Coleção pessoal de pensador
Os sofrimentos desta vida longe estão de obstruir nossa salvação; antes, ao contrário, são seus assistentes.
Ninguém possui coisa alguma, em seus próprios recursos, que o faça superior; portanto, quem quer que se ponha num nível mais elevado não passa de imbecil e impertinente.
O amor é como o álcool, quanto mais somos fracos e bêbados, mais nos acreditamos fortes e espertos, e convencidos de nossos direitos.
A fama que se adquire no mundo não passa de um sopro de vento, que ora vem de uma parte, ora de outra, e assume um nome diferente segundo a direcção de onde sopra.
Entre o risco no prazer e a certeza no sofrer, acabamos sendo socialmente empurrados para a última opção.
Tragicamente, o ser humano se habituou a viver migalhas do amor, porque na sociedade capitalista há uma regra infalível: quem ama não fica rico.
Ser livre agora não garante, pois, que sejamos amanhã. Ser livre é um processo contínuo de ir a luta para garantir as conquistas já feitas e ampliá-las. É isso mesmo o que parece ser nossa liberdade: uma conquista, nunca um direito assegurado.
A decepção é uma espécie de falência: a falência de uma alma que gasta demasiado em esperança e expectativa.
No vasto oceano da vida, velejamos de formas diversas; a razão é o nosso mapa, mas o vento forte é a paixão.
O desapego não é indiferença, covardia ou desinteresse. O desapego é se libertar de tudo aquilo que faz mal e causa sofrimento. Desapegar é sinônimo de se libertar. Soltar as algemas. Colocar asas. Se permitir voar novamente. O desapego é a aceitação, é o desprendimento.
