto, sem aviso.
Como pode ela estar assim, partida?
Quem foi o infeliz que lhe tirou o riso
e costurou tristeza em sua vida?
No início era só compaixão, mas quando vi,
já era vício, já era laço.
Sem perceber, fiquei preso de novo
na droga doce do teu espaço.
Quando penso, só vejo teus cachos soltos,
teu jeito calmo, teus olhos fechando em riso.
Fiquei ali, admirando cada traço,
tentando ser abrigo, ser sorriso.
E quando notei, já sorria com você,
sem precisar de nada mais, nem entender porquê.
Ria dos teus risos, da tua calma,
e a cada gesto teu, se curava a minha alma.
E eu juro — por cada alegria que brotou de ti
que não deixarei tua luz se apagar aqui.
Se um dia a dor quiser voltar, eu serei abrigo,
serei tua paz depois do perigo.
Porque agora que te vi florescer em riso sereno,
quero ser teu porto quando o mundo for pequeno.
Te guardar do cinza, da dor e do desamor,
e pintar teus dias com abraço e cor.
Antes De Eu Andar Como Um Playboy,
A Minha Filha Vai Andar E Viver Como Uma Verdadeira Patricinha!!!
🇵🇹🎹 Portugal Tá Em Crise 🎹🇵🇹
Yo, dizem “crescemos”, mas eu não vejo,
salário é curto, aluguel tá num peso.
Trabalho precário, contrato é mentira,
no fim do mês, só sobra a ira.
Ministro sorri na televisão,
mas corta na saúde, na educação.
Doente na fila, sem médico à mão,
professor cansado, sem valorização.
[Refrão]
Sistema é um jogo que só faz sangrar,
Portugal real não tá no jantar.
Rico no topo, pobre a chorar,
mas a voz do gueto não vão calar.
Deputado enche bolso, chama corrupção,
povo aperta cinto, fome no fogão.
Banco é resgate, mas quem paga sou eu,
milhões desviados, ninguém se perdeu.
Jovem formado já pensa emigrar,
porque aqui não dá pra se sustentar.
Dizem “pátria”, dizem “nação”,
mas vendem futuro sem compaixão.
[Refrão]
Sistema é um jogo que só faz sangrar,
Portugal real não tá no jantar.
Rico no topo, pobre a chorar,
mas a voz do gueto não vão calar.
Se o povo acordar, sistema treme,
a rua é escola, ninguém nos prende.
Portugal é nosso, não é do ladrão,
do bairro ao centro, revolução!
-
“Perguntam o que eu gosto de fazer no fim de semana… eu só preciso disso: minha esposa, meu filho e a paz de tê-los comigo.”
"Quando eu digo que deixei de admirar certas pessoas em minha vida, eu não quero dizer que elas deixaram de ser importantes, mas sim, que deixaram de ser priorizadas por mim, pelo tanto que falavam e pelo pouco que faziam, por enfeitarem tanto os sentimentos e pouco exercê-los, por representarem demais a vida e não levarem a sério o seu próprio coração. Sei que tenho uma parcela de culpa nestas decepções que tive, pelas expectativas que eu mesma criei, mas nem sempre imaginamos que alguém possa ser tão diferente do que demonstra ser, e talvez, seja isto que nos empolga vez em quando, não nos permitindo ter cautelas quando o negócio é lidar com o ser humano e o seu jeito imperfeito de "ser". Acredito que também ja fomos admirados por alguns, que obviamente também se decepcionaram com tantos desvios bobos nossos, porém há aqueles que aprendem com os tropeços, e se encontram dentro de si, outros, continuam se "achando"✍
Embora nosso contrato não seja totalmente justo, vou servir o senhor da melhor forma que eu puder até o fim.
Gosto de falar, mas gosto mais do meu silêncio, pois só ele me diz tudo que eu preciso saber.
R.C.G.Medeiros
Eu deixei um pedaço do que eu sinto em cada palavra que eu digitei neste texto.
Clarice Lispector, Freud, e Carlos Drummond com certeza iriam usar uma língua perfeita pra dizer isso, talvez diriam:
"Eu não apenas escrevi — eu me espalhei. Em cada palavra ficou um pedaço de mim: ora silêncio disfarçado de grito, ora desejo que se esconde do próprio olhar, ora pedra transformada em pão. Deixei ali o que não cabia em mim — e ao digitar, fui me desfazendo para poder existir.”
Eu não posso deixar de lembrar do saudoso Fernando Sabino, e Rubem Alves. Se eu dissesse a Freud estou me perdendo nas coisas boas ele provavelmente me faria esta pergunta:
"Mas diga-me… ao se perder nas coisas boas que escreve, de que exatamente você está tentando se encontrar ou se esconder?"
Eu claramente responderia assim se eu fosse como Fernando Sabino:
“Quando me perco no que escrevo, não é tanto para me esconder, mas para me revelar. A gente escreve porque a vida não cabe inteira no silêncio. E, ao tentar me encontrar, descubro que o melhor de mim se revela justamente no pedaço que parecia perdido. Escrever é me perder para me achar de novo — e nesse vai e vem, vou sendo um pouco mais eu.”
E se eu perguntasse a Rubem Alves, porque as pessoas desejam alguém que as escute de maneira calma e tranquila, em silêncio? Se eu perguntasse a ele porque no tempo de nosso amigo Freud as pessoas procuravam terapia para se curarem da repreensão e hoje procuram por causa da dor de não haver quem os escute?
Ele talvez me responderia assim…
“Minha querida, as pessoas sempre tiveram sede de escuta. No meu tempo, buscavam terapia porque carregavam dentro de si a ferida das proibições, das vozes que gritavam ‘não pode!’, ‘não deve!’, ‘cale-se!’. O mundo estava cheio de regras, e o coração ficava aprisionado.
Hoje, o que vejo é uma dor diferente. Não é a dor da repressão, mas da solidão. Não é o excesso de vozes, mas a falta delas. As pessoas sofrem porque não há quem as escute em silêncio — silêncio que não julga, não apressa, não dá respostas prontas.
O maior consolo que um ser humano pode dar ao outro não é um conselho, mas a sua presença atenta. Escutar é como oferecer um copo de água a alguém que atravessa o deserto. Quando alguém nos escuta de verdade, nós renascemos.
E talvez seja por isso que tantos procuram terapia hoje: não por doença, mas por fome. Fome de escuta. Fome de existir nos ouvidos e no coração de outro ser humano.”
Antes de morrer, eu gostaria de ter tomado um chá ou café com leite com Clarice Lispector, ter atravessado a rua, e um automóvel ter passado por cima de nós, e nós morremos. Ter adiantado as cartas de Fernando Sabino para evitar a decepção dele com os correios. Ter citado tudo aquilo que hoje eu não tenho coragem deitada num sofá de couro com Freud. Ter gastado horas incansáveis vezes pensando num verso que a pena não quer escrever junto com Carlos Drummond. E ver Rubem Alves citando o porque ainda não pensaram numa avaliação para avaliar a felicidade dos alunos, mas que todos se perguntam como os professores estão… - (Obra: A alegria de ensinar)
Eu não escrevo pra viver, eu vivo da poesia…
Se escrevo é porque tenho histórias pra contar.
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