Coleção pessoal de sane_viana
Amar não é se apagar.
Há troca.
Há caminho de ida e volta.
Há o que transborda.
Amor que não troca, cobra.
Amor que troca, cresce.
Sou feita de cuidado, coragem
e do mundo que aprendi a construir.
Trago comigo quem veio antes de mim.
O quilombo é caminho, é gira, é resistência viva.
Reconhecer-se é libertar a dor
e fazer da memória um lugar de cura.
No quilombo, a vida nasce enraizada na ancestralidade.
Pertencer é direito, e toda criança nasce realeza.
No quilombo, pertencimento é origem.
A ancestralidade é fundamento de resistência e sustento da existência.
Maré Ancestral
O quilombo é mar aberto,
profundo e vivo
roda acesa de memórias, de tempos:
os ecos dos ancestrais ressoam,
guiando o povo
na maré da história
e da luta contínua que navega mesmo em tempestade.
Nas encruzilhadas das águas,
entre travessias, cantos e tambores,
seguem,
celebrando a vida,
a força do coletivo.
Carrego nas palavras o som das minhas ancestrais.
Cada passo meu é guiado pela liberdade que elas sussurraram antes de mim.
A voz que ecoa em mim
é canto de liberdade que me guia.
É a voz de todas que vieram antes
e ainda caminham comigo.
Ecos do Amanhecer
Ecoam palavras no tempo,
ressoam na profundeza do ser,
em uma sinfonia intensa de amor,
sob cantos e ritos de atabaques,
guardiãs do amanhecer, dos sonhos,
da liberdade.
Sou quilombola, carrego em meu ser o eco das lutas ancestrais e o poder de um povo que nunca se rendeu.
Rosane Jovelino
Acolha tuas águas
reconheça tua história, ancestralidade
conheça tuas correntezas
Aceite suas marés
Guarda tua alma, seu interior
na doce magia daquele luminoso céu de sabedoria, abundante de amor
te ensina a se agradar, se abraçar em primeiro lugar contemplar a si mesmo
Cuide desse bonito lugar
desse olhar que caminha por dentro
que circula por inteira
transborda lume
conquistado pelas
janelas da alma
Elevastes teus olhos ao céu extraordinariamente belos e contentes, dançaram entre o azul e dourado do sol que nascia. Um viver subjugado levantava-se carregado de ancestralidade.
