Coleção pessoal de RafiqueAnusse

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A cor da pele não define limites, mas a força de quem a carrega pode transformar fronteiras em horizontes.

Negar a própria origem é como tentar apagar o sol com as mãos — impossível e inútil, porque a luz sempre volta a brilhar.

Racismo é a cegueira de quem não consegue enxergar beleza para além do espelho do próprio medo.

O auto-racismo é uma ferida invisível: não sangra por fora, mas corrói por dentro até silenciar a alma.

Quem tenta embranquecer a sua essência apaga a poesia da sua própria existência

“Quando um negro insulta outro negro por ser mais escuro, está apenas a repetir a voz do colonizador dentro de si.”

“O racismo mais perigoso é aquele que já não precisa de branco para existir: é o racismo plantado na mente dos próprios negros.”

“O auto-racismo é como veneno: bebe-se aos goles, mas mata-se por inteiro.”

A Pele que Somos

Rafique Anusse

Negro chama negro de escuro,
como se a noite fosse vergonha,
como se o sol não tivesse beijado
a pele que o mundo insiste em negar.

Mulata vira troféu de esquina,
filhos claros viram promessa,
e o coração escuro é deixado
num canto, como sombra esquecida.

Mas quem foi que disse
que a lua é mais bela que o céu profundo?
Quem foi que ensinou
que o branco é luz e o negro ausência?

O auto-racismo é ferida aberta,
não sangra para fora, mas consome por dentro.
É língua que fere sem saber,
é olhar que rejeita o espelho,
é sonho que procura clarear
o que já nasceu inteiro.

E eu pergunto:
até quando a cor será fronteira?
até quando o amor será medido
na escala invisível da pele?

Porque ser negro é mais que cor:
é raiz, é memória,
é tambor que resiste,
é noite que guarda estrelas.

O racismo não é apenas um preconceito visível; é uma ferida que se infiltra nos pensamentos, nos gestos e até nos sonhos das pessoas. Ele não se limita à discriminação aberta: muitas vezes, é silencioso, internalizado e repetido pelas próprias vítimas. O auto-racismo, por exemplo, mostra-nos como uma comunidade pode aprender a odiar a si mesma, aceitando padrões de beleza e sucesso que privilegiam outros em detrimento da própria identidade.

Em contextos como o de Namicopo, o racismo não surge apenas na relação entre negros e brancos, mas também dentro da própria comunidade negra. A valorização da pele clara, a idolatria de filhos claros e o desprezo por quem tem a pele mais escura são manifestações de um padrão social aprendido, reforçado por gerações e perpetuado por olhares, comentários e até por comportamentos de ostentação.

A consequência é profunda: o racismo interno gera insegurança, frustração e competição baseada em fatores superficiais. Jovens e adultos começam a medir o seu valor por um critério artificial a cor da pele esquecendo que a dignidade, a inteligência e a criatividade não se pintam. Quem vive sob essas regras aprende a rejeitar-se, a cobrir-se de loções, filtros e máscaras, procurando aprovação em algo que nunca deveria definir o seu valor.

O combate ao racismo, portanto, não é apenas uma luta externa, mas uma tarefa íntima de resgatar a autoestima e a consciência da própria identidade. Cada olhar de rejeição, cada comentário depreciativo, é um convite à reflexão: quem somos para nos julgarmos uns aos outros pelo tom da pele? O valor humano não se mede na cor, mas no respeito, na empatia e na capacidade de construir relacionamentos genuínos, livres de preconceitos.

Enquanto a sociedade continuar a premiar o claro e a desprezar o escuro, o racismo permanecerá como sombra persistente. Mas a mudança começa na percepção de cada indivíduo: ao aprender a valorizar-se, ao reconhecer a riqueza da própria herança e ao ensinar isso aos outros, cada pessoa torna-se agente de transformação. É na consciência e na valorização da diversidade que reside a verdadeira força contra o racismo, seja ele explícito ou internalizado.

Os negros foram feitos, antes de mais, para serem negros; e essa identidade, longe de ser motivo de vergonha ou de rejeição, deve ser compreendida como património, herança e força.

Ser negro não é apenas uma condição física: é carregar histórias, raízes e memórias que resistem ao tempo e às adversidades. Cada traço, cada tom de pele, cada textura de cabelo é testemunho de ancestralidade e de resiliência.

Rejeitar essa identidade é negar a própria história; valorizar a pele clara em detrimento da escura é aceitar padrões alheios que desconsideram séculos de cultura e de luta.

O orgulho negro nasce do reconhecimento da própria beleza, da própria força e do legado que se transmite às gerações seguintes. Ao assumir plenamente quem se é, sem filtros ou loções, cada indivíduo torna-se capaz de transformar a própria vida e influenciar positivamente a comunidade à sua volta.

Ser negro é, portanto, um ato de coragem e de liberdade: é afirmar que a dignidade não depende da cor da pele, mas da consciência do valor intrínseco que cada ser humano possui.

É reconhecer que a verdadeira força não se encontra em padrões impostos, mas na capacidade de amar e respeitar a si mesmo e aos outros, sem discriminação nem auto-negação.

"Ser negro em África, hoje, é desafiante, tal como é desafiante ser escritor num país dominado pela iliteracia."

No interior daquele buraco, tinha mais um....

Calar a boca não significa condenar a pena máxima a voz no teu âmago, não é criar antagonismo entre a voz e as palavras, muito menos impedir que as suas ideologias voem pelo mundo exterior. Mas talvez seja impedir que as palavras espinhosas saiam da sua alma no momento errado.

Assim como o vento rasga as honestas pétalas de uma fiel e exuberante rosa, o tempo e a vida arrancam-nos no momento errado as nossas fontes de felicidade.

Conhecer alguém não é somente chama-la com o seu próprio nome, é acima de tudo sempre que possível reconhece-la perante o seu carisma.

A sinceridade não reside nas palavras, mas sim nas intenções. Se alguém te dizer algo engraçado antes de rir olha para o que esta a sua volta.

Minha tristeza provem do meu fracasso, o meu maior sofrimento justificam os meus sonhos. E o meu lido e belo oficio é te amar.

A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego.

O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas amar tudo que você tem.