Coleção pessoal de pensador

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Acreditar: significa acreditar nas suas próprias mentiras. E eu posso dizer que sou grato por ter aprendido essa lição muito cedo.

A arte é tão maravilhosamente irracional, exuberantemente sem sentido, mas ainda assim é necessária. Inútil, porém necessária, e isso é difícil para um puritano compreender.

Se o trabalho e lazer estão prestes a ser subordinados a este princípio utópico - ocupação absoluta - então a utopia e melancolia irão coincidir: nascerá uma era sem conflito, perpetuamente ocupada - e sem consciência.

Nenhuma ideia permanece pura. Mesmo o florescimento da arte não é puro. E o sol tem manchas. Todos os gênios menstruam. Na tristeza flutua o riso. No coração do rugido espreita o silêncio.

A arte é inflexível e a vida é cheia de compromissos.

Até os maus livros são livros e portanto sagrados.

Nenhum sociólogo, por exemplo, deve pensar-se bom demais, mesmo em sua idade avançada, para fazer dezenas de milhares de cálculos bastante triviais em sua cabeça.

Não é verdade que o bem pode seguir apenas o bem e o mal só o mal, mas muitas vezes o oposto é verdadeiro. Quem não vê isto, é de fato, um bebê de política.

Especialistas sem espírito, sensualistas sem coração; esta nulidade imagina haver atingindo um nível de civilização nunca dantes alcançado.

A intrusão do dever ser nas questões cientificas é devida ao diabo.

Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive 'para' a política ou se vive 'da' política. Nessa oposição não há nada de exclusivo. Muito ao contrário, em geral se fazem uma e outra coisa ao mesmo tempo, tanto idealmente quanto na prática.

Se eu tivesse minha vida para viver de novo, eu teria feito uma regra de ler alguma poesia e ouvir música pelo menos uma vez a cada semana.

Não consigo me contentar em ver este maravilhoso Universo e concluir que tudo é resultado de força bruta. Sinto que todo esse assunto é profundo demais para o intelecto humano. É como um cão tentando especular sobre a mente de Newton.

Enquanto meio de educação, a escola para mim foi um simples vazio.

Quando mocinhas, elas podiam escrever seus pensamentos e estados d´alma (em prosa e em verso) nos diários de capa acetinada com vagas pinturas representando flores ou pombinhos brancos levando um coração no bico. Nos diários mais simples, cromos coloridos de cestinhos floridos ou crianças abraçadas a um cachorro. Depois de casadas, não tinha mais sentido pensar sequer em guardar segredos, que segredo de uma mulher casada só podia ser bandalheira. Restava o recurso do cadernão do dia-a-dia, onde, de mistura com os gastos da casa cuidadosamente anotados e somados no fim do mês, elas ousavam escrever alguma lembrança ou confissão que se juntava na linha adiante com o preço do pó de café e da cebola.

Selecionei as neuroses mais comuns e que podem nos levar além da fronteira convencionada: necessidade neurótica de agradar os outros. Necessidade neurótica de poder. Necessidade neurótica de explorar os outros. Necessidade neurótica de realização pessoal. Necessidade neurótica de despertar piedade. Necessidade neurótica de perfeição e inatacabilidade. Necessidade neurótica de um parceiro que se encarregue da sua vida – ô! Deus – mas desta última necessidade só escapam mesmo os santos. E algumas feministas radicais.

A minha tiazinha falava muito na falta que lhe fazia esse ombro amigo, apoio e diversão, envelheceu procurando um. Não achou nem o ombro nem as partes, o que a fez chorar sentidamente na hora da morte, Mas o que você quer, queridinha?! a gente perguntava. Está com alguma dor? Não, não era dor. Quer um padre? Não, não queria mais nenhum padre, chega de padre. Antes do último sopro, apertou desesperadamente a primeira mão ao alcance: “É que estou morrendo e não me diverti nada!

Ligo a televisão. Plumas, pedrarias, dourados – é o desfile do carnaval milionário. Os holofotes estão tontos, tonto o cinegrafista porque os apelos são excessivos, tudo é importante, focalizar o passista é perder a mulata que já vem vindo no auge, fantasia de estrela, hora e vez da estrela no carro de glória mas cuidado! Lamês e lantejoulas não cubram os seios, o ventre, o traseiro – câmera abre no traseiro rebolante.

Me leia enquanto estou quente.

Irmãos! irmãos! amemo-nos! é a hora...
É de noite que os tristes se procuram,
E paz e união entre si juram...