Continua
A ausência não é ausência, é presença invertida. Ela continua te tocando, te moldando, te ajeitando nas frestas onde a memória ainda tem voz. Há pessoas que nos deixam, mas permanecem como sombras que aquecem. E mesmo que não voltem, continuam respirando dentro do que nos tornamos.
Viver é uma apostilha contínua de recomeços e contratos rasgados. Assinamos promessas com tinta que escorre, juramos lealdade a dias que fogem. Ainda assim e talvez por isso, a vida nos dá segundos para reescrever, e é nesse segundo, pequeno e empedernido, que volto a acreditar.
Sou um grito que aprendeu a cadência da respiração. A dor continua lá, mas eu aprendi a caminhar com ela.
Sou a exaustão com verniz de eloquência. Posso falar bonito, mas o cansaço continua sendo a base de cada palavra.
A consciência não permite descanso completo, porque mesmo no silêncio ela continua ativa, revisando, questionando, reconstruindo, como se existir fosse um trabalho que nunca termina.
Existe uma parte de mim que continua acreditando. Mesmo quando tudo ao redor desmente qualquer esperança. É ela que me mantém de pé quando o resto já vacila. É ela que me empurra adiante. E, por vezes, essa pequena chama vale mais do que qualquer certeza.
Existe uma espiritualidade silenciosa em quem continua respirando mesmo depois de ter perdido partes inteiras de si pelo caminho.
Existe uma beleza profundamente triste em quem continua sendo sensível depois de ter conhecido a brutalidade humana de perto.
O corpo seguiu em frente. O calendário seguiu em frente. Mas uma parte dela continua parada no mesmo lugar.
Existe uma pergunta que atravessa séculos e continua ecoando dentro da mente humana: se Deus existe, por que existe tanta dor no mundo?
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda que quase ninguém tem coragem de fazer: se recebemos a liberdade de escolher, por que insistimos em entregar a culpa das nossas escolhas para Deus?
"O sangue derramado no Calvário continua ecoando através da história, anunciando que a dívida foi paga, a porta foi aberta e a reconciliação foi consumada."
A ausência da busca contínua por conhecimento e prática em biomedicina conduz o profissional à dependência do saber de terceiros.
Cuidado: Judas continua por aí!
Desta vez, sem arrependimento, usa a internet para impor o cancelamento das próprias vítimas.
