Coleção pessoal de TiagoScheimann

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A noite é minha casa, nela os relógios param de mentir.

A saudade é um animal faminto que nunca se sacia.

O mundo me deu portas, todas trancadas por dentro.

Mesmo cansado, o coração inventa novas formas de acreditar.

Navego por memórias como quem planta faróis no nevoeiro.

Há uma força tênue em continuar, mesmo sem mapas.

Quando a dor fala alto, respondo com gestos de ternura.

O ontem ensinou prudência, o amanhã pede ousadia.

Às vezes basta um passo tímido para desatar grandes nós.

A esperança cresce em silêncio, regada por atos que não se veem.

Não prometo não cair, prometo levantar com mais cuidado.

Não fujo das minhas sombras, acendo uma vela para elas.

O passado é professor severo, mas pude aprender a me perdoar.

Entre o pranto e o riso, encontrei o caminho que prefiro caminhar.

A escuridão revelou onde ainda há espaço para luz.

Cada cicatriz conta uma história que ainda pode surpreender.

A esperança não cala a dor; a acompanha até o fim da trilha.

Em meio ao caos, uma palavra gentil é capaz de restaurar o que o mundo quis dissolver.

Aprendi a colher paz nas pequenas rotinas do dia.

Muitas vezes, me sinto afogado em minhas próprias mágoas, como se cada lembrança fosse uma âncora disfarçada de suspiro, e o silêncio, um oceano que me acolhe e me consome. Não há remos, nem pressa, apenas o flutuar das horas e o cansaço manso de quem já se acostumou à tempestade. Talvez esse seja meu fim, ou apenas um recomeço em outra maré, onde a dor aprende a repousar, e eu, enfim, aprendo a respirar dentro do que me afoga.