Coleção pessoal de wander-von-muller
Senhorita
musica que mais parece um poema de autoria do cantor Zé Geraldo
Senhorita
Minha meiga senhorita,
eu nunca pude lhe dizer.
Você jamais me perguntou
de onde eu venho e pra onde vou.
De onde eu venho
não importa, pois já passou.
O que importa
é saber pra onde vou.
Minha meiga senhorita,
o que eu tenho é quase nada,
mas tenho o Sol como amigo.
Traz o que é seu e vem morar comigo.
Uma palhoça no canto da serra será nosso abrigo.
Traz o que é seu e vem correndo, vem morar comigo.
Aqui é pequeno, mas dá pra nós dois,
e, se for preciso, a gente aumenta depois.
Tem um violão que é pra noites de lua,
tem uma varanda que é minha e que é sua.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo.
Aqui é pequeno, mas dá pra nós dois,
e, se for preciso, a gente aumenta depois.
Tem um violão que é pra noites de lua,
tem uma varanda que é minha e que é sua.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Comigo, doce, meiga senhorita,
vem morar comigo.
Senhorita: Zé Geraldo
“Muitas vezes, são as próprias pessoas que criam impasses e dilemas emocionais que travam suas ações. É necessário buscar a cura, reconhecer que o problema é emocional e investigar a origem da insegurança — que, em certos casos, pode estar ligada ao próprio organismo e exigir mudanças de hábitos.”
“Não gosto da frieza nem da grosseria da vida, mas sei que a firmeza é um mal necessário. Ser firme não é ser grosso. É essencial distinguir firmeza de frieza: precisamos de firmeza para liderar, decidir, orientar e controlar situações em qualquer área da vida.”
O Olhar Que Esperamos
O olhar que esperamos,
chega, mesmo que tarde,
como um segredo não dito,
como o vento que nos toca
sem pedir licença.
Quantas memórias,
o tempo roubou de nós,
sem que sequer soubéssemos?
O tempo, esse amante implacável,
caminha sem piedade,
nos arrasta,
mesmo quando resistimos.
E nos encontramos, então,
diante de anos perdidos,
diante de sonhos
que se afastam,
como estrelas fugidias
em um céu distante.
Como encontrar coragem para seguir,
quando o desejo é de ficar,
quando a alma implora por descanso
nas margens do que é seguro?
Oh, como se faz isso,
quando tudo parece tão distante,
quando a esperança se dissolve
no horizonte da incerteza?
O futuro não pertence a mais ninguém,
ele é nosso —
mesmo que o mundo tente nos convencer do contrário.
Você, que se sente esquecido,
é mais importante do que imagina.
A cada passo,
deixamos rastros invisíveis,
como marcas no vento,
tocando corações,
permanecendo
em silêncio, mas eternos.
Nos olhos guardamos memórias,
não escritas, mas profundas,
como ecos de um tempo que não se apaga.
E quando a dor tentar nos silenciar,
é nesse instante que devemos levantar,
seguir,
pois o futuro é nosso —
e ninguém, nunca,
poderá roubá-lo.
Lembre-se, sempre:
nada, nem ninguém,
pode silenciar a voz da sua alma.
Você é importante.
Faça-se ouvir.
O coração dela, inquieto,
abandona as amarras do silêncio
e guia seus passos —
livre, pulsante, sem mapas,
sem pedir permissão.
Eu a vejo se tornar alma:
leve, intuitiva, inteira,
um feixe de ternura
pulsando luz sobre mim.
Ao segurar sua mão,
o mundo desacelera,
e um encantamento desperta
no brilho profundo dos seus olhos.
Há um brilho que dança em seus olhos,
um tremor doce nos lábios,
uma paixão que arde devagar,
como fogo que nunca se apaga.
Ao segurar sua mão,
o mundo desacelera,
e um encantamento desperta
no brilho profundo dos seus olhos.
O coração dela, inquieto,
abandona as amarras do silêncio
e guia seus passos —
livre, pulsante, sem mapas,
sem pedir permissão.
Eu a vejo se tornar alma:
leve, intuitiva, inteira,
um feixe de ternura
pulsando luz sobre mim.
Há um brilho que dança em seus olhos,
um tremor doce nos lábios,
uma paixão que arde devagar,
como fogo que nunca se apaga.
E eu permaneço diante dela,
maravilhado por essa beleza
que se revela inteira
no instante em que ela sorri para mim.
Hoje repito, com a serenidade que o tempo concede:
Nós somos livres.
Livres para desejar.
Livres para mudar.
Livres para nos reinventar diante da própria vida que criamos.
E é curioso como a liberdade surge dentro desse mesmo mistério.
Somos livres — sempre fomos. Há uma força suave na liberdade, mas uma força que muitos não compreendem.
Eu vi beleza onde não havia esforço, e por isso não tentei aprisionar o que tinha asas. Disse minhas palavras sinceras e deixei que o destino seguisse seu próprio movimento. Hoje entendo: a mudança que pedi talvez tenha chegado através daquela breve passagem. Porque ela me fez olhar para mim mesmo — para quem eu era e para quem posso vir a ser.
Ainda assim, a vida tem seus mistérios suaves.
Cinco dias foram suficientes para que uma presença tocasse algo em mim, como um vento discreto que muda o rumo sem anunciar. Depois veio o silêncio — denso, mas verdadeiro. E, mesmo assim, o simples “bom dia” que um dia recebi ainda brilha na memória como um sol que aquece devagar.
Não sigo padrões formatados por sistemas arcaicos que aprisionam a alma com viseiras e rédeas. Há poderes que moldam mentes adormecidas, e talvez seja assim para evitar um colapso cuja verdade muitos não suportariam. Há seres humanos que caminham em círculos sem saber, culpando o mundo por não encontrarem saídas que existem apenas dentro de si.
A mudança acontece agora, mesmo quando não a vemos. Ela caminha junto do tempo, e quando aprendemos a perceber seu ritmo, ela deixa de ser lenta e se faz veloz. Passamos então a compreender a força da ação correta no instante exato, quando o ser humano se alinha às leis invisíveis que regem tudo o que vive.
O universo nos entrega exatamente o que buscamos, mas somente quando já somos capazes de sustentar o peso do que sonhamos. Quem pede e não se prepara, frustra-se; quem se prepara, reconhece. Assim, antes de esperar que a vida mude, é preciso que mudemos o espaço interno onde a mudança irá morar. Cada conquista exige braços abertos, alma desperta e a coragem de não permitir que ninguém — nem mesmo nós — roube aquilo que nasceu como sonho e cresce como realidade.
Há momentos em que passamos uma vida inteira pedindo por mudanças, como quem suplica ao universo por um sopro novo. E, ainda assim, elas chegam devagar — silenciosas, quase imperceptíveis — porque o devir não tem pressa; ele apenas acompanha a vibração dos nossos pensamentos. O querer é a prova de que estamos vivos, de que uma centelha ainda se move dentro de nós. O problema nunca foi desejar. O problema é não estar preparado para receber aquilo que pedimos.
O tempo presente é o único território real. Quando o presente se desalinha, tudo o mais se torna ilusão. Foi assim que aprendi a falar menos, a ouvir mais, a acertar mais — porque já não tenho tempo para desperdícios.
Wander von Müller – Visão Terminista
A visão terminista é a ânsia de encontrar respostas definitivas para tudo, como se a vida pudesse ser aprisionada em certezas. É o desejo de corrigir fatos, de mudar pessoas, de apressar o curso natural do mundo. Mas o universo não se curva à nossa pressa; ele se move com seu próprio ritmo, e nós, humanos, somos mutáveis, instáveis, transitórios.
Ao receber qualquer informação, não a aceite como verdade absoluta. Cada palavra, cada ensinamento, é apenas uma porta para a reflexão. Busque, explore, aprofunde-se. Evite a presunção, pois a arrogância é a sombra que obscurece a sabedoria.
As respostas que você procura, aquelas que dizem respeito a quem você é de fato, já habitam em seu interior. Elas nascem de uma sabedoria silenciosa, infinita, quase divina. Nenhum ser humano é superior ou inferior a outro; cada existência segue seu próprio tempo, único e insubstituível.
Se cada um possui um tempo próprio, cabe a nós habitar o nosso com consciência e inteligência. Viver plenamente não é apressar-se, mas cultivar a felicidade, respeitar o próprio ritmo e o dos outros.
Quando nos tornamos inteiros em nós mesmos, quando abraçamos a vida em seu fluxo natural, espalhamos harmonia. A felicidade que floresce em nós ecoa ao redor, e, de repente, o mundo parece mais sereno, mais inteiro, mais verdadeiro.
Passamos a existência pedindo mudanças,
como quem conversa com o invisível,
e nem percebemos que elas já acontecem no ritmo próprio do universo,
discretas, quase imperceptíveis.
Quando o que desejamos finalmente se aproxima,
o mundo nos devolve a pergunta essencial:
estamos preparados para aquilo que dizíamos querer?
Pois o sonho, quando não encontra espaço em nós,
passa como uma brisa que não sabemos segurar.
Assim, aprendemos que preparar-se é tão vital quanto desejar.
O que chega até nós só se torna nosso
quando encontramos um lugar interno para acolhê-lo.
A mudança não é um evento distante —
é um processo contínuo, já em curso,
uma corrente da qual fazemos parte.
Somos fragmentos do mesmo princípio criador,
onde o pensamento se torna semente
e o desejo, possibilidade.
O Silêncio como Morada do Ser
Oh, o silêncio…
Não apenas a ausência de sons,
mas a presença plena do que é essencial.
Quando tudo ao redor se cala,
o ser humano reencontra a si mesmo —
e compreende que a quietude
não é um vazio, mas uma forma mais alta de existência.
No silêncio, a consciência se expande.
Ali descobrimos que a paz não é algo a ser alcançado,
mas algo que sempre esteve disponível,
embora oculto sob o peso do barulho e da pressa.
O silêncio nos devolve o centro,
recoloca cada pensamento em seu devido lugar
e revela a profundidade que o cotidiano tenta encobrir.
O tempo, nesse espaço silencioso,
mostra-se não como inimigo,
mas como mestre da revelação.
Ele nos ensina que só existe um instante real: o agora.
E é somente nele que podemos agir, compreender e transformar.
É por meio do tempo
que a sabedoria se desdobra lentamente,
quase imperceptível,
como uma chama que cresce sem alarde.
Essa sabedoria — a mais elevada das virtudes humanas —
não se adquire por excesso de palavras,
mas pela escuta atenta do próprio ser.
E, quando finalmente silenciamos,
percebemos que há em nós
algo que não é afetado pelo tumulto do mundo:
uma centelha do divino,
uma presença íntima e eterna
que só se revela a quem tem coragem de ouvir o próprio silêncio.
