
DEUS COMPUTADOR
P1. Um ser perfeito sempre escolherá a melhor opção possível.
P2. Se um ser não pode nunca escolher uma opção pior, então não pode escolher livremente.
P3. Livre-arbítrio exige a possibilidade real de escolher de outro modo.
C. Portanto, um deus perfeito não possui livre-arbítrio. Se sempre escolhe necessariamente a melhor opção, seu comportamento é determinado pela própria perfeição, tornando-o mais parecido com um computador, um sistema que necessariamente executa a melhor opção possível, do que com um agente livre.
Dilema do nada
P1. Nada vem do nada.
P2. Se deus criou o universo, deve ter usado alguma coisa que já existia, ainda que fosse o próprio corpo divino.
P3. Portanto, deus não pode criar algo a partir do nada.
P4. Um deus que não pode criar a partir do nada é limitado e não possui onipotência absoluta.
C. Portanto, o deus clássico, concebido como um criador onipotente capaz de criar o universo do nada, não existe. Só resta um deus redefinido, limitado e submetido à lógica, que já não corresponde ao conceito clássico de deus onipotente.
Niilismo é o suicídio lento dos que têm medo de viver intensamente.
Deus não é luz, nem pai, nem abrigo. Deus é uma velha obesa, sentada sobre o acúmulo de séculos, devoradora de almas. Sua fome não conhece saciedade, e seu paladar é seletivo: despreza os vazios, ignora os medíocres, cospe os indiferentes. O que lhe dá prazer são justamente as almas mais espiritualizadas — aquelas que se purificaram, que se elevaram, que acreditaram. Quanto mais consciência, mais sabor. Quanto mais transcendência, mais apetite. A espiritualidade não salva: engorda o monstro.
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O mundo seria tão chato sem religiões! Se ninguém acreditasse em superstições ridículas, como eu ia me divertir zombando? O verdadeiro problema, claro, é que essas ideias tolas são usadas para governar o "estado" e moldar as leis, transformando um circo de bobagens em um império de poder.
Deus não dá necessariamente valor intrínseco ou propósito à vida. Será deus um niilista? Se deus existe, a existência continua sem um sentido, pois qual é o sentido da existência divina? Se é deus quem escolhe o seu propósito, se deus dá sentido a si mesmo, então os humanos podem fazer o mesmo e não precisam servir aos desejos da divindade. Então a solução é que sejamos todos deuses, escolhendo nossos próprios destinos.