Coleção pessoal de suzana_travassos_valdez
Ainda há médicos heróis! Este, teve a audácia de ser luz onde outros viam sombra, e a resiliência de permanecer quando o mundo escolheu partir e deixar o edifício abandonado.
O tempo aparentava ter-se partido em silêncio, e eu parecia caminhar nos seus intervalos, passo a passo, pedra a pedra.
As sensações que viajam comigo, na mochila às costas, cheia de mim, essas eram pertença minha e ninguém as podia roubar.
Quando o coração se expressa, esculpe-se sempre algo de sacro, e, desse modo, toca-nos a alma, independentemente de outras razões inválidas para a Arte.
Um véu de seda dourada abria-se naquele céu até então adormecido, à excepção dos tímidos e muito lestos raios de sol enganosos.
Agilizei o sorriso, ainda que este não alcançasse o riso, com receio que o choro se cumprisse em mim.
Um som leve, quase inaudível, como se alguém tivesse suspirado no exacto ritmo da minha respiração, atravessou-me.
Poeta algum, mesmo que deposto na guerra da vida, será jamais derrotado pelo mais arguto crítico, pois só um detém a veracidade da Arte e de si próprio.
Aquela rua, no silêncio adormecido de um corredor sem fim, onde cada passo ecoava no escuro, fazia-se rasgo memorial.
Talvez dessa forma, conseguisse envolver a noite que avançava, com condição de estação florida, aquém e além, do meu olhar de ser despojado.
Encaixotarmo-nos ou não, numa idade que a mente pensante desconhece, derivará sempre dessa bússola da quimera, sem medo de nós perdermos no mar da incerteza, de não termos idade.
