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Coleção pessoal de SamuelRanner

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Navegamos em águas turvas onde o maior pesadelo na ignorância é um mar revolto e profundo, fazendo da vida um naufrágio que logo esquecem. A pressa do mundo é rasa; as pessoas só querem ver a superfície e se esquecem que há algo valioso seu que afundou.

Pobres são as mãos que colhem apenas o que o vento apaga. Escrevem tantas coisas, mas a alma está vazia, o coração empobrecido e a mente embotada; pois de nada serve a tinta no papel se a vida não transborda de dentro. Onde não há luz no sentir, a palavra é apenas um eco no deserto.

A escassez das mãos é apenas o reflexo do deserto que se plantou na alma; pois não há maior miséria do que a ignorância, esse solo seco onde a inteligência se recusa a florescer. Quem não cultiva a luz do saber, condena o próprio mundo à sombra da carência.

A pretensa teimosia é o inverno que a alma escolhe; ela tranca as janelas do ser e empobrece o olhar. Quem não se permite mudar com o vento, acaba seco, enquanto a vida lá fora insiste em florescer.

O tempo não nos espera, mas convida-nos a florescer. Não tentes parar o relógio; aprende a caminhar com o vento, pois quem se demora na dor, esquece-se de que a vida é um eterno agora.

A paz não espera o fim do inverno para nascer; ela é a raiz que cresce silenciosa enquanto a neve ainda cai. Não busques a paz no silêncio do mundo, mas na mansidão do teu próprio peito, pois o sofrimento é nuvem que passa, mas o teu céu interior é o que permanece.

A dor é visita, mas a tua paz é a morada. No ciclo da vida, tudo o que chega também aprende o caminho de partir.

A maior audácia humana não é o inventar do amor, mas o exercício diário de o impedir de se tornar memória enquanto ainda é presença.

Amar é um verbo de fôlego longo: a verdadeira proeza não é a conquista do cume, mas a teimosia de nela fincar bandeira todos os dias.

O prodígio não reside na faísca que inaugura o afeto, mas na arquitetura de fôlego que o sustenta contra a erosão do tempo.

Não tentes enganar o Céu com a tua fachada, enquanto a tua face se perde no labirinto da própria hipocrisia.

A religiosidade é uma máscara pesada demais para quem tem a alma vazia. O altar exige a face limpa, não uma fachada pintada de santidade.

De nada serve decorar a fachada com adornos religiosos, se por trás da porta a tua máscara apenas esconde o abismo da hipocrisia.

Perdoar-se começa no altar da consciência. O verdadeiro arrependimento é o ato de assinar a própria nota promissória antes de pedir ao Mestre que a rasgue.

Ninguém recebe o perdão sem antes atravessar o próprio deserto. O arrependimento é a luz que ilumina a dívida interna, transformando o peso da culpa na leveza da redenção.

O arrependimento não é um pedido de desculpas ao céu, é um acerto de contas com o espelho. É o autorreconhecimento de uma dívida que só a honestidade da alma pode quitar.

Não procures o Divino fora de ti. Ele sopra no vento que balança as copas da floresta e pulsa no sangue que corre nas tuas veias. Quem bebe da fonte do autoconhecimento descobre que o caminho de volta para casa começa dentro do próprio peito.

Muitos buscam o Reino nos vitrais das igrejas, mas esquecem-se de que o Criador prefere morar num coração honesto do que num altar luxuoso. A fé sem caráter é apenas um disfarce religioso para esconder o vazio do espírito.

A verdadeira medicina não cura apenas o corpo; ela abre as janelas da alma para que o Mestre entre sem pedir licença. Na miração, o silêncio da mata ensina mais do que mil sermões gritados em templos de pedra.

O Avesso do Vidro


Toda vez que me olho no espelho me sinto diferente
Sinto que estou todo trocado
Como se estivesse de trás para frente
Desarmonia é pouco
O rosto é destoante simetricamente
Algo está alterado
Dentro da minha confusa mente.


Procuro a linha reta, mas só encontro o desvio
Um olho que vigia, outro que foge pelo rio
A boca entorta num riso que não planejei
Sou o rascunho de alguém que eu nunca encontrei.


Não há moldura que prenda essa minha heresia
A perfeição é um tédio, uma fria anatomia
Sou feito de sobras, de ângulos e de frestas
Um quebra-cabeça montado com o que resta.


Se o vidro me cospe essa imagem incompleta
É porque a alma é curva, e a carne nunca é reta
Aceito o erro, o vinco e o traço mal posto
Pois não existe verdade num perfeito rosto.