Coleção pessoal de SuelenCardosoFranca
Uma chuva que pede sono também pede edredom.
Uma chuva com muitos pingos tem seu próprio som.
Já o chuvisco é mansinho, bate de levezinho feito versinho.
No céu, muita água parada é sinal de chuva agitada ou chuvarada.
Época de inverno tem mais chuva a temer do que sol aquecer.
Durante a noite não dá pra ouvir, e durante o dia eu só quero dormir.
A chuva me lembra dia de café quente e bolinho.
Dia de chuva é dia de denguinho, carinho.
Hoje tem chuva, tem sono, tem edredom literalmente, mas antes, tem chocolate quente.
Sei lá!
Esta noite sonhei contigo acordada e fui até de madrugada.
Pensando que seria mais fácil estar assim, fiquei até o sol surgir.
Sei lá!
Se estiver tentando me ver, saiba que não irei te atender.
Meu dia começou cambalear quando decidi estar pra lá de Bagdá.
Pra começar, hoje não é dia de pentear os cabelos nem dar água aos camelos.
Hoje não é dia de sair de casa, e sim, de ficar no sofá e declarar dia de "sei lá".
Amanhã, quem sabe, estarei na lojinha de café, e se estiveres a fim, não perca a fé.
Lembrei que é teu aniversário, mas o presente eu esqueci, o que é hilário.
Como hoje é dia de "não sei", fico tentada em te visitar, mesmo assim, sei que devo hesitar.
Se eu soubesse que teria um dia ruim, não teria ido pra cama, nem criaria todo este drama.
Mas, não me estresso porque tinha que acontecer, e pra variar, ficarei assim até anoitecer.
Sei lá eu!
Só queria ter você agora pra mandar toda a tristeza embora.
Será que vale a pena desembaraçar todo este dilema?
Pena que sei lá.
Minha mente está exausta e minhas mãos tremem.
Andaram brigando entre si.
Pedem paz e não querem mais remar.
Elas têm razão, pois só tenho navegado pelo oceano literário.
Queria te beijar sem culpa.
Queria te tocar sem culpa.
Queria acordar amanhã e te dar bom dia sem culpa.
Queria que seu cheiro se infiltrasse no meu corpo até me deixar anestesiada.
Queria te degustar em segredos.
Queria que fôssemos cúmplices nisso.
Queria te ter e ficar quieta.
Queria sorrir com olhos sem ninguém ver.
Queria desperdiçar meu tempo te desejando.
Queria lutar pra continuar te tendo.
Queria não ter empecilhos entre nós.
Ah, que delicia de chocolate!
Chá de ócio
Eu estou inútil.
A cada hora que passa torna meu dia inútil.
Chego a conclusão que a semana passou e não fiz coisa alguma.
Hoje é domingo à beira de mais uma semana na qual não acresci nada.
Da cama pro sofá, meu corpo vai se esvaindo.
Da TV ao celular minha mente cansou de ser ela.
Meus pensamentos se acumulam e se repetem.
Estou com fome das coisas que não tenho.
O vizinho recebe visitas e o breu me acompanha.
O sol já veio, a chuva e o vento também.
Descobri que os ponteiros do relógio estavam com preguiça.
Desliguei tudo e fui dormir e quando acordei ainda estava claro.
A noite não chega, a fome não passa, a visita ainda não foi embora.
Decido-me tomar banho pra tirar a lerdeza.
Voltei pro sofá e o sono e o ócio conversaram-se.
A noite chega e me conta como eu me saí.
Fico feliz por sentir que a segunda está mais próxima.
Ah não! Me dei conta que mudou o horário, agora eu tenho mais uma hora morosa.
O cheiro do churrasco veio me dar olá e a minha barriga cutucou-me.
Devo ir à cozinha, mas não sei o que preparar.
Puxa! Esqueci-me de lavar roupas, ir na casa da fulana, ir ao shopping pagar uma conta.
Agora é tarde e eu não tenho mais tempo.
Mas a culpa é da preguiça e não minha.
Que dia inútil!
A chuva se cala quando o sol pede passagem.
Assim, é a vida diante da morte.
Ela simplesmente se cala.
Perdi minha cabeça em algum lugar, e se alguém a ver não me entregues, pois, já perdi as contas de quantas dores ela me trouxe.
Márcia Cláudia
Nascida na família Ribeiro, de sangue nobre ela veio.
Menina de nome composto, que para músicas tem seu próprio gosto.
Uma pessoa que trouxe consigo um alto astral, onde na hora da briga ela mata a cobra e mostra o pau.
Morena tropicana de intensa natureza, uma nortista que não dá moleza.
Conhecida por ser brincalhona, que por ventura é uma simples comilona.
Uma brava gente que gosta do calorzinho, mas Márcia, também adora potinho.
Mãe que já nasceu prendada e uma notória paraense arretada.
Ela é da tapioca, do cupuaçu e da castanha, ela é da terra da façanha.
Pode ser manhã pode ser tarde, da sua terra, ela está sempre com saudade.
No Brasil e em todo lugar, há sempre uma Márcia para alegrar.
Afirmações
Preciso da escuridão para ver, saber ganhar para então perder.
Preciso do silêncio para ouvir e ficar triste para sorrir.
Preciso da paz para guerrear
assim como de acertos para falhar.
Preciso me calar para ser ouvida e levada para ser trazida.
Preciso esquecer para memorizar, mas não dormir para sonhar.
Não preciso do verão pra sentir calor, muito pouco de alguém pra sentir amor.
Não preciso do susto para me assustar e nem do medo para me encorajar.
Não preciso de fuga para fugir, nem de água para emergir.
Não preciso da música para dançar, nem de lágrimas para chorar.
Não preciso de dor para sofrer, nem de vida para morrer.
Amanhã o meu hoje será passado e se nada disso fizer sentido, então, serão só vozes sem pessoas e palavras sem sons.
Uma pessoa se torna especial na vida de outra quando os sentimentos retardam entre si só de ouvi falar o nome.
Tu não é mais tu e o arrepio da pele demonstra a mais pura afeição.
Tua atenção, teu pensamento, teu coração e tudo que é teu não te pertence mais.
Mas, ao te decepcionar, esta pessoa levará embora tudo que te roubou.
Por isso, não devemos entregar tais coisas, nem mesmo de mão beijada.
Quando chegará o dia em que aprenderemos a guardar o que é nosso dentro de nós?
Quando saberemos usar a razão é não a emoção?
Haverá muitas revelações para a Esquerda chamar de "poupe-me dos detalhes", e a Direita jamais agirá com frugalidade no tocante sinismo petista.
Eu não queria, mas fiz!
Dois gumes de uma mesma faca. Dois lados de uma mesma moeda. Duas opções pra uma só escolha. Dois planos duvidosos e astutos.
Uma carga de vida
De Janeiro a Janeiro sigo em frente o ano inteiro.
Meu caminhão é a minha sina, e o ronco do motor inaugura a matina.
Da boleia vejo a estrada, sinto na pele uma longa caminhada.
Faça frio ou faça calor, venero minha profissão com muito amor.
A provisão do país sob meus cuidados, agradeço por ter sido enviado.
A cada cidade que atravesso é um momento a mais de sucesso.
Apesar do sono que tenho que vencer, muitas vezes, a fome tenho que esquecer.
Nosso dia não acaba tão cedo e a dedicação que tenho é o meu segredo.
No retrovisor deixo meus entes queridos e à frente encontro meus velhos amigos.
Com uma boa música no rádio quero ouvir, a brisa que sopra da janela quero sentir.
A saudade fica em cada esquina, mas a aventura de viajar me fascina.
Digo por mim que é um trabalho do qual me orgulho, por ventura, somos homenageados no mês de Julho.
Viajante desta terra eu serei, pela minha vida ao meu Deus agradecerei.
Seja Janeiro, Fevereiro, Março ou Abril, estarei sempre à disposição deste meu grande Brasil.
