Coleção pessoal de valeriafarialeao

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⁠ENGANOS

A gente se engana!
Com amigos e amores,
com expectativas e promessas
Com afetos que julgávamos garantidos.

A gente se engana!
A decepção bate à porta.
A realidade se impõe.
A lucidez nos deixa em alerta.

A gente se engana!
Frustrações nos amadurece.
Desilusões nos fortalece.
Despedidas, necessárias, nos entristece.

A gente se engana!
De que nos servem os enganos?Deixamos as ilusões de lado.
Entre perdas e ganhos nos curamos.

A gente se engana!

Valéria R. F. Leão

⁠

AMIGO IRMÃO

Todo mundo tem o amigo do momento.
Todo mundo teve amigos de ocasião.
Todo muito já teve um amigo por uma estação, seja ela inverno ou verão.

Tem amizades que ficam.
Tem amizades que passam.
Tem amizades que deixam marcas no coração.
Tem amizades que são na verdade graça divina, bênçãos sem explicação.

Amigos de momento e de ocasião.
Amigos de toda e qualquer estação.
Amigos "raiz" que se fixam no nosso chão.
Amigos flocos de neve, que se derretem diante da primeira provação.

Amigos de fé.
Amigos sem religião.
Amigos de direita,
centro ou esquerda.
Amigos que respeitam a nossa opinião.

Amigo não tem cor, raça, gênero,
ideologia ou religião.
Amizade é respeito mútuo.
Amizade é um querer bem sem definição.
Dentre todos os amigos, alguns deles se tornam irmãos.

Valéria R. F. Leão

RACISMO NÃO

Ela pode ser passista,
jornalista, cientista, ministra.
Mulher negra, decidida,
pode ser o que quiser.

Ele pode ser atleta,
poeta, astronauta, desembargador.
Homem negro, destemido,
pode chegar onde quiser.

Eles podem escolher qualquer caminho, seja ele, o caminho que for.
Sabem, bem, por experiência,
não há caminhada sem dor.

Ambos sabem que vivem a triste realidade de um mundo absurdo
que separa as pessoas
pelo seu gênero e cor.

Ambos sabem que suas escolhas enfrentarão barreiras invisíveis, disfarçadas, dissimuladas ou não.
Barreiras de segregação.

Barreiras, por vezes, escancaradas
que envergonham os cidadãos
de bem de uma nação.
Herança de um período cruel
em que irmão escravizou irmão.

Discriminação racial, social, cultural.
Discriminação ancestral.
Racismo estrutural.
Enraizado em mentes estúpidas
Continua semeando o mal

Mesmo que não seja esse,
exatamente, o meu "lugar de fala"
deixo aqui e agora
a minha posição.
Racismo não!

Valéria R. F. Leão

⁠
DIVAGAÇÕES

Dentro da noite,

aparentemente calma,

a inquietude ronda a alma.

Pensamentos, lembranças.

Ausências, vazios.

A porta da saudade escancarada.

O aroma da flor da "dama da noite"

acionando o gatilho da memória.

Retorno à fazenda da infância.

Devaneios de uma noite de primavera.

A imaginação rompendo as fronteiras.

O pensamento vagando pelo passado.

Tempo, dimensão,

pragmatismo, divagações.

A urgência da vida,

dos dias, dos meses,

entre chegadas e despedidas,

impondo o seu preço.

No silêncio,

resta a certeza de que nada foi em vão.

O atraso, o sonho desfeito.

O silêncio, o inesperado, a reflexão.

Valéria R. F. Leão

⁠UM TRAGO DE POESIA

Mesmo que seja difícil encontrar inspiração nesses dias repletos de agonia, na ausência de gestos de fidalguia, o poeta busca a paz na poesia e nela se refugia.

Há de existir um lugar onde se possa tomar um trago dr poesia, de utopia, de alegria. Há de existir esse lugar.

Valéria R. F. Leão

⁠
AGOSTOS


Ano após ano
A gente vai vivendo os agôstos
Na esperança de que os setembros
Nos tragam novos ares
E levem para algum lugar distante
A melancolia que nos sonda
Em cada entardecer sufocante
Dos dias de sêca

Ano após anos
A gente vai sobrevivendo
Carregando no olhar
As marcas daquelas tardes
E, em um de repente,
A gente estanca
Pode ser que exista mais passado
do que futuro a ser vivido
Nesse momento percebemos
Que é urgente afastar a melancolia
Para viver cada agôsto em sua plenitude

VALÉRIA R F LEÃO

⁠Rima pobre.
Rima rica.
Toda rima tem seu valor.
Se duvidas dessa verdade,
pergunte a um poeta trovador

⁠É O QUE DIZEM
Valéria Leão

Dizem por aí
que eu tenho uma alma antiga
que bebe vinho, dança bolero
e acha graça na vida.

Dizem por aí
que eu abro a porta para a
poesia, que acolho seu pranto,
que compreendo os seus mais
íntimos ruídos.

Dizem por aí
que essa minha aparente
leveza de ser
nasce da conclusão
de que não se pode ter tudo
e, portanto, só nos resta viver
com o que se tem.

Dizem por aí
que esse meu inesperado
encontro com a poesia
é o resultado de uma
confusão de afetos
que, como as estrelas,
se chocam e se estabilizam.

É o que dizem por aí!