Coleção pessoal de rodrigo_elias_cardoso
BRADO BRASILEIRO
Acordai deste berço esplêndido, com o som do mar, mas sem a luz, mesmo sob o céu profundo.
Fulgura-te, Brasil, deste lodo fétido e do grume da corrupção, ó florão da América.
Que teu povo heróico solte novamente o brado retumbante, porém, que não se ouça apenas das margens plácidas do Ipiranga.
Mas que ecoe por todos os cantos: dos bosques que têm mais vidas, aos campos que têm mais flores, e que reviva, em teus seios, sempre e cada vez mais, amores.
E que, assim, esta terra garrida dê fruto aos teus verdadeiros filhos, e não aos falsos filhos teus, movidos apenas pelo orgulho e pela preponderância da corrupção, pois, querendo roubar-te as cores, ficarão pasmos diante de teus gigantes e de tua própria natureza, contemplando que os filhos teus, de fato, não fogem à luta.
E, assim, compreenderão, ó Brasil, como és belo e colosso, pois teu futuro é agora; e queremos entregar-te esta grandeza, terra adorada.
Entre outras mil, és tu, Brasil, porque tu também és minha, ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo, onde os políticos não são tão gentis;
Sê, verdadeiramente, livre, Pátria Amada Brasil.
LIBERDADE: QUAE SERA TAMEN
“Ainda que tardia” te tenha,
ó Liberdade,
não porque te falte o tempo,
mas porque te deram o atraso
pela corrupção.
Tenho-te não como quem espera,
mas como quem sustém.
Não te recebi pronta,
fiz-te em pressão,
em retenção lúcida,
em consciência que não se vende.
Não nasceste tarde.
Foste feita tardar.
Foste contida,
retida,
ensinada ao atraso
como método vil
dos que precisavam do tempo
para roubar o sentido.
Chamaram-te sera
como se o tempo te diminuísse,
como se a demora te maculasse,
e não como se o adiamento
denunciasse a fraqueza
dos que nunca suportam
o peso do absoluto.
Mas eu sei:
teu tempo não é concessão.
É finalidade.
Enquanto te adiavam,
eles aprendiam a corromper.
Enquanto te soterravam,
ensinavam-te a resistir
por dentro.
E quando a corrupção se fez mestra,
não te destruiu:
revelou-se.
Porque ao ensinar o atraso,
ensinou também
quem não sabe esperar
sem apodrecer.
Do quinto antigo ao jugo de agora,
muda-se a sigla, conserva-se a sangria;
troca-se o selo, persiste a cobrança,
e o tempo aprende a mesma tirania.
Estado mais denso que o peso da serra,
que em letra de lei destila a usura fria,
drena no código o suor do fundo
e chama de ordem o que é mineria.
Dinastias de sombra, herdeiros do dolo,
que transmitem o vício como capitania;
fazem do saque sua regra primeira,
sustento moral de quem nada cria.
Do espólio fizeram condição de vida,
sine qua non de sua vilania;
pois onde a liberdade exige obra,
eles subsistem de atraso e sangria.
Onde estão agora os seus brados?
Onde o clamor
dos que gritavam posse
e confundiam voz com direito?
Do povo, só a dor!
Calaram-se,
não por virtude,
mas por cárcere.
Pois quando a Liberdade
lhes fugiu;
não tiveram dentro de si
lugar onde habitá-la.
Tenho-te, Liberdade.
Não como ideia,
mas como fim.
Não como abstração,
mas como decisão.
Não te devo ao tempo.
O tempo é que te deve a mim.
E ainda que digam que vens tarde,
sei:
tardio é o mundo
que não suporta
o peso do que é absoluto.
Não mais “ainda que tardia”.
Mas Liberdade;
mesmo quando feita tardar,
permanente.
Mesmo quando silente,
imperativa.
Pois com a verdade,
“quae sera tamen,
Libertas”.
Pai Criador,
Infinitamente santo, glorificado, exaltado e amado é o Teu nome.
Recolho-me em minha mais singela condição para elevar minhas palavras a Ti, expondo-Te o meu amor, mas submetendo-me sempre à Tua vontade.
E mesmo entendendo que tens presciência de tudo o que quero falar-Te, e que sabes o que preciso muito mais que a mim mesmo, suplico:
Que a Tua verdade prevaleça sobre mim, mas que eu não queira sobrepor a minha verdade à quem quer que seja.
Que a Tua luz me ilumine plenamente, mas que eu não queira impor a Tua luz aos olhos de ninguém.
Que o Teu amor e a Tua bondade sejam assimilados pelo meu ser, e que esse mesmo amor seja transmitido por mim aos meus irmãos.
Que a Tua grandeza e plenitude me alcancem, mas que só a humildade seja por mim vivenciada.
Que a Tua onisciência me afaste da ignorância, mas que eu sempre respeite as limitações daqueles que me perseguem.
Enfim, Senhor, afasta-me de minha própria pequenez, fazendo o Cristo viver em mim.
Mas, quando meus pés vacilarem, como Pai zeloso que és, que em Teus “braços” me afagues, para que na maldade eu não fique esmaecido.
E assim, com o coração aberto a Ti, exaltar-Te-ei por todos os séculos e séculos.
Teu filho,
