Coleção pessoal de sirmario_honorario
Os Contos Morféticos de Sir Mário Honorário:
I. O Enigma de Lan House: A Queda do Chup's:
Nas penumbras dos monitores de tubo, entre o estalar de teclados e o cheiro de eletrônicos aquecidos, ecoava um nome que era quase um mito: o Chup's. Por muito tempo, Sir Mário Honorário, em sua postura de observador silencioso, ouvia o apelido flutuar pelo ar como uma piada interna da qual ele não possuía a chave. Até o dia da revelação. Um jovem, tomado por uma súbita indignação, levantou-se das cadeirinhas e bradou aos quatro ventos: "Que Chup's o quê, cara? Da onde vocês tiraram que eu sou o Chup's?".
Mal sabia ele que, ao contestar a alcunha, assinava sua própria sentença social. O apelido não era apenas uma galhofa; escondia hábitos peculiares nos sanitários do estabelecimento e uma índole duvidosa. O destino do Chup's foi selado quando a mão leve atingiu a própria casa do dono da Lan House. Entre a má fama e o temor de uma "soca" coletiva que pairava no ar, o Chup's desapareceu no éter, deixando para trás apenas o eco de suas insistências e a risada contida de Sir Mário.
II. O Estúdio de Rock e a Teoria Científica de Schei:
O cenário mudou para as portas de um estúdio de ensaio, onde o som das guitarras distorcidas compunha o pano de fundo para a figura de Schei. Com seu jeito de criança eterna e um raciocínio que parecia saltar de uma dimensão paralela, Schei era um desafio à lógica. Sir Mário, envolto em seu inseparável sobretudo preto longo, assistia à cena: Schei, diante da proprietária do estúdio e de sua respeitável progenitora, resolveu compartilhar um "conhecimento científico" adquirido na TV.
Em plenos pulmões e sem qualquer filtro, ela discorreu sobre as preferências anatômicas das mulheres e como ao ver do especialista que ela ouviu, não teria razão, em dizer que isso influenciaria em suas personalidades propensas à lesbianismo, citando a "rosca" de forma estridente assim;
-Acho que nada tem a ver a mulher se tornar lesbo se desse a rosca!
Enquanto a mãe e a filha faziam o "voto de silêncio" dos constrangidos, olhando para o vazio e fingindo surdez absoluta, Sir Mário permanecia ali, como uma estátua gótica, testemunhando a confissão mais pública e desnecessária da história daquele bairro.
Rindo discretamente.
III. O Muro, a Mata e a Fritura do Italiano:
Nos limites onde a urbanidade encontrava a mata rasa, junto aos muros pichados das malocas, desenrolava-se o drama final. Ali, a Carlota, sempre em um estado de espírito elevado por substâncias duvidosas, tentava tecer diálogos com o Italiano. Este, um homem cuja paciência era mais curta que o pavio de uma dinamite, assistia à "fritura" mental da moça com um desprezo quase palpável.
"Que que era, Carlota? Tá chapada?!", ele disparava, enquanto chispas de ódio pareciam saltar de seus olhos. Carlota, magricela e desconexa, soltava pérolas de nonsense que faziam o Italiano apenas balbuciar: "Pior... pior...", concordando por puro cansaço existencial. Para aquela fauna de doidões, Sir Mário Honorário, imóvel em seu sobretudo sob o sol ou sob a lua, era o verdadeiro louco. Mal sabiam eles que ele era apenas o cronista de um mundo que já tinha perdido o juízo há muito tempo.
