Coleção pessoal de vinicius_dionizio
E, olhando para ti,
Canto a minha canção melódica
Que outrora fora lágrimas
De um aguerrido espírito
Confiante de que te encontraria
Novamente nessa jornada maluca
Que chamamos de vida - Mas
incerto de que fazia jus a tal -
Canto a ti, minha musa
A melodia que ouvido nenhum
É capaz de decifrar
Não digo que seja de tal modo
Sinfônico ou doce
Mas, certo de que fi-lo por ti,
Afirmo-te: há amor, há meu coração
A ti me entrego, sem medo
Foste aquela que me recebeu com alento
És aquela com quem desejo investir minhas risadas despretensiosas
Por isso, canto a ti
Que, antes de tudo, não me abondonaste
Canto fervorosamente
Deixando transparecer a mais profunda vibração da minha alma junto à tua…
Não te apavores, filho. Escuta-me:
Não busques diminuir-te os desafios:
Reservei-os-te, sei que estás apto a cumpri-los;
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo amordace-te os planos,
Mesmo que o astro rei se esconda e se eleve a tempestade;
Ainda há chamas em teu espírito,
Ainda há vida em teu subconsciente,
Porque a cada momento renovam-se as chances de reniciar-se,
Porque este é o melhor momento: agora!
Porque não estás só.
Os erros cometidos no passado perpassam a história para além da dor de tê-los vivenciado. É preciso levá-los consigo, ainda que aversa a isso seja a consciência de que se caminha sobre pedras pontiagudas que perduram no coração à medida que decidimos prosseguir e que, por conseguinte, fere-nos os sentimentos. O amadurecimento não deve, pois, ater-se à tentativa de extirpar o passado da essência com que nos imbuímos enquanto tomávamos decisões que modelariam o nosso rumo; afinal não se utilizam também os tijolos mal cozidos para erguerem-se impérios? constituem a consciência tanto o conhecimento obtido naturalmente através dos anos de sua trajetória quanto aquele forjado na angústia do caos. Assim, é certo que a trajetória da vida há de nos fazer titubear e cair em um dado momento, mas a força com que nos levantamos e a prudência e autoconhecimento que adotamos após a queda agregarão razão à dor — uma vez conhecida a tormenta, luta-se para evitá-la. O lamento é inevitável, mas deve ser mediado pela vontade de prosseguir, de não tornar ao ponto de impotência. Eis o constituinte basilar do enfrentamento de desafios: a consciência de si próprio, ainda que através do sofrimento.
Demanda tempo alcançar o que se tem de mais valioso debaixo do céu, terreno dos que jazem no plácido adormecer das angústias suplantadas pelo Amor primeiro. Talvez se pense em algo para além do ordinário: bobagem! Fiz morada em teu coração e desde então enxergo o paraíso diante dos teus olhos… há, pergunto-me, bem mais valioso?
Quem me dera poder voltar no tempo.
Te traria do presente as rosas que no passado plantei. Viria o futuro com outros olhos: quem me dera voltar…
Voltar aonde meu sorriso e o teu eram tão mais simples. Aonde não havia nada além de conversas juvenis. Quem me dera tê-las de volta. Agora, estamos crescidos. Arde em mim o intrépido desejo: tempo.
Quem me dera tê-lo, para assim retroceder. Corre – e corre impiedosamente — das marcas da memória que guardo comigo. Cuido-me para não ficar para trás, rejuvelheço nossa timidez. Ah… como era arrepiante sentir o frio na barriga ao te olhar. Era o princípio dessa história toda que construímos, não vê?
Quem tempo me dera?
Precisamos, eu e você, do tempo de amar como nunca e viver para sempre.
Pai, concede-me sabedoria para melhor gerenciar minha vida.
Ilumina-me, ó Pai, com a luz que afasta as trevas. Assim, não serei um andarilho em busca de respostas que não se encontram com tanta facilidade: apenas diante de Ti, de joelhos, posso lançar-me a alma e esperar que meu espírito seja recolhido em tua Divina Misericórdia. Conforta-me, Pai. Por onde quer que ande, que Tuas Palavras norteiem minha trajetória, que meu itinerário siga Teus ensinamentos. Renova-me, Senhor, põe em mim nova armadura, faz-me guerreiro novamente. Que ante as batalhas meu corpo não recue e minha mente não se subverta. Creio em Ti, espero em Ti - somente em Ti.
Nos momentos difíceis, a vida parece reduzir-se ao peso do agora. O futuro perde nitidez, o passado cobra explicações, e o presente se impõe como um teste silencioso. Sim, o tempo difícil, para além das angústias, ensina-nos a majestosa arte de silenciar… Ele nos afasta do excesso, do ruído, das ilusões de controle. Aos poucos, revela o que é essencial: caráter, constância e coragem discreta. Não a coragem épica dos aplausos, mas a coragem cotidiana de continuar — um dia de cada vez.
Há quem não se pergunte o motivo pelo qual suas pernas não assumem as funções de seus braços. Há quem o faça – pasmem, um completo acrobata. Há quem veja sua vida à espreita de uma janela empoeirada, coberta de passado e carente de futuro. Há quem viva intensa e sabiamente – pasmem, este último encontrou da vida o sentido. Há quem nade por águas profundas e se afogue em banheiras quentes de seus próprios confortos. Há quem, por não ter experiência alguma com água, sinta-se aflito frente à imensidão azul. Há, também, quem sonhe profundamente enquanto viaja no ônibus das seis da manhã enquanto vai ao trabalho. Mas há quem durma horas a fio sem nunca ter passado por experiências oníricas de cavalos com asas. Este último, sente medo da imensidão de si próprio, vive à margem de suas aspirações e não se lança aos questionamentos que o engrandeceriam se de outro modo vivesse. Assuma, desde cedo, o entendimento de si próprio, acredite-se, enxergue-se, viva-se.
