
O CLARÃO DA ETERNIDADE
(Onde o coração bate condescendente e a alma busca frestas)
Fui parar num porão empoeirado de emoções,
sentimentos lacrados em baús pesados…
onde vejo um redemoinho de pássaros
rompendo os grilhões em busca da liberdade…
No meu pensamento, que foge por entre a fenda
do tempo e do espaço compactado…
sobrevoando um coração que bate condescendente,
cansado, mas com saudade…
Cheirando mofo e decompondo-se
em lembranças mortas sepultadas na vida,
que ri e chora da minha sina ególatra…
farol em uma luz que ofusca meu olhar nublado.
Lu Lena / 2026
O PESO DO SUSPIRO
(Na esperança do amanhã)
Houve um tempo em que o peito vivia apertado como pedra. Qualquer decepção virava eco; qualquer injustiça era um tambor batendo forte no meu coração. Eu queria que o mundo ouvisse a minha indignação, que o outro entendesse a minha dor na mesma voltagem em que eu a sentia.
Eram os meus gritos abafados — aqueles que a gente engole no jantar, que guarda sob o travesseiro, quando as lágrimas se misturam com a água do chuveiro ou com a chuva lá fora. É nesse instante que o silêncio grita, a voz trava nas cordas vocais... e o que resta é apenas um suspiro profundo, que faz a alma levitar e sair da matéria.
Mas o tempo trouxe consigo uma espécie de cansaço vago e silencioso; as cordas vocais da alma parecem agora preferir o repouso. A gente percebe que gritar, mesmo que para dentro, ainda gasta uma energia flutuante que o corpo agora pede para outras coisas: para o café da manhã sem pressa, para o livro que finalmente faz sentido, para o olhar que compreende sem precisar de legenda.
Com o envelhecer, a maturidade nos ensina que o que antes era um vulcão contido vira brisa. Os silêncios deixam de ser prisões e passam a ser refúgios. Não é que a dor sumiu; é apenas que a urgência de ser compreendida foi substituída pela paz de se compreender e de se aceitar.
Hoje, quando algo aperta o coração, eu não busco mais o grito. Eu busco o fôlego. Quero apenas que aquele nó na garganta se desfaça em um suspiro longo, que saia pelos lábios e se misture ao vento. Porque o suspiro não exige resposta, não pede plateia e não carrega o peso da explicação. Ele é, simplesmente, a alma fazendo as pazes com o que não posso mais mudar, apenas aceitar.
O suspiro é o som da liberdade de quem já não precisa mais provar nada a ninguém — nem a si mesmo. Pois o que a gente mais quer é que nossos gritos abafados, em nossos silêncios, apenas suspirem.
Lu Lena / 2026
O SILÊNCIO QUE ACENA 🌬️✨
(sempre quando olho para o céu)
Mãe...
Queria escrever algo, mas acordei com o pensamento solto e disperso de mim. Quando sinto esse silêncio fugidio, não consigo escrever nada, fico oca por dentro e bate um vazio.
É sempre assim. Em especial neste dia que, lá do céu, acenas para mim... 🕊️🤍
Lu Lena / 2026
SER MÃE
(O florescer do amor) 💝
Ser mãe é quando a felicidade vem de dentro para fora, quando a mesma gera e também adota. É o instante em que o corpo ou o destino se abrem para dar lugar a uma existência que, até então, não nos pertencia, mas que passa a ser a bússola de todos os nossos caminhos. 🧭
Ser mãe é, acima de tudo, compreender que o vínculo mais forte não é feito de sangue, mas da presença de ser o porto seguro do filho, independentemente de como esse filho chegou aos seus braços. É o transbordar de uma alma que entendeu que sua maior missão é ensinar seu filho a voar. 🕊️
E há também as mães atípicas, em cujo ventre nasce um anjo sem asas, e para as quais Deus vem acoplar as asas de um de Seus anjos do céu.🧩
É um processo de alquimia emocional: o milagre que ocorre no segredo das células ao gerar, e no encontro de almas que se reconhecem no momento de adotar. ✨
Lu Lena /2026
A CURA DO CAMINHANTE
(Encontrando o equilíbrio entre o céu e a terra)
Meus sapatos foram feitos de pedra e deixei marcas pesadas pelo chão. Foi quando Deus enxugou minhas lágrimas, tirou-os e disse-me:
— Agora, siga e levite sobre as rochas. Quando te sentires exaurido, levante uma mão e toque o céu e, com a outra, toque a terra, enquanto curo as feridas de teus pés.
Às vezes, o caminho nos exige sapatos pesados para que possamos valorizar a leveza que vem depois. Deixe que a cura aconteça no tempo certo.
Lu Lena / 2026
ECLIPSE PARTICULAR
E a vida se espreguiçou lá fora e deitou nas nuvens para tirar um cochilo. Quando olho para o céu procurando-a para que desperte, observo que todos os dias são noite e a lua sempre me acena, pedindo silêncio.
Lu Lena /2026
O PESO DO SER
(Entre o ruído e a desconexão)
Dentro de mim ouço ruídos pesados como chumbo. São nesses gritos, que ecoam um som metálico e se arrastam por dentro da consciência, que o mundo lá fora se apaga. Eles ocupam os espaços onde antes "por lapsos de instantes habitava o meu silêncio".
Lu Lena / 2026
O PESO DO SER
(Entre o ruído e a desconexão)
Dentro de mim ouço ruídos pesados como chumbo. São nesses gritos, que ecoam um som metálico e se arrastam por dentro da consciência, que o mundo lá fora se apaga. Eles ocupam os espaços onde antes "por lapsos de instantes habitava o meu silêncio".
É uma gravidade particular; cada pensamento que surge não flutua, ele cai, sólido e frio, exigindo um esforço absurdo para ser levantado novamente. Tento traduzir o que dizem essas batidas surdas, mas o chumbo não fala, ele apenas me desconecta, impedindo que eu esqueça o peso de estar aqui.
Viver e conviver assim não é drama; é um estado de suspensão onde não há compreensão, apenas o peso de ser. E mais nada.
Lu Lena /2026
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO
(Quando a extensão oscila...)
A maior solidão é quando não se consegue alcançar a sua própria extensão; vivemos num território limitado. Somos estrangeiros de nós mesmos. É um estado de hibernação, tentando puxar para dentro de si, novamente, aquele cordão umbilical que se esvaiu... E parece que sempre fica oscilando.
Lu Lena / 2026
PASSOS EM CÍRCULO
(A caminhada invisível no labirinto azul)
Às vezes, circunstâncias contrárias à nossa vontade fazem com que caminhemos dentro de nós num labirinto sem fim — um caminho incessante que sempre fica estagnado no mesmo lugar. E, nesse caminhar, nossos pés pisam em cacos de vidro que juntamos exaustivamente, sangrando o silêncio, até que o chão esteja seguro o suficiente para encontrar a saída...
Lu Lena / 2026
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Quem procura acha... Só que eu me procuro e não me acho.
Lu Lena
Substituía o controle e a rigidez de tua austeridade pela leveza e a presença plena de tua essência.