Compromisso
Eu não sei se talvez.
Se um dia haverá compromisso
ou se tudo vai continuar exatamente como está:
no meio do caminho, sem nome, sem promessa.
Não vou oferecer o meu ombro
nem pedir que me ajude a dividir o peso.
Cada um carrega o que escolhe carregar.
Silêncio também é escolha.
Não te cobro presença,
mas também não aceito ausência disfarçada de liberdade.
Sentimento não é rascunho
pra ser deixado na gaveta quando aperta.
Se for pra ficar, que seja verdadeiro.
Se for pra ir, que seja honesto.
O que cansa não é a dúvida —
é permanecer onde nunca se decide.
Razão e emoção são uma conjunção de dois deveres cruciais para ter compromisso ao refletir sobre seu pensamento.
Tô procurando alguém pra ver os fogos comigo. Depois, sem compromisso nenhum, cada um segue sua vida… até voltar pra quem realmente gosta, sei lá.
A qualidade da sua vida é decidida nos momentos em que ninguém está olhando. O compromisso que exige plateia para ser mantido não é caráter, é espetáculo. A verdadeira força nasce do pacto secreto que você faz com a sua própria alma: a promessa de ser excelente mesmo que o mundo jamais saiba o esforço que isso custou.
Assumi comigo um compromisso que não foi bonito de fazer. Não veio em forma de promessa leve, nem de entusiasmo. Veio quase como um pacto silencioso depois de atravessar dias em que existir parecia excessivo demais.
Houve momentos em que desejei não estar. Não por falta de coragem, mas por cansaço. Um cansaço que não se explica, apenas se instala e vai apagando as bordas da vida. E, ainda assim, entre um intervalo e outro dessa vontade de desaparecer, havia algo mínimo que insistia.
Um resto de vida. Quase nada, mas suficiente. E foi nesse quase que eu me agarrei. Não por certeza, mas por decisão. Porque, se ainda havia algo em mim que pulsava, por menor que fosse, então talvez valesse a pena sustentar isso um pouco mais.
Foi ali que assumi esse compromisso. Não o de ser feliz o tempo todo, mas o de não abandonar a possibilidade de viver com verdade enquanto eu estiver aqui. De não desperdiçar completamente aquilo que, de alguma forma, ainda insiste em mim.
A felicidade, entendi, não viria como estado permanente. Mas poderia existir em fragmentos, em respiros, em pequenos instantes que, somados, sustentam a travessia.
Se estou aqui, então que valha. Que atravesse. Que sinta. Que, apesar de tudo, eu não me recuse a viver a vida que ainda me vive.
Quando a política é política, ela admite compromisso. Ela admite gradualismo. Ela admite erro. Ela admite que o adversário pode ter parte da razão. Já quando a política vira sagrada, compromisso vira traição. Gradualismo vira covardia. Erro vira pecado. Adversário vira inimigo moral. É nesse ponto que sociedades livres se tornam nervosas e começam a pedir pureza, não competência; lealdade, não debate; sinalização moral, não resultados.
Energia sem compromisso é comprometimento cardíaco, e, sem química, não sei se existe paraíso; rigidez é sempre falta de serviço.
