Coleção pessoal de UbirajaraAlmeida

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*Quando meu coração parar*


Não quero silêncio ou fim,
quero que o vento leve meu nome como quem espalha jardim.


Que as lembranças virem estrelas no céu de quem me amou, e cada abraço guardado seja prova do que ficou.


Quando meu coração parar,
que não parem meus versos também, pois quem ama deixa ecos vivendo no peito de alguém.


E se a saudade chegar mansa, feito chuva no entardecer, olhe para o céu sem medo — há amores que não sabem morrer.

“Nasci”


Nasci do encontro
entre sonhos e tempestades,
com os pés descalços no mundo e o coração cheio de vontades.


Nasci sem saber caminhos,
mas com coragem de andar,
aprendendo que até as quedas também ensinam a voar.


Nasci para sentir o tempo,
para rir, chorar e crescer,
porque a vida escreve poesia
em cada jeito de viver.


E mesmo quando a noite pesa
e a esperança parece partir,
carrego dentro do peito
a força bonita de existir.

*“Uma flor no jardim chamado céu”*


És tu, delicada como o amanhecer que toca devagar as janelas da alma.


No infinito jardim chamado céu, florescer, entre estrelas silenciosas, como quem nasceu do próprio brilho da lua e aprendeu com o vento a amar.


Teu olhar tem perfume de primavera, teu sorriso acalma tempestades, e quando tua voz encontra a minha, o mundo inteiro parece caber
num simples instante de paz.


Se o céu cultiva as mais belas flores, foi porque sonhou contigo primeiro.


E eu, mero viajante do amor,
te admiro em silêncio,
como quem contempla
a mais rara flor no jardim eterno do universo.

Tesouro Escondido.



Há um tesouro escondido
que o mundo não pode comprar,
não cabe em cofres de ouro
nem se pode roubar.


Ele vive no silêncio
de um coração verdadeiro,
na mão que ajuda o cansado,
no abraço ao estrangeiro.


É feito de fé e coragem,
de esperança ao amanhecer,
de quem planta bondade
mesmo sem nada receber.


É a verdade que liberta,
a justiça que traz paz,
o perdão que cura feridas
e o amor que se refaz.


Muitos buscam riquezas
para enfim se completar,
mas o maior dos tesouros
está em aprender a amar.


Pois quem guarda a humildade
e caminha em gratidão
leva um brilho escondido
acendido no coração.


E ainda que venham tempestades
ou caminhos de solidão,
quem carrega esses valores
nunca anda sem direção.


Porque o tesouro de Deus
não se mede pelo olhar:
é eterno, puro e vivo,
pronto para transformar.

*“Dúvida”*


Dúvida, minha dúvida,
por que você insiste em morar entre o que sinto
e o que tento esconder?


Você chega silenciosa,
bagunçando certezas
que eu jurava eternas.
Mas, às vezes,
minha dúvida inclui certezas.


A certeza do teu sorriso
invadindo meus pensamentos
nas horas mais distraídas.
A certeza do vazio
quando você demora a aparecer.


A certeza de que meu coração te reconhece
mesmo quando minha razão
finge não saber teu nome.


Talvez amar seja isso:
um encontro estranho
entre medo e esperança,
entre partir e permanecer


Porque existem sentimentos
que não sabem explicar a si mesmos, mas ainda assim…
têm absoluta certeza de existir.

*“No Inverno, Café e Você”*

O inverno chegou devagar,
vestindo a cidade de silêncio
e as janelas de saudade.

Lá fora, o vento desenhava frio nas ruas, mas aqui dentro
existia você.

O café fumegava entre nossas mãos, como um pequeno sol tentando aquecer o mundo.

E eu observava teus olhos
com a mesma calma
de quem encontra abrigo
num fim de tarde chuvoso.

Você sorria baixo,
enquanto o aroma do café
misturava memória e desejo
no mesmo instante.

Há amores que queimam como incêndio.
O nosso não.

O nosso aquece devagar,
como coberta em noite gelada, como música antiga tocando ao fundo, como dois corações aprendendo a morar no mesmo inverno.

E desde então,
toda vez que o frio retorna,
o café perde um pouco do gosto… se você não está aqui.

"Dança comigo"


Dança comigo como quem encontra abrigo no silêncio entre uma música e outra.


Vem sem medo, deixa o mundo lá fora e pisa leve dentro do meu peito.


Dança comigo
até o relógio esquecer das horas, até a lua cansar de nos olhar pela janela da
madrugada.


Segura minha mão
como se fosse possível
não cair nunca mais.
E se a vida desafinar,
a gente inventa outro ritmo,
outro passo, outra canção.


Só não solta de mim
quando o som diminuir.
Porque há amores
que começam com palavras,
mas existem os mais bonitos… que começam dançando.

O púlpito das praças é a olaria do pregador.

O meu maior sonho, minha maior alegria e realização será quando eu encontrar pessoalmente Cristo. Então direi: valeu a pena viver.

Somos tendenciosos a criar muros para nos proteger de coisas ou de algo, em vez de gastarmos tempo construindo pontes. Precisamos melhorar a nossa visão e enxergar que, diante de nós, existem possibilidades de encontrarmos do outro lado coisas que os muros nos vedaram de ver.

É tempo de construir pontes que nos motivarão a chegarmos do outro lado e descobrir coisas novas.

Não permita que seu coração adoeça por lembranças do passado que causaram feridas dolorosas. A cura pode ser até lenta e deixar cicatrizes, mas o fato de você estar vivo(a) demonstra que é forte o suficiente para vencer guerras que ainda virão.

Às vezes, o medo de caminhar em busca de seus sonhos faz com que você perca de ver as rosas enquanto observa os espinhos.

Aquele Dia.


Tem dias em que o medo nos visita.
Tem dias em que a música se acaba.
Tem dias em que o silêncio reside na alma. Tem dias em que a dor é intensa.


Tem dias em que o forte enfraquece.
Tem dias em que queremos a morte.
Tem dias em que o grito não sai da garganta.


Tem dias em que amigos faltam e o passeio é cancelado.
Tem dias em que até o café é amargo faltando o adoçante.
Tem dias em que o que mais queremos é um abraço e não surge ninguém.


Tem dias em que somos maltrapilhos, sem roupas, sem brilho, sem cheiro, sem rumo. Tem dias em que o sol fica de bronze e as estrelas demoram a acender.
Tem dias em que a carta nunca chega e eu continuo a escrever versos.


Tem dias em que eu queria ser você e você jamais me vê.
Tem dias em que o divã fica vazio e as palavras são neutras no corredor do dilema.
Tem dias em que sair e caminhar é um tédio e cantar canções é fel.
Tem dias em que sou eu e outros em que não sou ninguém. Tem dias...

Em que direção estão os teus olhos?
- Gn 13.9-13


Abraão disse ao seu sobrinho Ló: escolha em que direção queres ir. Se fores à esquerda, eu irei à direita; se fores à direita, eu irei à esquerda.


O que tem levado você a escolher mal?


A visão de Ló te levará a ver o que seus olhos físicos querem ver, e isso é bem aceito por aqueles que amam esta vida: as vitrines, os elogios, os aplausos, o requinte, a fama e o desejo de levar você a escolher mal.


A visão de Deus em nós nos faz enxergar algo que os nossos olhos humanos não veem.


Observe que Abraão não está torcendo para Ló escolher errado, mas Abraão está focado no que Deus tinha dito a ele lá atrás: "eu te darei". Escolhas erradas geram consequências desastrosas.


Quando for escolher entre ir ou ficar, entrar ou sair, fazer ou não fazer, ter ou não ter, busque em Deus a direção certa.


Às vezes, o que você está vendo como oportunidade, Deus vê como cilada, e aquilo que você negou ou rejeitou pode ser um divisor de águas. Por isso, Paulo disse: "Não julgo ter alcançado nada, mas uma coisa faço..." (Fp 3.13). Reflita sobre o que os teus olhos estão vendo!

Na dúvida, o silêncio será o teu melhor amigo.

Seja alguém que, ao ser admirado, reconheça que precisa melhorar. A humildade sempre está em construção, porque é excelente.

Por trás das cortinas


É lá que mora o medo,
A distração,
O fracasso,
As falhas.
Por trás das cortinas
Mora um coração ferido,
Uma alma amargurada,
Um silêncio demorado.


Por trás das cortinas,
As máscaras caem, o choro vem. O sorriso some, e vem a dor.
Por trás das cortinas
Nascem as lágrimas,
Nascem as poesias tristes,


E é por trás dessas cortinas
Que está você, frustrada e com medo de ser.
Dores penetrantes, a vida irritando por causa da ausência de ser retribuída logo; o tempo passa e as cortinas estão lá, escondendo a pobre menina chorona, de sorrisos encantadores, mas que sangra no coração.


Saia logo e veja a verdadeira plateia que espera por você, sem máscara, sem choro, sem artes, sem maquiagem, apenas você e você mesma!


Você é forte e jamais diga que não! Afinal, no palco, a artista é você e o público aguarda!

Entre versos e canções, eu prefiro poesias.

Entre ter e perder, eu prefiro ganhar.

Entre pensar e agir, eu prefiro escolher.

Entre você e a sua dúvida, eu prefiro suas certezas.

Entre avançar e recuar, eu prefiro seguir, caminhando sem medo, sem receios, sem procrastinar.

Entre o jardim e a floresta, eu prefiro o bosque.

Entre a paixão e o momento, eu prefiro o amor.

Entre o chá da tarde e o café matutino, eu prefiro o vinho da manhã de inverno.

Entre as cortinas do passado e o palco do presente, eu prefiro caminhar à beira da praia.

Entre olhares e perspectivas, eu prefiro alcançar.

Entre a rua larga e calçadas vermelhas, eu prefiro a areia marcando os meus passos.

Entre a reflexão e a frase do filósofo, eu prefiro a poesia lírica ou até mesmo sem versos.

Entre admirar e querer, eu prefiro conquistar.

Por fim, entre o silêncio da sua resposta, eu prefiro o grito de suas palavras.

Simples, eu prefiro...

By Ubirajara Almeida

Era apenas um bilhete.

Noite fria, e o choro não cessava. Medo! Reflexão me apavora. Calma, é apenas minha alma se mexendo na cama da tempestade.

Maltrapilho e esquecido!
Abandonado e desconfiado!
E nas andanças da vida, percebo a dúvida ao meu lado. Incansável e insistente, ela querendo saber mais das minhas Procrastinação.

Sombria e demorada.
Presa em castelos de papel timbrado. Ouso em dizer, são versos, são letras de um coração pensativo em meio as trevas da dúvida.

Quero, mas não posso!
Desejo, mas não compartilho!
Sinto, mas não permito avançar! Amo, mas dúvido desse amor! Investigada minh'alma, magoada por ter escolhido eu. Paradoxol me apavora, mas como tentar explicar a Carência e a solidão se não forem versos em caixão. Não me refiro a morte, mas o luto que inflamar ela.
Quero. Quero tanto!
Quero. Mas querer o quê
Quero ser feliz, amado, lembrado e admirado. Não pelas virtudes que insisti em não me querer, mas pelo simples fato de ser lembrado. E em meio a objetos duradouros. Estou eu, de vidro e porcelano. Aguardando a realidade me visitar.

Cicatrizes não doem. Apenas nos fazem lembrar que doeu muito.