Coleção pessoal de RemissonAniceto

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PsEUdo (sobre o ofício da escrita):
Assim como desdizer é mentir, não existe o verbo desescrever no sentido de voltar atrás, bem como o despensamento é impossível. E somente a escrita me permite artimanhas involuntárias de ao mesmo tempo ou separadamente ser água e pedra, fogo e cinzas, homem irracional e bicho evoluído, Deus e o Diabo, loucura e sanidade.
Vejo razão em tudo o que escrevo, sou responsável pelo que faço, pelo que digo e pelo que sinto e nunca quis fechar a boca, tapar os olhos e os ouvidos e afirmo que até o sentir é causado pelo que dizemos, pelo que fazemos, pelo que vemos e pelo que escutamos. Afinal, se num determinado momento sou eu eu mesmo, noutro momento sou outro eu ou eu outro, sendo ora uno ora duplo ou múltiplo, imantado por esse turbilhão inexplicável de células que é o mundo mas sem nunca perder a raiz, jamais me porei alheio de mim no que escrevo e nada, nunca, justificaria me fazer impessoal e permitir que outros assinassem por mim.

Nenhum magistrado honesto estará infringindo ou desrespeitando inteiramente a constituição à qual jurou obediência, quando, imbuído de boa fé, de moral e de imparcialidade, decidir de forma contrária a qualquer lei sabidamente parcial, injusta, mal redigida e mal aprovada seja por incompetência, em causa própria ou até mesmo por desconhecimento daqueles que a redigiram e aprovaram.

Escondi o meu amor por você durante tanto tempo, que quando mais queria que eu o revelasse, não tive mais tempo.

Hoje me deu vontade de chorar e chorei
E foi tão bom!
Eu estava muito duro, irredutível
Meu coração sofria mas não se mostrava
Não queria assumir que sofria e chorava por dentro
Então meus olhos não mais suportaram a dor
E desobedeceram às ordens do coração
Meus olhos choraram e choraram
E fizeram bem ao coração que não admitia a dor
Ao coração que não assumia a perda do amor
Hoje me deu vontade de chorar e chorei
Chorei muito muito e me senti tão bem
Que meu coração até agradeceu aos meus olhos
Meu coração se aliviou um pouquinho
Ele também aprendeu a chorar
Aprendeu que de vez em quando é preciso chorar
Que as lágrimas nos dão forças para prosseguir
E resgatar o sentido da vida.

Dependência

Por anos e anos você injetou
no meu corpo e na minha alma o seu doce veneno.
Você é a droga boa, a droga necessária
sem a qual não sei viver.
Por isso esta dependência que me mata,
esta abstnência de você que não posso suportar.
Você me estimulava, me alucinava e de repente...
não te tenho.
Eu te consumia, te cheirava, te comia, te bebia, te sorvia com voracidade,
você me consumia com ardor e agora... me vejo só.
O teu sorriso não existe em outra pessoa,
o teu corpo é singular, a tua voz, o teu olhar,
tuas mãos, tudo em você é único.
Esta voraz necessidade do teu corpo, da tua voz,
da tua presença nos meus dias...
Impossível me abster de você,
sem quem o meu corpo não funciona.
O meu pensamento não tolera a tua ausência
desde que você me aplicou a overdose letal de amor,
me aprisionando os instintos
e agora partiu, deixando-me aqui,
me privando da tua doce presença,
com todos estes sintomas que levam até você.
Sem você o meu organismo não funciona,
eu não sou eu, nunca serei eu.
Poderão encontrar, no chão frio, a prova
do quanto eu te necessito.

Poema glicêmico

O velho lenhador diabético
pegou marmita, um pouco de café
e batata doce,
um quilo de açúcar, machado e foice;
durante o dia suicidoce.

Se algum dia tive medo da morte, agora repito a todo momento: Deus, quando quiseres e se eu merecer, estarei preparado. E peço-te perdão por dizer que o quanto antes, melhor.

Embarque

Quedo-me de frente para o mar
em êxtase
com sua divina grandiosidade.
O mar me espera, sem pressa,
sabedor do seu poder,
ciente da sua atração.
Ah! A brisa nas narinas,
os olhos ondulantes
e o incontido desejo de navegar
navegar navegar navegar.
Na madrugada morna
evola das suas ondas
nos aerossóis de salmoura
o suave perfume da maresia.
Esperei tanto (esperamos tanto)
e agora eis-me aqui, só,
neste ancoradouro vazio.
Não sonhei ficar sozinho e nem aqui
e nem assim e nem agora,
neste desespero a esperar
pelas ondas espumantes
que precipitam-se à minha frente,
brincando de ir e vir,
esticando-se esticando-se
até o momento em que
arrebentarão no meu corpo
e me levarão para outro Porto!

Contrariando Públio Siro, ao amor eu cometi
a ingênua e definitiva capacidade de fugir. Estarei condenado à eterna solidão caso ele tenha se enganado também com relação morte.

Escrever pode ser fácil; ser lido, não.

Infelizmente, o homem pensa, vê, ouve e fala. E a partir do que pensa ver e ouvir, covarde e precipitadamente ele julga e condena. E quando, raras vezes, percebe sua falha, covardemente não a admite publicamente e a guarda para si.
O homem tem por natureza, em maior ou menor proporção, a barbárie enraizada em si. Se possível fosse descobrir e manter vivos apenas aqueles que jamais externassem sua maldade e exterminar os demais de um só golpe, resolveríamos o problema da superpopulação e consequentemente da destruição da natureza, das guerras, do ódio, da fome e do desamor no mundo

O dinheiro não compra
nem o tempo ido
nem o amor perdido

De mim mesmo até posso fugir de vez em quando, mas os cães que ladram tentando interromper o meu caminho jamais me desviarão dos meus objetivos.

O tempo não apaga e nem cura, por maldade ou talvez compaixão ele apenas estende um véu sobre a memória, um véu que de tempos em tempos pode ser erguido ou retirado

O amor nasce do encontro de duas solidões que se compreendem. E na nova solidão compartilhada germinam todos os sentimentos do mundo.

Quando será que esta minha morte chegará ao fim?

Seja amigo leal do tempo, pois ele é mestre tanto na realização de sonhos quanto na diluição da esperança.

Quando Deus nos ordenou que crescêssemos e nos multiplicássemos, Ele esqueceu de complementar: "E que sejam felizes!.

Mesmo sem olhar-se no espelho e até de olhos fechados, o traidor jamais deixará de ver a face da traição.

Se a loucura total e irreversível fosse facultativa para o covarde conseguir a desmemória, a dor da carne, se ainda a houvesse, seria irrelevante.