Coleção pessoal de raye_sinclair

Encontrados 9 pensamentos na coleção de raye_sinclair

31 de outubro
Você nem deve mais lembrar do significado
Você se declarou no fim da tarde
E eu me calei, fraca, quase covarde

Eu estava tão nervosa naquela hora
Mas tudo isso soa patético agora

Eu amadureci
Cresci
E você segue na mesma insensatez
Cadê aquela sua tão famosa lucidez?

Você fingiu ser quem não era
Prometeu, encenou, e depois foi embora

Doeu
Mas saiba: você me perdeu

Perdeu alguém que moveria montanhas
Que estaria ali todas as manhãs
Alguém que te amaria na pior fase
E não fugiria atrás de um disfarce

Agora aguente sustentar essa farsa fria
Você está fadada a fingir dia após dia
Tudo porque não conseguiu ver claramente
O que tinha nas mãos — de forma evidente

Eu faria tudo
Agora fique no mudo

Achei que eu estivesse apaixonada
Eurealmenteachei que te amava
Mas a cada palavra dura que você soltava
Eu lembrava do porquê minhas dúvidas ficavam

Eu mandava mensagem primeiro
Você respondia sempre com tédio
Eu tocava, buscava o jeito
E você parecia em constante receio

Me disseram que intensidade não vale a pena
Mesmo assim, jurei que você fosse minha princesa encantada

Por que eu não notei antes?
Dizíamos ser amantes
Mas éramos tão distantes
Eu me perdi focando em poucos instantes

Eu não te odeio, de verdade
Só não reconheço quem você foi pra mim
Achei que você fosse meu recomeço, minha chance
Mas me iludi — e esse foi o fim.

Percebi minhas pupilas dilatarem
sempre que penso em você,
sinais que o corpo tentou me dar
e eu fingi não perceber.


Meu corpo arrepia ao te ver,
mesmo tentando disfarçar,
eu deveria ter entendido
antes de te deixar escapar.


Era amor no que eu não disse,
no que deixei pra depois,
achei que o tempo esperava,
mas ele nunca esperou nós dois.


Agora resta essa aflição
de um amor que acordou tarde demais,
eu te perdi antes de você saber
e não voltará jamais.

Às vezes me pego rindo pro nada —
é que pensei em você, pode ter certeza.
Pensei em como é linda,
como um quadro renascentista.
Depois, lembrei da sua voz,
mais doce que qualquer melodia de Cazuza.
Aí vieram nossas conversas,
e um frio bom percorreu minha barriga.
Soltei uma risada tão genuína
que pareci criança vendo o coelhinho da Páscoa.
No fim, percebi: você não sai da minha cabeça

O tempo,
que um dia foi quente
como o abraço de uma mãe,
aprendeu a ser frio —
uma noite de inverno
sem estrelas para guiar.

Sempre soube:
não existe para sempre.
Mas não imaginei
que o fim chegaria tão cedo,
nem que a solidão
soubesse meu nome
tão rapidamente.

Era o mesmo lugar,
a mesma paisagem,
mas o mundo muda
quando as estações mudam
e as pessoas também.

O que antes era riso
agora pesa no peito,
memória que fere,
sorriso que dói.

Disseram que
o “felizes para sempre” acaba.
Eu ouvi,
mas não acreditei.

O frio tocou meu rosto
como um despertar brusco,
um tapa da realidade.

Acabou.
De verdade.
E só então entendi:
promessas sem ação
são vazias,
e ninguém vence
uma guerra
lutando sozinho por amor.

Eu me apaixonei pela lua.
Me perguntam por que não consigo seguir em frente.
Eu também não sei.
Talvez porque seu brilho me guiou quando tudo estava escuro,
porque sua aura me aqueceu
quando eu tremia por dentro,
porque sua beleza me hipnotizou
sem pedir permissão.


Eu me apaixonei pela lua.
Mas o que antes parecia tão perto
se tornou distante demais.
Eu tento esquecê-la, de verdade, eu tento,
mas basta olhar para o céu
para lembrar que não posso tocá-la.
Dói tanto —
e ela nem parece se importar.
Ela não se importa, apenas brilha para outros.
Por que eu não posso ser única,
uma única vez?
Por que ela me fez amá-la tanto
se no final iria embora?


Eu me apaixonei pela lua
e, nesse processo,
parei de gostar de mim.
Amei demais e esqueci que existo.
Ela continua entre as estrelas, brilhando,
intocável.
Por que eu me apaixonei pela lua?
Não era óbvio que ela nunca seria minha?
É a lua, afinal.
Ela nunca me pertenceu
e nunca vai pertencer.

São Paulo, 02 de junho de 2025


Para meu amor secreto,





Tenho pensado — com inquieta frequência — em tuas faces rosadas.


E me pergunto: por quê?




Por que tua risada calorosa ainda ecoa mesmo no silêncio?


Por que tua voz gentil persiste em minha mente como um doce tormento?


Por que teu suave cheiro dança no ar que respiro?


Por que teu sorriso surge no instante em que fecho os olhos?


E por que teu olhar intenso me causa profundos arrepios?




Tenho imaginado — com covarde frequência — como seria tua quente companhia a me agraciar a cada dia,


e teu corpo macio a se entrelaçar ao meu a cada noite.



Sim, teu belo rosto habita meus pensamentos —


a cada abrir e fechar de olhos, a cada maldita batida deste meu coração condenado.



Sim, estou condenada a viver por ti, mas não contigo.


Condenada a amar-te em segredo.


Condenada a não tê-la.


Condenada a vê-la amar outra.




E agora, nesta noite fria, escrevo uma carta que jamais lerás,


enquanto minhas lágrimas rolam.


Pois tu jamais me amarás.

Num dia de sol, num parque em flor,

Cercado por risos, calor e amor,

Uma garota de alma tão pura,

Viu algo no chão que pedia ternura.



Um corvo caído, sujo e ferido,

De olhar apagado, peito oprimido.

Os outros diziam: “Não toque, não veja,

Ele vai te ferir, trazer só peleja.”



“Esse corvo é livre, não sabe ficar,

Mesmo se curado, vai te abandonar.

Leva doenças, te fere em vão,

Não merece abrigo, nem teu coração.”



Mas ela, teimosa, quis insistir,

Achou que amor pudesse redimir.

Cuidou com carinho, limpou sua dor,

Mesmo sendo arranhada sem pudor.



Com dedos sangrando, ainda assim sorria,

Mesmo quando a alma já não resistia.

Ignorou alertas, deixou-se doer,

Acreditou que amor pudesse o corvo deter.



E então, num dia tão claro quanto o primeiro,

O corvo se ergueu, virou passageiro.

Abriu suas asas, cortou o céu,

Sem olhar pra trás, sem um gesto fiel.



Não foi por maldade ou falta de afeto,

Mas o corvo é assim — livre, inquieto.

A garota ficou, com o peito em pedaços,

Percebeu que amor demais também deixa espaços.

Eu almejo
Mas não ajo


Eu amo
Mas não exijo


Eu fico aqui
Fingindo que não dói
Fingindo que não sinto
Como se o vazio não falasse comigo


Lembrando do que nunca aconteceu
Esperando o que nunca existiu