Continua

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O instante exato em que uma consciência percebe que é finita e, ainda assim, continua desejando o infinito não acontece como um choque, mas como uma convivência silenciosa. Os seres humanos vivem a ilusão do infinito porque só é possível viver o presente considerando que a vida é eterna. Se pararmos continuamente para pensar que a vida é finita e que tudo passará, tudo perde o sentido. Para construir sentidos no mundo, precisamos da ideia de infinito, embora saibamos racionalmente que a vida é finita. A regra torna-se então saber que a vida é finita, mas viver como se fosse infinita, pois isso gera projetos de longo prazo e sensação de continuidade. A vida é finita, mas os desejos são infinitos. E enquanto os desejos são infinitos, somos também infinitos.
Se a memória tivesse um corpo físico, o tipo de matéria que ela poderia ser talvez não fosse mineral nem orgânica isoladamente, mas a própria forma humana. A memória poderia ter o corpo de um homem ou de uma mulher, porque um ser humano é feito de memória. Seu tronco, seus braços, seus lábios e seus olhos seriam apenas a matéria em que a memória se manifesta. A memória é um acontecimento que se expande por todo o corpo por meio de células interligadas. Assim, a memória seria um corpo que caminha carregando em si o tempo passado, o tempo presente e a expectativa do tempo futuro, um corpo que age ao existir, porque existir já é lembrar.
Explicar o amor sem recorrer a palavras associadas a afeto, corpo ou emoção é reconhecer que ele se instala quando as necessidades básicas de sobrevivência encontram estabilidade. Primeiro vêm alimentação, moradia, segurança e pertencimento. Quando o básico se estabelece, surge a equação que coloca o amor como o ponto mais alto da estrutura humana, pois ele representa a necessidade de vinculação e de partilha de mundo. Sozinhos, estamos em um território pouco compreendido; com o outro, criamos um campo de significados compartilhados. O amor torna-se então o encontro de dois mundos que se influenciam mutuamente, a forma mais elevada de integração à realidade e de atribuição de sentido à própria ação.
Quando o tempo decide parar de obedecer aos humanos, o primeiro dia dessa rebelião silenciosa acontece sem alarde. Ninguém precisa acordar pela manhã, porque não há manhã. Qualquer horário serve para acordar, porque não há mais horário. O trabalho não tem início definido, nem término previsto. Tudo fica suspenso e tudo pode começar a qualquer momento. O tempo, que organizava a mente humana, dissolve-se. Sem ele, a vida deixa de ser fragmentada e passa a fluir de forma intuitiva. A existência deixa de ser uma sequência e se torna um campo contínuo, onde as ações já não obedecem a uma régua invisível.
A inteligência que cresce em ambientes hostis pode ser compreendida como uma pequena chama que insiste em permanecer acesa na escuridão. O ambiente é amplo e adverso, mas essa chama, embora pequena, ilumina o suficiente para reorganizar o espaço ao redor. Ela não é um incêndio, apenas um ponto persistente que transforma o ambiente ao revelar camadas que antes não eram percebidas. Assim, a inteligência em ambiente hostil não domina pela força, mas pela capacidade de mobilizar e reorganizar o que parecia imóvel.
Quando alguém descobre que viveu metade da vida sendo uma versão traduzida de si mesmo, ocorre um deslocamento interno profundo. A pessoa percebe que nunca teve controle total sobre a própria trajetória e que a vida é atravessada por ilusões e projeções difíceis de identificar. Surge a pergunta sobre autenticidade em um mundo cheio de nuances imperceptíveis. Esse reconhecimento não destrói a identidade, mas inaugura um despertar ontológico, uma tentativa de viver o restante da existência com maior integridade e consciência, ainda que nunca haja certeza absoluta de autenticidade.
Se a linguagem pudesse adoecer, seus sintomas mais perigosos seriam a revelação involuntária das estruturas ocultas da sociedade. Ela deixaria de ser domesticada e passaria a expor o que antes permanecia velado. O poder perceberia primeiro essa doença, porque seria o mais ameaçado por uma linguagem que já não obedece. O poeta reconheceria a mudança como parte de seu próprio território de experimentação. O louco, imerso em seu universo particular, seria afetado de modo indireto, como quem vive em uma margem onde a linguagem já se encontra em estado instável.
O encontro entre duas ideias que se odeiam, mas dependem uma da outra para existir, seria breve e inevitável. Haveria um cumprimento mínimo e o reconhecimento mútuo de necessidade. Cada uma afirmaria silenciosamente ao outro que a existência própria só se sustenta pela presença daquilo que rejeita. Assim, a convivência não seria harmônica, mas estrutural. Permaneceriam juntas não por escolha, mas por impossibilidade de separação.
Perguntar o que é mais pesado — aquilo que nunca aconteceu ou aquilo que aconteceu e não pode mais ser alterado — conduz a uma conclusão direta: ambos carregam peso. O que não aconteceu pesa como possibilidade perdida; o que aconteceu e não pode ser alterado pesa como permanência irreversível. Cada um ocupa um tipo diferente de densidade dentro da experiência humana, mas nenhum deles é leve.

Assim é a vida..
Ela continua.
Continue também.*
___________FranXimenes
20*11*2013

"O recomeço é sempre possível. Não existem limites para quem continua sonhando. Permita-se sonhar, viver e avançar - porque você é o autor da sua jornada, e cada novo capítulo pode ser ainda mais extraordinário que o anterior."

Deus é bom o tempo todo… até quando a noite parece longa, Ele continua sendo fiel, cuidando de tudo que a gente não consegue ver.”

quem conta um conto que continua um contista monta um ponto

Dirigido aos déspotas... Somos Forçados, Mas Não Somos Obrigados... A Luta Continua.

""Faça do amor o motivo
do sorriso incentivo
e continua
crendo na vida de uma forma infinita
levando na mala a paz bendita
e um modo de viver anti fugaz
leva na memória todas as lembranças
recorda-te do tempo de criança
e de teus pais
leva pouco para o fardo não pesar
mas o bastante para nunca te faltar
arrojo, saudades, amores e perdão
sim perdão
é ele que vai descarregando a mala todas as vezes
que a ingratidão sem ser convidada
conseguir pegar carona...

A evolução diária é para todos, todos estão em processo de evolução contínua e mudança perpétua até a morte.

Para meu leitor
Na menina que fui, está a mulher, mãe, amiga, esposa que hoje
sou e vou continuar me tornando a ser até o fim. Lá nasceram meus
amores, meus medos, minha inesgotável busca de entendimento
para algumas coisas da vida, amizades, coragem, meus valores e
segredos. Relatos e lembranças que perto ou longe estão ao meu
redor, dentro de mim, porque somos marcados sim, pela realidade
do nosso meio familiar, escolar e cultural. Não temos como fugir
disso, somos muito de nossos pais e do meio em que vivemos. Até
podemos mudar no decorrer da vida, mas é em função disso que
atuaremos em toda a nossa história, no nosso jeito de ser, de falar,
na criação e educação de nossos filhos; no nosso silêncio, no que
realmente toca nosso coração.
Hoje, não durmo nem acordo ancorada nas ordens e cuidados
de meus pais. Atravesso meu mundo sem o pé de seriguela no
quintal de casa para subir, sem a cama de mamãe para me esconder
nas noites de trovões e tempestades. Sem o barulho e alegria de
papai chegando. Eu me superei sem o colo de meus avós e tias por
perto. Sem os banhos de chuva que tomávamos na rua de roupa e
tudo, agradecendo a Deus pela água que caía. A melhor sensação de
tantas que já vivi! Cedo aprendi no meu nordeste a agradecer pela
água que caía, que corria, e tornava verde meu sertão, a ser grata
pela vida dos bichos, pela vida de todo rico e pobre.
Hoje, quero também agradecer por você estar aqui e tocar meu
coração com suas mãos, por este livro, por este ano um grande
influenciador de minha vida com suas metas e propósitos, por todo que acolhi e colhi, pelo novo olhar que busquei, e mais livre estou.
Agradeço a Deus pela vida recebida e pela família que ele me deu.
Por meus filhos, pela infância e bagunça gostosa de todos os dias,
por meu marido, por todos vocês que fazem parte de tudo isso, de
toda história que continua aqui nas próximas páginas que virão.
Obrigada!
Que sejamos felizes!




TEXTO FINAL DA OBRA Um de meus olhares por Lina Veira

A literatura brasileira pode ser entendida como uma tentativa contínua de construção de identidade nacional, mas não de modo linear ou estável. Desde suas origens, ela se constitui como um campo de reflexão sobre o próprio país, suas fraturas históricas, suas influências externas e suas tensões internas. Mais do que um reflexo passivo da nação, a literatura brasileira participa ativamente da elaboração simbólica do Brasil, questionando e reconstruindo constantemente aquilo que se entende por identidade nacional.
Essa instabilidade pode ser percebida ao longo da evolução de seus autores. Machado de Assis, por exemplo, não apresenta uma obra linear. Seus primeiros romances ainda dialogam com o romantismo, enquanto sua fase realista introduz a ironia como uma forma de leitura do mundo e do ser humano. A ironia machadiana não é apenas um recurso estilístico, mas revela uma visão ontológica: o ser humano é contraditório, autoconsciente e frequentemente incapaz de compreender a si mesmo plenamente. No entanto, em sua fase final, como em Esaú e Jacó, essa ironia se suaviza, indicando que a própria visão de mundo do autor se transforma ao longo da vida. Machado, portanto, encarna uma consciência literária em movimento, que evolui e se reconfigura.
Em Clarice Lispector, a literatura deixa de ser apenas narrativa de acontecimentos e passa a se concentrar nos estados do ser. Sua linguagem pode tanto revelar quanto dissolver o sujeito. A epifania clariceana, recorrente em sua obra, é um momento de revelação que simultaneamente desestabiliza a identidade do personagem. Em A Hora da Estrela, por exemplo, a linguagem se apresenta mais linear, enquanto em outras obras se torna mais hermética e introspectiva. Em todos os casos, porém, há uma tensão contínua entre revelar o sujeito e desorganizá-lo, indicando que a identidade nunca é plenamente fixa.
Essa dimensão ontológica também se manifesta em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O sertão, ali, é simultaneamente geografia e metafísica. Embora a narrativa se construa a partir de histórias de jagunços, essas histórias funcionam como pano de fundo para reflexões mais profundas sobre Deus, o diabo, o amor e a própria realidade. O sertão rosiano representa um estado existencial no qual o ser humano questiona constantemente o sentido de sua existência. A linguagem regionalista, elaborada e inventiva, não limita o alcance da obra; ao contrário, serve como veículo para questões universais e ontológicas.
Na poesia de Carlos Drummond de Andrade, o “eu” frequentemente se apresenta deslocado. Esse sentimento de inadequação é simultaneamente psicológico, social e metafísico. Ao afirmar que não será o poeta de um mundo caduco, Drummond revela tanto sua leitura crítica da sociedade quanto sua própria percepção existencial do mundo. O deslocamento não é apenas individual, mas também histórico e ontológico, refletindo a dificuldade de encontrar um lugar estável em uma realidade em transformação.
O modernismo brasileiro, por sua vez, buscou romper com a tradição europeia, mas também se constituiu a partir dela. Influenciado pelas vanguardas europeias — como o cubismo, o futurismo e o expressionismo —, o modernismo brasileiro não pode ser considerado totalmente revolucionário. Ele representou, antes, uma reconfiguração cultural que reposicionou o Brasil dentro de um cenário internacional. Embora tenha introduzido novas formas de expressão e valorizado elementos nacionais, manteve diálogo constante com modelos estrangeiros, revelando a complexidade da construção de uma identidade cultural autônoma.
Lima Barreto exemplifica a fusão entre literatura e política. Sua obra é simultaneamente um ato literário e um ato político. Ao desconstruir visões ufanistas do Brasil e expor desigualdades sociais profundas, ele revela um país distante da imagem idealizada. Sua escrita, crítica e amarga, continua atual justamente por evidenciar problemas estruturais que persistem. A literatura, nesse caso, torna-se instrumento de lucidez social e histórica.
Na poesia de Cecília Meireles, a temporalidade assume caráter ao mesmo tempo nostálgico e metafísico. Seus versos frequentemente refletem sobre a passagem do tempo e a transitoriedade da vida, construindo uma nostalgia que não se limita à memória pessoal, mas se expande para uma reflexão existencial sobre o destino humano. O tempo, em sua poesia, é consciência da impermanência.
A questão da identidade nacional atravessa toda a literatura brasileira. Durante muito tempo, a produção literária refletiu fortemente influências europeias. Apenas ao longo do século XX, especialmente após o modernismo e nas décadas seguintes, é possível perceber a consolidação de uma identidade literária mais autônoma. Ainda assim, essa identidade permanece instável, construída em diálogo constante com referências externas e internas. A literatura brasileira não define uma identidade fixa; antes, revela a dificuldade de estabelecê-la de forma definitiva.
Por fim, a relação entre forma estética e verdade social é central na tradição literária brasileira. Em obras como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a linguagem seca e direta corresponde ao conteúdo narrado, criando uma unidade entre forma e temática. A estética não suaviza a realidade, mas a traduz e a intensifica. Quando forma e conteúdo caminham juntos, a literatura alcança maior potência expressiva e crítica.
Assim, a literatura brasileira pode ser compreendida como um espaço simbólico em que a identidade nacional é continuamente construída, questionada e reformulada. Ela não oferece respostas definitivas, mas evidencia a complexidade de um país cuja identidade permanece em permanente elaboração.

⁠"Ela é a minha morte, mas ela continua me fazendo viver".

⁠Madeira ruim, por mais verniz que se adquira, continua sendo ruim.

"A ganância já matou muita gente, e ainda hoje continua enforcando e crucificando um grande número de pessoas, inclusive mais do que antes."

A vida continua
Não tenho certeza de nada
Não tenho certeza de nada
Só sei que escolha errada não perdoa - música hoje pesa amanhã do dj gato amarelo

A vida continua mesmo quando tudo desanda
Não tenho certeza de nada, só da cobrança que vem na volta
Aprendi cedo que erro aqui pesa dobrado
Pensar duas vezes virou regra, não é conselho dado - música hoje pesa amanhã do dj gato amarelo

Durante a viagem, o tempo congela, mas continua a ser igualmente bidimensional; é onde o espaço ganha mais protagonismo. Mas a viagem é, e será sempre, sobre o amor.

"Neste Dia dos Pais, meu coração aperta de saudade.
Mesmo longe, seu amor continua vivo em cada lembrança,
em cada lição que deixou.
Saudade eterna, pai.
Você vive para sempre em mim."

O pior do luto é quando a vida continua, mas uma parte de você fica parada no tempo.
Não é só a falta da pessoa, é a falta do que você era, quando ela estava aqui.
Existem dias, em que a saudade aperta tanto, que respirar parece difícil, porque tudo lembra quem se foi: uma música, um cheiro, um momento simples que nunca mais será igual.
E então, vem aquele silêncio doloroso, a certeza de que, nenhuma lembrança abraça de volta.
O luto é aprender a viver, todos os dias, com uma ausência, que nunca deixa de doer.

IA não é inimiga — é ferramenta. O artista continua sendo o coração; a tecnologia só amplia o alcance do pulso criativo.

Fazemos parte de um só acontecimento;
Pois tudo que aconteceu continua acontecendo.