Coleção pessoal de TiagoScheimann
Os medos que herdei não me pertencem totalmente. Vim com malas que não escolhi carregar. Então paro, abro os zíperes e devolvo o que não é meu. Às vezes alguém pega e leva, outras fica no caminho. Libertar-se é tarefa de desapego e coragem pequena.
A verdade última não é um castelo, é uma cabana de madeira. Não quer imponência, quer abrigo. Quem a busca com diploma encontra apenas pedra e pó. Quem a busca com fome encontra lenha e fogo. E ali, no calor simples, a alma aprende seu ofício.
A música que salva é a que escorre pelas veias do abraço. Não aquela que se anuncia em rádios, mas a que nasce na intimidade. Um acorde sustenta mais que qualquer plano de fuga. E se a memória falha, a canção lembra por nós. Por isso canto baixinho para as partes minhas que ainda tremem.
Sofrer também é profissão, exige horário e rotina. Mas recusarei o posto se ele me impedir de amar de novo. Aprendi a cobrar o pagamento: tempo, presença, silêncio. Sem esses três, a dor vira expediente perpétuo. E eu não nasci para transformar tristeza em carreira.
Ser sensível não é fraqueza, é habilidade de sentir o mundo além da superfície, é perceber dores escondidas e amores silenciosos, é ser intensidade pura em um corpo limitado,
e isso, por si só, é superpoder.
A força que carrego não nasceu pronta, foi construída em cicatrizes profundas, cada golpe que recebi virou degrau, e hoje subo alto, porque subi ferido, a dor foi minha escada.
Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.
A dor me fez poeta, e a fé me fez inteiro, entre as duas encontrei equilíbrio, e nesse equilíbrio encontrei propósito, meu destino nasce da junção dos meus extremos.
O amor que busco não é fantasia, é verdade, é reciprocidade, é construção diária, não quero metades que se escondem no cansaço, quero presenças que ficam, mesmo na tempestade, o amor verdadeiro sabe permanecer.
Meu peito já foi terreno árido, mas hoje floresço até onde não existe água, descobri que algumas forças só nascem do nada, e que sobrevivência também é uma arte divina, eu sou prova viva disso.
A vida me ensinou a ser seletivo, não dou meu coração a quem não sabe segurar, minha alma não é brinquedo, ela é templo, é história, é renascimento, e merece mãos que saibam cuidar.
O silêncio já foi prisão, depois virou abrigo, e agora é meu templo particular, é nele que converso comigo, é nele que Deus me responde, silenciar é sagrado.
Já perdi guerras internas que ninguém viu, mas também venci batalhas que nem eu acreditava, sou feito de quedas e vitórias, e cada uma delas construiu minha essência, sou sobrevivente de mim mesmo.
A vida me moldou com martelos invisíveis, e cada pancada foi lição disfarçada, não guardo rancor, guardo sabedoria, quem atravessa tempestades vira abrigo, hoje abrigo quem amo com firmeza.
Há dores que parecem eternas, mas nenhuma supera um coração que insiste, eu insisto todos os dias em viver, mesmo quando viver dói demais, e é nessa insistência que encontro milagre.
A fé não me prometeu facilidade, me prometeu companhia, e isso é suficiente para continuar, o caminho ainda é duro, mas nunca é solitário, caminho com Deus e isso muda tudo.
Não sou feito de calmaria, sou feito de vulcões adormecidos e mares inquietos, mas aprendi a domar minhas próprias marés, e hoje navego sem medo do que existe dentro de mim, autodomínio é minha maior conquista.
A saudade tem cheiro, tem peso, tem pulso, ela me abraça quando menos espero, e me faz lembrar que sentir é humano, só não deixo que ela me afogue, eu respiro fundo e sigo carregando memórias.
Perdi versões de mim que eu nunca recuperarei, e agradeço por isso, eram versões fracas, hoje caminho com mais precisão, sei onde piso e por que piso, minha vida finalmente tem direção.
A maturidade chegou cedo demais, mas chegou firme, ela me ensinou a calar diante do desnecessário, a falar somente o que carrega verdade, e a amar só quem sabe amar de volta, a paz vale mais que qualquer orgulho.
