
Quando você está no fundo do poço, Deus faz você subir a nado através de suas lágrimas, segurar na mão Dele respirar fundo e dar o grito da VITÓRIA!
CIRCUITO DE VIDRO
(Entre o meltdown e o porto seguro de um olhar)
Minha essência foi moldada num mosaico vitral,
feita de cacos espalhados pelo chão.
Em instantes de crise, o espaço me aperta, me comprime.
Às vezes é amplo, às vezes me liberta.
O ruído do mundo lá fora me desestrutura,
meu grito ecoa, fio desencapado.
Curto-circuito.
O excesso me enclausura.
Mas no instante seguinte, a paz:
o básico, o abstrato.
Não preciso sair de mim, não preciso orbitar o desconhecido.
No choque, o meltdown acontece e eu vou embora.
Desconexão. Penumbra.
No vão oco da minha quietude,
consigo voltar e me ver.
Sinto a mão que puxa o plugue da tomada.
Refugio-me no olhar do meu abrigo: minha mãe.
E enfim… estou seguro.
Lu Lena / 2026
NADA É ABSOLUTO
(Tudo é transformação)
A vida nos desafia, constantemente, a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós a responsabilidade pelas nossas interpretações do mundo. É preciso silenciar a busca por certezas definitivas — que, muitas vezes, não virão — em favor de uma existência em constante transformação. A intenção reside no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.
Nesse caminho, avistamos duas setas: uma aponta para a Vida, a outra para a Frente. Decifrar esse enigma da bifurcação é o grande desafio que confunde nossa mente, pois o compromisso com o destino é, inegavelmente, seguir adiante. Viver o aqui e o agora é a certeza da evolução da alma; é refletir sobre o espaço que ocupamos neste tempo oscilante, feito de erros, acertos e virtudes. Afinal, se não ficarmos atentos, a vida passa num instante.
Lu Lena / 2026
O PARADOXO DO CAMINHO
(Reflexões sobre o Tempo e a Virtude)
No labirinto do tempo, encontrei duas setas no caminho: uma apontava para a Vida, a outra para a Frente. Então, descobri que a bifurcação era uma ilusão da minha mente; seguir em frente é o comprometimento com o destino, e viver o aqui e o agora é a virtude e a evolução da alma.
Lu Lena / 2026
VOOS LONGOS, QUEDAS CURTAS
Impressionante como às vezes conseguimos voar e pousar em lugares tão longe, mas, inacreditavelmente, nossas asas quebram ao chegar em lugares tão perto...
Lu Lena / 2026
PÁSSAROS ATÔNITOS
O paradoxo da liberdade diante do caos interno de tua mente é quando os pensamentos ficam prolixos e se perdem em direções difusas, como pássaros atônitos e dispersos querendo voar dentro de ti. Mesmo com a gaiola aberta, não o fazem; não conseguem sair do lugar. Às vezes, a liberdade também é uma forma de prisão lá fora... por isso, o voo se paralisa no ar que acabas de ganhar.
Lu Lena / 2026
MANTO SACRO
(A fé ao alcance da cura)
O espaço entre a minha mão e a túnica enfeitada de franjas, que tantas vezes tento alcançar em minhas preces, deixa de ser uma distância física para se tornar um portal de mistério.
É uma proximidade tão intensa, tão onírica, que a fronteira entre o plano sutil e a matéria simplesmente desaba. Fecho os olhos e o milagre acontece no silêncio do meu ser: meus dedos parecem, de fato, sentir a leveza tangível daquele linho e o fluir compassado daqueles passos de luz.
Jesus caminha não apenas nos percalços de minha história, mas no território sagrado da minha devoção.
Ele se mostra a mim na hóstia da Eucaristia — o mistério supremo onde o infinito se faz pequeno para caber em minha alma que se alinha quase em posição fetal para o receber.
Diante do altar, o silêncio se preenche de uma expectativa inexplicável, e é ali, no recolhimento da comunhão, que a Sua voz sopra mansamente aos meus ouvidos:
"Solte o controle e deixe que eu cuide de tudo."
Essas palavras caem como um bálsamo sobre as minhas ansiedades e conforto ante tantas lutas incessantes para me reerguer, resgatar e o encontrar.
Percebo, então, que tocar as franjas de Seu manto é também o ato de abrir as mãos de carregar o peso do mundo.
Quando solto as rédeas e permito que o Seu amor assuma a direção, a cura se completa quando Ele me entrega o farol que está Iluminando os meus passos...
Lu Lena / 2026
PULSAR DO CORAÇÃO
(No eco do último suspiro)
Descansam em paz os que foram libertos e encontram-se em custódia anímica por essa onda vibratória de teu pensamento, onde o ar que respiras é álacre e a minha presença efêmera é tão nublada como o dia de hoje nesse teu pensamento de solidão, mas tão extraordinária como o pulsar de teu coração, onde meu último suspiro foi abafado pela terra. Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra.
Caminhamos entre a penumbra do que fomos e a luz do que deixamos impresso na alma de quem nos ama. Não chores mais pelo sopro que a terra silenciou; celebra, antes, a lembrança de minha existência, onde o meu sorriso ainda insiste em ficar. Eu sou a névoa da manhã que te toca o rosto, o silêncio que te responde nas noites de luar, nos dias nublados, na chuva que cai e se mistura com tuas lágrimas, e na luminosidade e calor do sol que aquece e conforta tua alma. Tenha a certeza de que o amor, uma vez liberto da matéria, torna-se eterno.
Vive os teus dias e tuas noites, e saiba que até mesmo o tempo que passa são horas que vão se encurtando para se expandir na finitude; e, na paz e no reencontro, enfim se eternizarem.
Lu Lena / 2026
A AREIA E O DRAGÃO
(Sobre a futilidade de revirar passados profundos)
Tentar achar a solução para uma circunstância da vida
que, há muito tempo, foi sugada para o fundo do mar...
É o mesmo que cavar um buraco na areia com as mãos.
Cuidado: o dragão-azul pode vir naquela onda gigantesca
e queimar teu coração.
Levante e siga e não olhe mais para trás.
Lu Lena / 2026
LÁGRIMAS DE CHUVA
(Quando o pranto da mãe cai do céu)
Olhos pesados que pestanejam em cintilações,
decorrentes de uma noite insone
que vejo no olhar de meu filho autista...
Aí percebo que minhas lágrimas
misturam-se à chuva que cai do lado de fora.
O mundo dorme um sono alheio,
enquanto o nosso tempo é outro, suspenso no escuro.
Como cúmplices, apenas a quietude da madrugada
e os pingos da tempestade que agora caem como orvalho.
Não há distinção entre a água do céu e o meu pranto;
ambos lavam a alma que, por instantes, levita
e recebe o refrigério divino...
Ele fecha as pálpebras, finalmente em paz,
sob o som da natureza que nos abraça e nos acalenta...
Eu fecho os olhos e continuo em prece!
Lu Lena / 2026
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A ajuda sempre vem de quem você menos espera, pois são anjos enviados por Deus!
Quem procura acha... Só que eu me procuro e não me acho.
Lu Lena
Substituía o controle e a rigidez de tua austeridade pela leveza e a presença plena de tua essência.