Coleção pessoal de rodolfomair

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Faça aquilo que é esperado. Aja para agradar a todos e siga sempre sua razão, fazendo coisas certas e seguras, e você será visto como uma pessoa inteligente, equilibrada e boa, e seus filhos e netos se lembrarão de você. Ou faça o que o seu coração mandar. Esqueça um pouco a razão e sua normalidade, esqueça as regras confortáveis que os normais seguem e você será visto como uma pessoa genial e forte e o mundo se lembrará de você. Seu nome será lembrado por todas as gerações, até que a história chegue a um fim. A escolha é sua.

A consciência limpa e o dever cumprido fazem o melhor travesseiro.

Paciência

Tenha paciência, meu amigo
Cultive esse bem da alma
Mantenha sempre a calma
E estará em paz consigo

Receba o ar da montanha
E ouça a sua música
Ouça a estranha melodia
Os tambores da África

Pinte a sua noite de branco
E se cubra com o manto
Que cobre as estrelas
E descobre donzelas

Não libere o monstro em você
Navegue com o tempo
Faça-se sempre viver
Voe com o vento

Sua alma é como uma grade
Que prende duas aves
A cinza da noite e a azul da tarde
É apenas sua a chave

Se a ave cinza voar
Sua música vai se calar
Mas se a azul o fizer
Você terá o que quiser

Então, alimente o seu bem
Viva para ir além
Espante a ira e a tristeza
E faça do seu mundo só beleza.

A ponte da vida

Aos passos vagos e curtos
O homem na longa travessia
Enfrenta todos os vultos
Das ideias ele se sacia

As pontes da própria mente
Que ligam o gênio presente
Em sua genialidade total
Essa tão viva e também fatal

Ele atravessa a árdua ponte
As dificuldades do caminho
Endurecerem sua fria fronte
Fazem da água o vinho

O filósofo cumpre seu destino
Eleva-se ao saber divino
À outra margem tendo chegado
Vive então do bem dourado.

A janela

O belo símbolo da esperança
A que traz a luz e o vento
E o doce riso da criança

O velho que olha de dentro
A moça que fica debruçada
Olhando as vidas da calçada

O pássaro nela se senta
E a beleza dali aumenta
Com seu mais puro canto

Olha para fora da janela
E faz dela a tua porta
Para um mundo de encanto

Curarás qualquer mazela
Ou árvore que cresça torta
Tu verás um outro lado

Poderás lançar o dado
Com a tua sorte a testar
E com o pássaro a cantar.

Carta de amor

A coruja traz o belo recado
Versado dos sentimentos cuja
Alma escreve com plena calma

Uma carta de sua união
Senão a mais farta
Emociona muito e menciona

Quanto é grande o amor
Fervor de riso e de pranto
A razão de sua salvação

Diz que por toda a vida
Querida, serás muito feliz
No ardor eterno do amor.

Crepúsculo do Mundo

Onde está a espada?
Onde está a coragem?
A princesa encantada
O salvador de passagem

O tempo já levou
Ou a verdade se encarregou?
Sendo a areia ou a visão
Findaram a bela criação

Onde está a doce arte?
As linhas fortes da alma
Ou o som do sol da tarde
Sofreram dor ou trauma?

A sinfonia alta e regente
Fugiu do encontro com a aurora
A flauta que erguia a serpente
Fez dela uma sombra de outrora

Onde está o sábio
Aquele da mente hábil?
Outra vítima do humano
Que fez da coruja um pelicano

O mestre dos quatro elementos
Já fraco, menor e antigo
Fez do vácuo profundo um amigo
E sumiu como um grão aos ventos

Onde está o rei guerreiro?
O senhor da honra e da glória
Sucumbiu no ouro da vitória
E o nada virou seu inteiro

A torre dos homens caiu
E a árvore da vida secou
O leão das sombras rugiu
Quando a cova do mundo fechou.

O espelho

Um labirinto misterioso e profundo
Encara os olhos atentos do homem
Indagando sobre si e o mundo

A poeira pisada do dia de ontem
E os passos incertos do ser
Abrem as portas para ele viver

Viver em si, em sua própria imagem
Olhando o espelho, e vendo seus olhos
A face da alma, uma grande miragem

A cortina se abriu, e veio a atuação
Sorriu e chorou, colheu os espólios
Mas quando se fechou, viu a enganação

O homem se via um grande rei
Mas o abismo do espelho o despiu
E revelou o ser oco e vil.

O Anjo Negro

Anjo negro, estrela do crepúsculo
Fala agora onde estás
Tira minha alma desse reduto
Pois somente tu me alegrarás

Estende tua mão agora
Tira de mim esse peso
Não deixa que nasça a aurora
Mata esse medo

Por sobre o chão de pedra negra
Eu logo hei de caminhar
E a luz que passa a fina seda
Com minhas mãos hei de apagar

Me envolve em teu abraço
E me dá com a adaga forte
Faz do meu passo
A casa de tua sorte.

Você é o maestro da sua vida. Não deixe que a sua melodia se entristeça e não soe bem aos seus ouvidos. Conduza-a como uma sinfonia à alegria e faça com que, quando acabe, seja aplaudida como uma obra majestosa e grandiosa.

O Herói

Os tambores da luta gritaram
E os sinos da terra tocaram
Dos deuses a grande fúria
Veio o fim da eterna injúria

O menino da nuvem nasceu
Com a adaga divina em mãos
E quando a sombra cresceu
Lutou ao lado de irmãos

As árvores da vida choravam
E os rios da morte cantavam
O lobo noturno era atroz
E a flecha de fogo veloz

O homem do menino veio
E a adaga à espada luziu
O mal que era inteiro
Tornou-se um fraco vazio

As lanças e escudos se ergueram
A esperança num belo clarão
Os ossos das trevas tremeram
Perante o poderoso guardião

Por anos lutou pelos campos
Montanhas do medo livrou
Por mares e rios navegou
Quebrou os mais altos encantos

Dos reinos tomou a coroa
Dos homens virou o senhor
Da era tornou-se a proa
Das sombras tornou-se o terror

Mas o tempo sua glória abalou
Na vasta planície de ouro
Sua última batalha lutou
E sucumbiu a coroa de louro

Seus feitos e honra viveram
E o herói foi sempre louvado
Como o rei do trono dourado
Cujos anos nunca morreram.

O Vazio

Fala pra mim, ó vazio
O que é que tu tens
Que faz de todos bens
Um nada mais que vil

A letra já é numero
O papel já é manchado
E a mancha já escura
Faz do nada algo bordado

Num ombro todo o ouro
No outro a beleza
No meio nenhum louro
Só a nuvem de tristeza

E na longa estrada que desce
Guiado por ti, podre vulto
O ser outrora culto
Fecha os olhos e obedece.

O céu

A noite solar, o dia lunar
Água de prata ao mar
O vento que voa frio
O raio que nuvem partiu

O crepúsculo aos olhos
Resplandece as rochas negras
E os que desciam mórbidos
Ascendem às doces sedas

A suprema obra majestosa
Que tudo alcança, tudo vê
E a ti, nu, faz à mercê
De uma vasta nuvem gloriosa

As harpas da deusa estrelada
Cantam às flores azuis
E a bela deusa dourada
Fulgura em seu leito de luz.

O tempo

O broto puro da terra sai
Enquanto a folha madura
De velha e triste se vai

No louvor de sua altura
O tronco se entrega à escuridão
Deixando felicidade alguma

O lento e súbito clarão
Dos anos que a terra consome
Do belo à sua podridão

A implacável fúria invisível
Ainda viva enquanto dorme
Faz o silêncio audível

O furacão que o céu tocava
Vai do branco ao torto cinza
A uma brisa fria que se acaba

E o destino que se realiza
Ergue a tumba de sua era
Velando a dor que avisa

A doce morte e sua adaga
Ao que um dia do sol vivera
Fadado agora à eterna amargura.

A amizade

A verdadeira amizade
Duas almas sem maldade
Um prisma de todas as cores
Em que não há a cor das dores

Uma companhia para a vida
Sorriso nos bons momentos
E um ombro de olhos atentos
Na tristeza e na alegria

De que vale grande riqueza
Ou até a mais alta beleza
Se caminhas na tua solidão
Sem amigo para ter como irmão

Lembra então, meu caro ser
Que quando tua vida ceder
Teus amigos contigo estarão
Caminhando juntos à imensidão.

Lealdade

Sê, ó amigo, como a cama
Que com a alta lealdade
Espera todos os dias sua ama

Sê, ó caro, como o nobre cão
Que mesmo maltratado
Tira seus donos da solidão

Age como o tronco caído
Mesmo sabendo que morrerá
É leal ao machado que o fará

Mas não sê como o fraco
Que chora quando sofre
E não cumpre seu trato

Ou o traidor imundo
Das palavras em vão
Do escárnio profundo

Cultiva a tua lealdade
E abre teu coração
Para a alma da bondade.