Coleção pessoal de SimoneCarvalhoSantos
Há solidões que nenhum bom dia virtual consola...
Carinho que chega só por tela é silêncio disfarçado de mensagem.
"Presente do Tempo"
Há vinte anos, o tempo fez pausa...
suspirou ao te entregar pra mim.
Veio envolto em luz e esperança...
um amor que não tem mais fim.
Tão pequeno e já tão imenso...
coração de mãe reconhece...
que o mundo inteiro ganha cor
no instante em que a vida acontece.
Cresceram tuas pernas e sonhos...
e em cada passo teu, floresci.
Mesmo quando o vento soprou forte,
foi teu riso que me fez seguir.
Hoje celebro teu existir,
com orgulho bordado na alma...
És meu motivo, minha alvorada,
meu presente, minha calma.
Feliz aniversário, meu filho amado,
que a vida te abrace como eu te abracei.
E que o mundo descubra a beleza
que, há vinte anos, eu já enxerguei.
"Nunca é o Fim"
Ainda me sobram palavras não ditas
e caminhos que não explorei...
Não sou a soma dos meus tropeços...
mas da fé que nunca abandonei.
Os dias me curaram com doçura,
mesmo quando doeram demais...
E entendi que o tempo não julga,
apenas espera que voltemos em paz.
Nada está perdido enquanto se sente,
nada se apaga se ainda há calor...
Nunca é o fim para quem entende
que a vida recomeça onde há amor.
Nem todo brilho se vê à primeira vista.
Nem tudo que machuca faz barulho...
E nem todo mundo sabe dizer onde dói.
Por isso, aprendi a olhar com cuidado...
A escutar com o coração o que a boca cala...
A ouvir o que o silêncio tenta dizer...
A não julgar o tempo de ninguém.
Universo em Cada Ser
Cada pessoa carrega um universo,
com planetas em desalinho,
luas em fase de esquecimento,
e estrelas que brilham...
mesmo quando ninguém está olhando.
Há constelações inteiras escondidas
atrás de um silêncio...
e estrelas exaustas que se apagam
antes de serem vistas.
Nem todo brilho se vê à primeira vista.
Nem tudo que machuca faz barulho...
E nem todo mundo sabe dizer onde dói.
Por isso, aprendi a olhar com cuidado...
A escutar com o coração o que a boca cala...
A ouvir o que o silêncio tenta dizer...
A não julgar o tempo de ninguém.
Cada pessoa carrega um universo.
E todo universo...
mesmo os que ainda não compreendo...
merece respeito.
Respeito pelo espaço que ocupa,
pela história que guarda,
pela beleza que ainda não sei decifrar.
Porque há mundos que florescem
no silêncio...
e só se abrem diante da gentileza...
há mundos que só se revelam quando
deixamos de apontar o dedo e estendemos
a mão.
Insistência
Há dias...
em que o mundo atravessa...
não com força, mas com desgaste.
com cansaços antigos que não se explicam.
E ainda assim...
Desaba em mim um peso antigo que não consigo decifrar...
mas carrego.
Algo em mim permanece em estado de vigília.
Não é milagre.
Nem fé de vitrine.
É um senso íntimo de direção que se recusa a recuar.
É a escolha silenciosa de continuar
mesmo sem plateia...
é o gesto miúdo de existir quando ninguém nota.
Não aprendi a vencer com medalhas.
Aprendi a prosseguir sem aplausos.
Aprendi a resisti em silêncio.
Aprendi a ser pensamento onde só se aceita barulho.
Meu corpo recua...
mas minha consciência não.
Meu cansaço pesa...
mas não me desliga da busca.
Guardo questões que não se calam...
e mesmo sem respostas, sigo.
Porque viver, ás vezes, é apenas isso:
manter acessa a centelha que o mundo tenta apagar.
A poesia é o vírus da liberdade num mundo programado para calar.
Quando o mundo cala, a poesia fala, e ninguém consegue silenciar.
Guardo questões que não se calam...
e mesmo sem respostas, sigo.
Porque viver, ás vezes, é apenas isso:
manter acessa acentelhaque o mundo tenta apagar.
Leveza não é fraqueza
Demorei a entender...
que ser leve não é ser frágil...
e morrer todos os dias e renascer em flor...
é ser firme o suficiente para soltar o que pesa.
Carrego dores com delicadeza...
para que elas não arranhem quem passa por mim.
Faço do silêncio, abrigo.
Falo pouco, mas sinto muito.
A leveza é resistência...
Já fui tempestade sem sentido...
hoje sou garoa persistente...
molho devagar...
mas alcanço fundo.
Quem acha que minha calma é passividade,
não viu as guerras que venci por dentro.
A leveza que carrego foi esculpida em silêncio,
entre perdas que calei...
e recomeços que ninguém viu.
Ecos do Passado
Na mocidade, eu amei correndo,
como quem teme a perda.
Agora amo em silêncio...
como quem entende a eternidade.
O tempo passou, e me deixou vazia de palavras, mas cheia de histórias.
O que foi desejo, agora é gratidão...
o que foi silêncio, agora é palavra.
Havia poesia nos meus silêncios, versos não escritos, noites desperdiçadas...
agora, a caneta se ergue, tardia, mas cada palavra é um eco do que fui.
Não procuro os fantasmas do ontem...
nem lamento as perdas que me moldaram,
não é saudade nem lembrança...
é algo maior, silencioso e real.
O que sinto hoje é amor pela vida...
amor pelas mãos que me seguram...
pelo instante que pulsa entre meu peito, e o mundo que ainda me espera.
Além do Visível
Na travessia da vida, encontrei olhares que valorizavam aparências... mãos que mediam valores na superfície breve das coisas.
Mas meu coração, abrigo sem grades nem vitrines, anseia por aqueles que sabem ver aquilo que a pele não revela... aquilo que não cabe em molduras.
Desejo os que tocam a essência, os que valorizam a vida... os que enxergam o invisível, como quem vislumbra horizontes no brilho de um olhar.
Que se aproximem de mim, não os que julgam vitrines, mas os que conseguem transformar pequenos instantes em grandes momentos.
Porque a essência não se mede em molduras, mas na coragem de despir-se das aparências, reconhecendo que viver é o maior tesouro... livre como verdades que não precisam de vitrines.
A essência não se mede em molduras,
mas na coragem de despir-se das aparências...
reconhecendo que viver é o maior tesouro...
livre como verdades que não precisam de vitrines.
Antes de se conectar com o mundo, aprenda a se reconectar com você...
O amor-próprio é a senha da cura.
Deus sempre tão perto
Procurei Deus nos templos altos,
nas palavras rebuscadas,
nos caminhos pavimentados
de promessas e milagres.
Mas ele me esperava
no silêncio do meu quarto
no gesto simples de quem
me estende um sorriso.
Fui atrás da felicidade
como quem caça um mapa
desenhei rotas, tracei metas,
fiz planos e apostas.
E ela estava ali...
no cheiro do café
no abraço da manhã
no instante que eu ignorava.
Enfim, aprendi que Deus não se esconde.
A felicidade não foge...
nós e que fechamos os olhos
para o que já temos nas mãos.
