Coleção pessoal de sayro_designer
MANIFESTO
Eu não quero vencer a qualquer custo.
Quero não me perder.
Recuso a vida vivida por reflexo,
as escolhas adiadas,
o conforto de caber onde minha verdade não cabe.
Não acredito numa existência sem angústia —
ela é o preço da liberdade.
Se escolher dói, é porque escolher é real.
Não confundo fé com certeza,
nem amor com troca,
nem honestidade com ingenuidade.
Prefiro perder vantagens
a negociar minha consciência.
Não sigo a multidão só porque ela é barulhenta.
A maioria nunca foi prova de verdade.
Caminho sozinho quando for preciso,
porque estar acompanhado pela mentira
é a forma mais elegante de desespero.
Aceito que amadurecer é perder versões antigas de mim.
Não tento repetir o que fui.
Permaneço no que ainda sou capaz de sustentar.
Não uso pessoas como meios,
nem sentimentos como desculpa.
Amar, para mim, é decisão —
não espetáculo.
Se existir um inferno,
ele não está na dor,
mas em viver sem nunca ter sido quem se é.
Por isso escolho a responsabilidade de existir.
Escolho a verdade que custa.
Escolho a solidão honesta
em vez da paz comprada.
Não quero uma vida que pareça boa.
Quero uma vida verdadeira.
— Sariel Oliveira
O homem foge de si porque estar consigo exige decisão.
Decide-se quem se é quando não há aplauso,
quando ninguém vê,
quando ganhar custa a própria verdade.
A angústia não é inimiga —
é o sinal de que a alma ainda está viva.
Pior que sofrer é existir sem nunca se escolher.
— Sariel Oliveira
O homem honesto perde atalhos,
mas não perde o chão.
Pode ter menos nas mãos,
porém carrega algo raro:
a paz de não precisar se explicar ao espelho.
— Sariel Oliveira
A ganância ensina a conquistar,
a honestidade ensina a permanecer.
Uma junta coisas,
a outra sustenta a alma.
No fim, só a honestidade permite
dormir sem fugir de si.
— Sariel Oliveira
A honestidade pode até atrasar o caminho,
mas é a única que não te perde de você mesmo.
— Sariel Oliveira
A ganância do homem raramente começa como maldade.
Ela nasce como medo.
Medo de faltar.
Medo de ser pequeno.
Medo de voltar a ser ninguém.
No início, é só cuidado. Depois vira acúmulo.
O problema é que o limite quase nunca chega — porque a ganância não quer coisas, quer controle.
Quanto mais o homem tem, mais ele teme perder.
E quanto mais teme, menos ele confia.
Aos poucos, troca relações por vantagens, princípios por conveniência, caráter por resultado.
A ironia é cruel:
a ganância promete segurança, mas entrega prisão.
Promete poder, mas produz vazio.
O homem ganha o mundo e perde o senso de “basta”.
E quando tudo vira meio — pessoas, tempo, até a própria alma —
ele já não sabe mais se vive para possuir
ou se possui apenas para não encarar o que falta dentro.
A ganância não é excesso de desejo.
É falta de sentido.
Preservar a calma, mesmo quando as tempestades se erguem e o mundo ameaça desabar.
Manter a paz dentro de si, protegendo o coração dos pensamentos que a ansiedade semeia e dos problemas que tentam roubar a leveza da vida.
Fazer do amor um rei absoluto — que governa com bondade, que liberta sem exigir nada.
Permitir que o bem continue fluindo, mesmo diante da frieza da geração, do desinteresse dos corações e da vaidade que tanto cega.
Nadar contra as correntes, romper as amarras, até alcançar a imensidão reservada apenas aos que não desistem de viver.
— Sariel Oliveira
Oração de Força e Propósito
“Deus, assim como sustentaste José em cada desafio, sustenta-me também.
Dá-me saúde para continuar, coragem para enfrentar as injustiças e sabedoria para agir com excelência, mesmo nos momentos difíceis.
Que eu nunca perca a fé nos sonhos que colocaste no meu coração,
e que cada passo, mesmo nos vales, me leve ao propósito que preparaste para mim.
Amém.”
Juramento da Maldição
por Sariel Oliveira
Juro diante do silêncio eterno que não serei cego.
Que verei o que a noite esconde
e ouvirei o que o mundo não suporta dizer.
Aceito a solidão como testemunha,
o peso da lucidez como cruz,
e a ferida que nunca fecha como parte do meu ser.
Não fugirei da dor —
antes, a acolherei como velha companheira,
pois ela me lembra que estou vivo
num mundo que vive dormindo.
Se esta é a maldição que me coube,
que assim seja.
Carregarei seus sinais até que o pó me reclame,
e, ainda então,
que minhas cinzas sussurrem ao vento
o que poucos tiveram coragem de ouvir.
A Maldição de Sariel
por Sariel Oliveira
Carrego nos ombros uma herança invisível,
não deixada por sangue ou nome,
mas costurada nas costelas pelo próprio destino.
Minha maldição não é feita de má sorte,
mas de olhos que veem fundo demais,
de um coração que sangra por feridas que não são minhas.
Sou condenado a sentir o que os outros escondem,
a ouvir o silêncio que grita no peito alheio.
E, mesmo sabendo que isso me arrasta,
continuo — como se minha alma
fosse feita para ser farol em noites que não acabam.
Porque minha maldição é também minha sentença:
viver intensamente
num mundo que teme quem não sabe se calar.
A Maldição de Sariel
(à maneira de Kierkegaard)
Minha maldição não é visível aos olhos comuns,
porque não vive fora de mim,
mas no silêncio onde o homem encontra a si mesmo
e descobre que não pode escapar.
Sou condenado a perceber que a vida não me pertence —
ela apenas me atravessa,
como um vento frio que corta e não se deixa segurar.
Sinto o peso do eterno no instante,
o peso de Deus no olhar humano,
o peso da ausência onde deveria haver consolo.
E, enquanto outros caminham distraídos,
eu caminho acordado demais,
ferido demais,
amando demais.
Não sei se isso é dádiva ou castigo,
mas sei que não há cura.
Porque aquele que vê o fundo do poço
já não consegue fingir que só existe a superfície.
“O Segredo de viver”
“Ninguém tem a vida toda resolvida.
Nem aos vinte, nem aos trinta, nem aos sessenta…
A gente muda de sonho, muda de cidade, muda de trabalho… e até de jeito de pensar.
Tem quem encontre o amor depois dos cinquenta,
quem troque de carreira aos quarenta,
quem volte a estudar aos setenta.
A vida… não é uma linha reta.
É cheia de voltas, curvas e surpresas.
E talvez… o segredo seja esse:
entender que nunca vai existir um momento em que tudo esteja pronto.
Existe apenas o viver… aprendendo…
e recomeçando… sempre.”
Uma história clichê de recuperação
21 de fevereiro de 2025. Sol, mar, orla e eu com a genial ideia de sair de roller. O celular em 5% parecia até um símbolo: menos tela, mais vida. Depois de 5 km, encontrei uma rampinha. Pequena. Inocente.Já estava cansada, não dei a devida atenção. Como já sabemos… o plano não deu certo.
Caí.
Tive ajuda de várias pessoas da praia. Chamaram a ambulância, o bombeiro veio, imobilizou o braço, que sentia solto — sim, braço e antebraço não estavam mais juntos — e eu precisava segurar com a outra mão. Mas ainda não tinha noção da gravidade. Até pensei: “ah, umas 4 semanas sem beach tennis”.
Ingênua.
De ambulância, fui para o hospital mais próximo. Dor? Sim, mas suportável. Até chegar no raio-x.
Sabe aquelas crianças birrentas que choram no meio do shopping e os pais ficam com vergonha do escândalo? Essa era eu na sala do raio-x. Acontece que, na hora de fazer um movimento para o exame, a dor subiu para um nível que eu não sabia que existia. Era insuportável, mesmo com 2 injeções para a dor. Das 4 chapas, consegui tirar só 1. Precisava saber se tinha quebrado em outro lugar, mas não aguentei continuar. Fiz só uma chapa e seja o que Deus quiser.
Quando viram o exame, chamaram a médica correndo. Ela tentou explicar, mas eu não conseguia processar nada. Resultado: pediram outra ambulância para me levar a um hospital que pudesse operar.
Na ambulância, usei o que restava de bateria para avisar algumas pessoas.
No segundo hospital: sentada na cadeira de rodas, dor, braço solto, ainda com areia da praia, roller no colo, cara de choro… e uma fila absurda. Gente esperando mais de 3 horas no corredor. Tomei a tal morfina, que foi uma decepção já que a dor nem sequer diminuiu.
Depois de um tempo, entrei na sala do ortopedista (única coisa boa de estar péssima é que passa na frente na fila). O médico do plantão já estava há horas seguidas em uma cirurgia de acidente de moto. Estava visivelmente exausto. Ele olhou meu exame, e com um ar surpreso e chocado disse:
“Você não quebrou o cotovelo. Você explodiu todas as articulações do cotovelo, como conseguiu fazer uma coisa dessa?”
Os olhos cansados dele pareciam conversar com a enfermeira, como quem não tinha mais energia para encarar uma nova cirurgia. Respirou fundo de novo e me disse:
“A sua fratura não é simples. É completamente compreensível sentir tanta dor. Vou aproximar os ossos para diminuir um pouco, mas depois será necessária uma cirurgia de correção. O que é importante você saber é que vou fazer o meu melhor — mas o melhor de qualquer médico não vai trazer de volta como era antes. É uma cirurgia de alta complexidade, e não consigo garantir o quanto você vai conseguir reabilitar. Com certeza terá sequelas.”
Eu chorava e ria de desespero (eu começo a rir quando fico nervosa).
Papéis assinados e fui para a cirurgia.
Acordei já no quarto, sozinha, com o braço engessado. Sem areia, muito sono e uma sensação estranha de alívio.
E esse foi só o começo. A parte da recuperação é outra novela que ainda está sendo escrita.
Eu peguei e me converti nessa essência:
O respeito é a base, e o amor é a sua expansão. Amor sem respeito é só desejo, apego ou ilusão. O respeito é a liga — como o cimento que sustenta a construção. Sem ele, o “amor” desmorona em ciúmes, manipulação ou egoísmo.
“Não se deixe ferir pelo peso das vozes negativas.
O silêncio, a serenidade e a leveza podem ser sua resposta —
e, nesse gesto, você se torna maior do que aquilo que tenta te diminuir.”
(Os`Cálmi)
Pra você, que talvez ainda não veja o que carrega”
por Sariel Oliveira
Você me disse uma vez, com aquela certeza no olhar:
“Quero ser rica. Por isso falo, todos os dias, que vou ser.”
Na hora, eu só quis te lembrar do que você talvez ainda não enxergue:
você já é rica.
Mas não do jeito que as pessoas mostram por aí.
Não com dinheiro, nem com coisas que se guardam.
Você é rica pelo amor que pulsa dentro da sua casa,
pelo brilho nos olhos dos seus filhos, que carregam pedaços seus,
pelo abraço silencioso de uma mãe que, mesmo cansada, nunca deixa de se preocupar.
Eu, que caminho sozinho por esse mundo,
vejo essa riqueza e sinto uma saudade que palavras não alcançam.
A verdadeira riqueza não se mede,
não se fotografa, nem se exibe.
Ela se sente no coração, se segura na alma,
e às vezes só se entende quando falta.
Eu desejo, de verdade, que você conquiste tudo o que sonha.
Mas, acima de tudo, desejo que um dia você veja, com clareza,
que aquilo que você já tem — o amor, o cuidado, a vida compartilhada —
vale mais do que qualquer fortuna que o mundo possa oferecer.
E quando esse dia chegar,
que você tenha a generosidade de espalhar essa riqueza,
de dividir o que não tem preço,
com quem realmente merece.
Porque ser rico não é sobre ter muito,
é sobre saber dar sentido a tudo que se tem.
E você, minha amiga, já é a pessoa mais rica que conheço.
“O que me resume”
por Sariel Oliveira
Guardo tudo.
Não por orgulho,
mas por costume.
Aprendi a ser abrigo do que não mostro,
voz do que não digo,
refúgio do que ninguém percebe.
Às vezes sumo.
Não por maldade,
mas por necessidade.
Silêncio me cura mais do que conselhos,
e a solidão, embora fria,
me entende melhor do que gente demais.
Gosto de ficar só.
Não porque não amo,
mas porque me encontro no vazio.
É no meu próprio mundo
que faço morada,
mesmo quando tudo lá dentro
parece desabar.
E pedir ajuda?
Não sei.
Talvez por medo de ser peso,
talvez por não saber como se faz.
Mas sigo — inteiro por fora,
remendado por dentro,
só eu e o silêncio que me resume.
