Coleção pessoal de pensador
Hoje eu vou sem pressa
E aceito o que me vem de ilusão
Uso um texto ensaiado
Com quem não faz revolução
Só por educação
Vai!
Bota tua cara na rua
E se chover
Que sorte a sua
O relampejo cai
Do teu ensejo vai
Nascer a ruptura
Amanhã será um novo tempo
De dançar solta no vento
E viver livre de vez
Se reinventar a todo instante
Ser humano, ser mutante
Te beijar então, talvez
Tudo que a vida muda
Ninguém vai podar
O caminho da dúvida
Te faz parar
O medo que apavora
Nega a sensação
De que dias melhores virão
Eu te convido e saio
Sem me preocupar
Pego carona e vago
Se vir a calhar
Boto fogo no mundo
Assumo a direção
E te trago pra junto do meu coração
O tempo se foi
E o bem que ficou pra trás
Impede a alma
De olhar pra frente
Por não saber mais viver
Se entregou
E cada vez mais
O abismo cresce em si
Os dias se vão, com o tempo tudo passa
Mas o que permanece pra sempre é o amor
E o anseio por se sentir completo
Termina ao entender que o vazio do homem
É do tamanho de Deus
Eu me desfaço, recaio em teus braços
Por não achar abrigo em outro lugar
Me precipito ao buscar outros mundos
Quando na verdade o tudo já estava bem aqui
Fantasiado por outros caminhos
Aparentemente certos, mas não dão em lugar algum
Volto eu ao início, tal como uma criança
Apontando ao eterno e verdadeiro amor
Espinhos farão parte da tua jornada
Rasgando tua pele sem te poupar nada
Mas ouça a voz que te fala insista
Entregue o teu fardo e leve prossiga
Toda dor que fere a tua alma
Vai cicatrizar até curar
E quando você chegar lá
O passado que antes machucava
Agora abre espaço para o novo
Vai ecoar o meu grito
Para além do infinito
E você vai ouvir
É, e você vai ouvir
Histórias de garotinhas
Numa nova versão
Sem castelo de ilusão
Eu sou isso aí mesmo
Todas juntas numa só
Eu sou desse jeito, poderosa
Eu sou isso aí mesmo
Todas juntas numa só
Eu sou e me deixe ser o que bem quiser
Todo dia piada, cantada
Barra forçada, agressão
Mas mulher já não cala
Grita, berra no meio da multidão
Nós, os negros, somos culpados, por não brigar, não ir em frente, aceitar, ser dócil demais. Não é briga, sair de arma em punho. Brigar pelos seus direitos, brigar pela sua posição. Brigar por morar bem, por comer bem, por educar seus filhos bem. Isso a gente tem que brigar a vida inteira.
Eu procuro, com o meu trabalho, mostrar uma imagem digna da mulher negra. A mulher negra é invisível.
Os autores são quase sempre brancos. Eles contam o mundo deles. Quer dizer, não contam o mundo dos negros.
Vocês estão cometendo um erro trágico de liderança em suas escolas ao colocar pessoas que não leem em posições de autoridade.
