Coragem Esperança

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A Esperança é um músculo espiritual que se atrofia por desuso, falhando justamente no momento crucial da crise.

A esperança é o ato teimoso de acreditar no sol mesmo em dias de chuva torrencial.

A esperança é o último trem que passa, mas ele nunca chega na estação vazia.

As lágrimas são a água que rega a flor da esperança que insiste em brotar.

A esperança não é uma vaga projeção, mas a vívida expectativa do retorno do Rei, o ápice da história prometido, quando a Glória que hoje mal vislumbramos se manifestará em todo o seu esplendor irrestrito. Meu olhar se fixa no horizonte do futuro, aguardando o momento em que a jornada terrena se findará e serei arrebatado para a pátria inesgotável, para a consumação do Lar onde a tristeza não tem mais lugar e onde a Presença Divina é a luz que não se apaga. E ali, prostrado, não mais através de um espelho, mas face a face com o Criador, o cântico que hoje ecoa na Terra se unirá ao coro celestial, sem cansaço e sem fim.

O otimismo forçado é um fardo, a esperança real é a âncora que te mantém firme na tempestade.

A desilusão é apenas a prova de que a sua visão estava embaçada pela esperança alheia.

A esperança renasce em mim como uma chama teimosa, mesmo quando o vento da vida sopra para apagá-la, eu a protejo com as mãos feridas e calejadas, porque sei o quanto ela já me salvou, e continuarei acendendo-a até o fim dos meus dias.

A esperança mora no sorriso da criança que ainda não aprendeu a ter medo.

A esperança não é um fogo claro, é brasa enterrada. Só os que escavam com as unhas percebem o calor que resta. Nem sempre ressurge em clarões, às vezes é apenas um sopro. Mas esse sopro acende, pouco a pouco, a vontade de continuar. E eu sigo, carregando o pequeno lume como um sacramento.

Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.

Quando a esperança parece de vidro, protejo-a com pano fino. Não a exponho ao vento de opiniões alheias. Se quebrar, guardo os cacos e aprendo a colar de novo. A cada remendo, ela vira arte com marca de costura. E toda esperança remendada brilha de forma diferente.

A esperança é um mapa rabiscado com lágrimas e mãos calejadas, apontando caminhos que poucos ousaram pisar.

Olho as estrelas que tremem de amor e de esperança, e sei que a tua alma as espelha na escuridão.

Se a esperança é semente, regue-a com atos suados e chão firme, nunca com promessas vazias.

A esperança verdadeira reconhece o menor passo como avanço legítimo.

Esperança é verbo insistente: conjuga-se em gestos pequenos, repetidos todos os dias.

Há dias em que a esperança veste roupas velhas e disfarça o medo. Ela caminha pela sala, tropeça, ri, insiste em ficar. Não é heroica, é teimosa e essa teimosia me sustenta, um ato minúsculo que repele a avalanche de desistências.

A esperança às vezes é só isso: uma vela pequena num quarto grande. A vela não engana, sua luz é frágil e treme ao primeiro vento. Mas enquanto arde, confessa coisas que o escuro se recusa a dizer, e eu me agarro a esse fio de chama como se fosse um novelo de sentido.

A esperança, às vezes, é um fósforo mal aceso. Basta um sopro e ela some, mas volta a arder. Eu coleciono fósforos na caixa do costume. Quando a noite aperta, acendo como quem pede socorro. E a chama pequena faz todo o caminho parecer possível outra vez.