Coleção pessoal de Rosario
Quero ser forte
O que é ser forte?
Onde habita a força?
Por que quero ser forte?
Vagando como fera pela força,
nada me conhecia — nem meu desejo.
Mas o que desejo afinal?
Desejo força.
Pela força seguirei o caminho do poder,
até que tudo seja nada perante meu poder.
Cego na jornada, perdi a mim.
Encontrei poder e força,
mas não eram verdadeiros.
Perdi a mim e a batalha.
Derrotado, a gentileza me fez amado.
Na derrota, pude ver:
O que é ser forte?
Ser gentil.
Na gentileza houve um recomeço.
Mas qual caminho começo?
Caminharei até achar meu caminho…
E o caminho me encontrou:
O caminho da espada.
Mas onde está minha espada?
Está na alma.
Este é o caminho da espada sem espada:
Afiando minha alma.
Minha alma é a espada.
A espada é minha alma.
Na forja está a espada.
Na forja, Deus forja minha alma.
Ao som de marteladas, molda-se a espada.
Do calor, fortalece-se a alma.
Na água, esfria-se a espada.
E nesse ciclo, forja-se a espada da alma.
Na forja da alma, ouvi.
O que ouvi?
Os aspectos de mim que desconheço.
“Por que desejas ser forte?”, foi o que ouvi.
A cada martelada, a pergunta me sussurrava:
“O que te move?”
Na cega lâmina, a dúvida era visível.
Movido pela dúvida, a lâmina foi refinada.
Quero ser forte para ser amado.
Quero minha família formar.
Quero poder, para poder ser.
Ser o quê?
O que sou?
O que busco ser?
O que fui?
Fui odioso.
Fui rancoroso.
Fui frio.
Fui apático.
Fui perverso.
Imerso em vastos inimigos,
em um ciclo negativo,
do lado errado
ou de nenhum lado.
Fui uma alma vazia.
Alma que não via se podia viver.
Uma alma quebrada,
uma alma com saudades do horizonte.
Eu sou questionador.
Eu tenho o tempo —
Tempo para o abismo me visitar.
O abismo me mostrou o que fui,
assim como quem sou.
O abismo me mostrou a verdade,
e a verdade me libertou.
Desejo ser melhor.
Desejo amar e ser amado.
Desejo ser paz e estar em paz.
Desejo ser gentil.
Desejo ver a verdade.
Desejo honrar a verdade.
Desejo honrar a fé que há em mim.
Que o perdão transborde de mim.
Eu posso viver.
Não vivi apenas dor.
Não vivi apenas felicidade.
E essa vida me formou.
Nessa forja, minha vida se fez.
Não mais tenho inimigos:
Eu tenho irmãos.
Irmãos que, como eu,
buscam se encontrar.
Ao fim do deserto vem um novo bioma, diferente do que se vagava antes do deserto, com vastas oportunidades, mistérios e sombras, nos fazemos relutantes em vagar pelo hábito de onde estivemos, mas quando começamos a agir as inseguranças e hábitos vão sumindo no horizonte.
Busco o amor
Não amor de cinema
Nem amor de livro
Muito menos amor de redes sociais
Busco o amor
Amor real e vivaz
Fruto do tempo e da rotina
rotina doce e não azeda
tempo prospero ou de desgraças
O amor não nasce em um filme
O amor não nasce em um livro
O amor não nasce em uma rede social
O amor nasce de um acumulado de eventos
Que se unem na presença pura
Pura de um? Pura de dois? Não importa
Existem mais amores que pessoas amargas
De que importa limitar a pureza? O amor não tem fronteiras
Se ama o inanimado e o animado
Se ama o frio e o quente
Se ama poucos e muitos
Se ama o nada e o tudo
Se ama a morte e a vida
Então o que limita o amor?
As pessoas.
Você me atrai
Mas não sei se te atraio
Mas me faz amigo
Mas não se vê como minha amiga
Jogo meu charme e você não desgosta
Nos ajudamos com nosso luto
Luto de amores fracassados
relacionamentos muito amados
amados por um lado só
e só sofremos até unirmos como sofredores
amigos?amantes?irmãos? Não sei
só sei que nesse confuso jogo nos aproximamos.
De igual forma, os incêndios por causas naturais renovam a floresta e a fortalecem. As dificuldades fortalecem a alma.
Como alguém agraciado pode ajudar alguém imerso em desgraças?
Como da esperança a alguém imerso no desespero?
Como se ajuda uma amiga sofrendo estando em bons lençóis?
Queria tirar lhe sua dor, mas apenas posso a ouvir e aconselhar.
O bem-estar chega sorrateiro
Chegando sem aviso
Chegando em silêncio
Em silêncio se instala
E naturalmente se espalha
Espalhado o vemos
E até partir o acolhemos.
Todos me negam a culpa
eu mesmo me nego a culpa
Mas em meu âmago a culpa nasce
Nasce em cada erro
Nasce naquele dia de dor
Nasce naquele fim
Existe um começo após fim?
O amor tudo pode curar e tudo pode adoecer
Tudo pode preenher e tudo pode esvaziar
Tudo pode colorir e descolorir
O amor tudo pode
E eu tudo sofro.
Olá leitores, como estão?
Eu já estive menos pior, percebi que estava negando o que sentia para superar o que sinto pela minha ex-noiva. E agora estou acolhendo esse sentimento como parte de mim, estou deixando de lutar contra. Espero que melhore o que sinto.
Eu estou sendo acompanhado por um psicólogo, é bom ser ouvido mesmo que sobre minhas doidices e sentimentos mais íntimos por alguém sem envolvimento.
E a novidade mais surpreendente, alguém compartilhou uma publicação minha, o poema da espada. Não sei se fico feliz ou triste.
Minha alma é a espada
A espada é minha alma
Na forja esta a espada
Na forja Deus forja minha alma
Ao som de marteladas se molda a espada
Do calor se fortalece a alma
Na água se esfria a espada
E nesse ciclo se forja a espada da alma
Sinto que o apego está a dar sua última respiração e uma nova fase com uma nova pessoa esteja próxima, não sou mais o mesmo de antes, obrigado abismo, obrigado oh pessoa que deixou de me amar, obrigado meu querido irmão e minha querida amiga por me aconselhar e acolher.
No vázio, vemos apenas a nossa propria existência, vemos sua insignificancia, vemos nossa ignorância de nós mesmos, vemos as influências externas, vemos o que mais fugimos e tememos. O abismo é o reflexo do que somos e não contemplamos.
Vazio possui vários nomes, eu diria, abismo, domingo a noite, "Quem você é quando não tem ninguém olhando?", "Você faz isso porque gosta, deve ou o externo decidiu por ti?", "O que lhe prende em sua vida?", perguntas profundas sobre si mesmo.
Ao abrir as portas da minha vida ao tédio recebi um visitante ainda mais incomodo, o vazio, não sei se eles são um casal ou um ser só, mas estão sempre juntos.
Eu me afastei de duas redes sociais, fiz isso junto ao término, na verdade, eu já desejava fazer isso, porém me via preso as necessidades de minha antiga companheira e assim evitava isso, ou apenas temia que rumo essa escolha me levaria na época. Agora busco evitar validações externas, busco fazer não para mostrar, mas porque quero fazer, quero me aprofundar em quem sou e em minha autenticidade. Esse caminho junto ao termino me levou ao tédio.
Bati o martelo, partirei daqui e avançarei contra o mundo, hora de abrir as asas e sair do ninho indo de encontro com a dureza da vida adulta. Após tanto esperar, tanto deixar para amanhã, amanhã pode não existir e nunca realizar esse desejo, devo agir, mesmo não sendo o momento perfeito.