
A vida é feita de ciclos. Há chegadas e despedidas, encontros e ausências, começos e finais. A morte, embora seja uma das maiores dores que enfrentamos, também nos lembra que nada permanece igual para sempre.
Tudo se transforma. O que hoje termina deixa espaço para que algo novo possa nascer. As folhas caem, mas a árvore permanece; o inverno passa e a primavera retorna. Assim também somos nós: feitos de partidas, recomeços, saudades e novas esperanças.
Talvez a vida não seja sobre permanecer, mas sobre deixar marcas, afetos e sementes pelo caminho. E quando alguém parte, aquilo que foi vivido não desaparece — permanece nas lembranças, nos gestos, nas histórias e no amor que deixou.
Porque, de alguma forma, tudo se renova. A vida segue, diferente, mas segue. E nós aprendemos a florescer novamente, levando conosco tudo aquilo que um dia nos fez ser quem somos.
Primavera. Dias de vento, de chuva e de mudanças.
Talvez seja tempo de abrir as gavetas da alma, reorganizar o que ficou guardado e revisitar aquilo que, por algum motivo, deixamos para depois.
Dias longos de reflexão, de escuta e de silêncio.
Um tempo de paz, não como ausência de conflitos, mas como possibilidade de ouvir o que existe dentro de nós.
Na psicanálise, escutar também é uma forma de cuidar: dar espaço às palavras, aos sentimentos e até aos silêncios que tantas vezes tentamos esconder.
Que esta primavera nos inspire a olhar para dentro com mais delicadeza, compreender nossas histórias e deixar ir aquilo que já não precisa permanecer.
Cleide Regina Scarmelotto
Moro na Sua Saudade
Moro na sua saudade,
Moro na minha vontade.
Fiz do meu peito casa,
Onde o amor não parte.
Abro a janela bem cedo,
Pra ver se no vento você.
Mas me abraça o silêncio,
Que aprendeu a me conhecer.
Cada rua tem seu retrato,
Cada canto lembra nós dois.
O relógio anda pra frente,
Meu coração ficou pra depois.
Moro na sua saudade,
Como o rio mora no mar.
Sem saber se um dia a vida
Vai fazer você voltar.
Se o destino for bondoso,
Traga você outra vez.
Minha porta continua aberta,
Como deixei uma vez.
Cleide Regina Scarmelotto
Amor transferencial
Por quarenta e dois anos, esse amor permaneceu em silêncio, guardado nas profundezas da alma, como uma semente esperando a estação certa. Eu acreditava que estava esquecido, mas ele apenas repousava.
Então, um dia, rompeu o silêncio. Explodiu, eclodiu, exigindo ser visto, compreendido e elaborado. Não para ser vivido como antes, mas para ser acolhido com a maturidade que a vida me deu.
Talvez alguns amores não existam para serem possuídos. Existem para nos revelar partes de nós mesmos que permaneceram escondidas por décadas. E, quando finalmente emergem, deixam de ser apenas amor pelo outro e tornam-se um caminho de encontro com a própria alma.
"Crer em Jesus não é seguir uma religião; é viver um encontro que transforma o coração. Religiões podem estabelecer regras, mas Jesus nos convida a uma relação de amor, misericórdia e esperança. Mais do que pertencer a uma instituição, o essencial é caminhar com Ele e refletir esse amor na forma como tratamos ai semelhante, animais e natureza de um modo geral."
A morte deLGBTQIA+
A morte tem uma maneira silenciosa de nos lembrar do que realmente importa. Diante dela, perdem o sentido os rótulos, as disputas e os preconceitos. O que permanece é a lembrança de uma vida, de uma história e de uma pessoa que amou, sonhou, enfrentou desafios e deixou marcas em quem a conheceu.
Quando falece uma pessoa LGBTQIA+, é um momento para refletirmos sobre nossa própria humanidade. Antes de qualquer diferença, existe um ser humano que merece respeito, tanto em vida quanto na despedida.
A empatia não exige que todos pensem da mesma forma. Ela exige apenas que reconheçamos a dignidade do outro. O respeito nunca diminui quem o oferece; ao contrário, revela grandeza de caráter.
Que toda despedida nos ensine a trocar o julgamento pela compaixão, o preconceito pelo respeito e a indiferença pela humanidade. No fim, é assim que honramos o valor da vida.
Amanhece um dia SUAVE- como eu estou na graça de alcançar um sonho, que o dia seja suave, eu também quero borboletas na minha janela.
Quero ver formatos em nuvens.
Quero ver uma flor ao vento.
Quero levezas...
Porque trocar farpas, é burrice de quem não sabe que a vida é curta, suavidade, sempre : )
"O que não se mostra na vitrine do face book, se vive off line,nem parece nada, apenas é.E por ser,toma consistência...na consciência de que as horas não voltam... Às vezes são mais vigentes que imagens, são verdades, a dois,que não ficam para depois,nem congelado num post...talvez projetado num livro, num romance ou poesia, e assim eu me sinto completamente feliz, a felicidade longe das redes sociais está seguramente protegida "
Era um labirinto... mas não tão somente um labirinto, em se tratando de mim, era um labirinto onde a única saída era um abismo, esmurrei as paredes do labirinto, voei,me espatifei,ninguém juntou meus pedaços só eu mesma, estava na solidão da dor de me quebrar,quando me reconstruí, eu queria APENAS um sorvete de casquinha,a timidez de seu olhar, seu sorriso sem saber o que fazer comigo, e um monte de sonhos bobos...
"Aprendi a controlar atitudes somente, e olhe lá,sentimentos e desejos não são passíveis de controle,nem faço questão de esconder,me orgulho da grande sensibilidade,prefiro estas profundidades todas, do que um vazio infinito, prefiro assumir e ser transparente do que ocultar, até pelo fato de que onde é que existem esconderijos para oceanos?"
Músico, não faça música como quem faz uma coisa qualquer com pressa, faça música como Deus construindo uma nova alma, poeta não faça poesia como quem joga na loteria,faça poesia como quem faz o pão nosso de cada dia...
Depois de tudo, os apreciadores da arte, não perguntarão quanto tempo demorou a escultura, a pintura, a poesia e a música... mas sim, quem fez... porque a arte pode demorar cinco minutos, ou uma eternidade, depende do tempo que o artista precisa pra expressar todo conteúdo de sua alma
Realidade X discurso, os manipuladores dizem que o discurso é o correto, e os justos afirmam que o correto mesmo é a realidade, e assim o tempo flui, com a inegável realidade que passa, junto com o tempo, bem diante de hipnotizados olhos, daqueles que são manipulados pela mídia... E piores que os da caverna de Platão, são sempre os piores cegos, pois não querem ver.
Ainda não fez nenhuma conquista.