Coleção pessoal de Raimundo1973
A Realidade da Vida.
Nascemos sem nada, nus, protegidos pelos pais — que são tudo o que temos no início.
Se viemos ao mundo sem nada, como podemos dizer que temos herança ou bens?
Na vida, o nada é a única segurança que podemos oferecer a quem também nada possui.
O orgulho, a ambição, a vaidade, o egoísmo e a mania de grandeza
são os verdadeiros legados de quem nasce sem nada,
num mundo engessado e corrompido, vivendo em meio ao caos.
Ainda que conquistemos bens com o fruto do trabalho justo e honesto,
na travessia para o outro lado não há o que levar,
pois, assim como chegamos — sem nada — também partiremos com o que vivemos sem nada.
A vida não oferece paz, amor, felicidade, alegria ou emoção.
A vida não é fé, nem misericórdia, compaixão ou gratidão.
A vida não é a força que avança, nem a dominação que determina.
A vida não é justa, nem é a justiça que condena.A vida é o princípio de tudo —
avança mesmo quando tudo parece parado.
A vida é Deus, e nada existe sem ela.
A vida é o maior presente
quando se compreende a engrenagem do viver.
Resmunga e se questiona:
— Por quê?
Por que o povo já não acredita mais em mim?
Pois é, destino...
O povo mudou.
Aprendeu que o destino não passa de uma palavra,
E que palavra alguma é capaz de dirigir uma vida vivida.
Quem vive de expectativas é teatro —
influenciadores.
O povo, esse sim, vive de realidade.
O destino não pode manipular a vida de ninguém.
Não pense que sou apenas um nome,
ou um detalhe despercebido que você não viu.
Sou o que você aprendeu, pôs em prática
e logo esqueceu.
Sou a discórdia que te empurra
para enxergar a verdade
quando te faltam forças.
Sou a luz na estrada deserta,
a sombra no dia de sol,
a água que refresca no calor.
Sou a fé que não cobra devoção,
sou o amor presente,
que não reclama por estar distante.
Sou a vida que te oferece alegria,
emoção, felicidade e paz —
tudo aquilo que um dia você desprezou.
Sou tudo que não exige nada.
99% das brigas nascem da ignorância — por falta de razão, honra, verdade, justiça e lealdade com o próximo. A cegueira cega o coração e enlouquece a mente por uma causa que, no fim, só traz tristeza.
Pendurado no vazio, não há nada para oferecer.
No silêncio, há uma voz que entoa o nome sem palavras —
apenas a respiração fala: o som de Deus.
Não tenho respostas para te dar, já que foste tu quem aprendeu a responder por mim. Tuas palavras não estão nos meus pensamentos, e a tua resposta não saiu da minha boca.
A confusão está aí para quem alimentou o próprio ego. Quando não se sabe o que realmente está acontecendo, é melhor calar a boca do que ferir a própria vergonha.
A noite vaga, sem sonhos de você, linda amante que aquece minha solidão vazia. Assim chega, sem direção, sem avisar o coração que espera por você.
Pode-se cancelar e esquecer tudo o que ouvi como compreensão ou desastre de nós.
Você foi um sonho de magia extravagante, um encanto devasso que devastou minha bondade ardente.
Não encontrei segurança na tua nobreza e, hoje, percebo: fui refém do meu próprio orgulho por não reconhecer a vaidade.
Por tantas vezes buscamos estar diante de nós mesmos sem saber o que procurar, sem compreender o valor de buscar. Perdidos em lugares obscuros, diferentes, profanos e depravados, a procura foi em vão. A empreitada não terminou porque nunca entendemos o endereço: buscar o que, na verdade, não está perdido.
Dirija a tua vida com firmeza, é o que tens de melhor. Até mesmo os desvios podem edificar, ensinar e corrigir, tornando-te o melhor autor da tua própria história vivida.
O teu amor é meu, e o meu olhar é teu. Nossas memórias vividas, palavras bem ditas, formam uma ponte de mãos unidas rumo à felicidade — com o amor de ontem, de hoje e de amanhã.
Quem dormiu em cama de couro, em colchão de capim, tomou óleo de rícino, recebeu injeção de Benzetacil, bebeu emulsão Scott com o biotônico Fontoura, comeu jacuba com carne assada, só tem gratidão aos céus por ter vivido uma infância feliz e abençoada — não a orgulho, mas a amor pela vida vivida.
Outro dia a vi… você estava linda, condenada a viver maravilhosa. Caminhava pela rua em um vestido de tom alegre, e então pensei: que mulher encantadora! A tua nobreza extravagante, devastadora, sensual e ao mesmo tempo meiga, educada, sincera e verdadeira, conquistou a felicidade deste homem forte.
O sol te aquece do frio no inverno sem pedir atenção; agradecer é o mínimo que podemos oferecer a ele assim como a você.
O fraco cerca a casa, contrata segurança e faz de tudo para se sentir protegido e confortável; o forte, porém, confia na própria força, inteligência e sabedoria, e sabe escolher a força em vez da segurança.
Eu não vou lamentar nem provocar lástima por todo o amor que te dei; cada atenção, cada carinho, foi entregue a você com um só propósito, mas não encontrou espaço em tua vida.
