Coleção pessoal de pensador

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⁠Devo reconhecer que a determinação com a qual me defendo de qualquer possibilidade de repousar talvez não passe de medo de perder essa única fonte de felicidade que é o cansaço.

⁠Aprender a compreender as coisas mínimas que acontecem todos os dias talvez seja aprender a compreender realmente o significado mais recôndito da vida.

⁠Talvez existam pessoas que, conhecendo-se, conseguem se tornar melhores; eu, porém, quanto mais me conheço, mais me perco.

⁠Nós não devemos esquecer de onde viemos.

⁠Desde que eu era muito pequenininha, eu quero explorar terras distantes. Terras sobre as quais só lemos.

⁠O meu maior desejo é conhecer o mundo. Viajar e conhecer de verdade, entende?

⁠A minha felicidade é um pequeno preço a pagar pelo futuro do meu povo.

⁠Acho que a minha definição de riqueza era muito limitada.

⁠É um sonho? Se for, posso entrar e nunca mais acordar?

⁠As primeiras impressões são as que ficam.

⁠Existem muitas histórias de cavalaria. Onde o herói cavaleiro salva a donzela em perigo. Esta não é uma delas.

⁠Quando está trabalhando, nunca atenda a um pedido de ajuda. É clichê. É a minhoca da isca.

⁠O valor vem daquilo que alguém está disposto a pagar por algo.

⁠As pessoas sobrevivem na selva ou existem no zoológico. Poucos reconhecem o significado da reconciliação paradoxal dos dois.

⁠Quero o que é legitimamente meu por proveniência divina.

⁠Acha que é corajoso sair por aí bancando o durão com os amigos? Não é.

⁠Pior velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

A Vida, que ao nascer, enfeita e touca
De alvas rosas a fronte da mulher,
Na minha fronte mística de louca
Martírios só poisou a emurchecer!

E dizem que sou nova... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova... outrora...

⁠Páscoa

Velhice
é um modo de sentir frio que me assalta
e uma certa acidez.
O modo de um cachorro enrodilhar-se
quando a casa se apaga e as pessoas se deitam.
Divido o dia em três partes:
a primeira pra olhar retratos,
a segunda pra olhar espelhos,
a última e maior delas, pra chorar.
Eu, que fui loura e lírica,
não estou pictural.
Peço a Deus,
em socorro da minha fraqueza,
abrevie esses dias e me conceda um rosto
de velha mãe cansada, de avó boa,
não me importo. Aspiro mesmo
com impaciência e dor.
Porque sempre há quem diga
no meio da minha alegria:
‘põe o agasalho’
‘tens coragem?’
‘por que não vais de óculos?’
Mesmo rosa sequíssima e seu perfume de pó,
quero o que desse modo é doce,
o que de mim diga: assim é.
Pra eu parar de temer e posar pra um retrato,
ganhar uma poesia em pergaminho.

⁠Durante toda a minha vida fui ensinado a morrer, mas ninguém nunca me ensinou a envelhecer.

⁠O homem não vive nunca em estado natural; na sua velhice, como em qualquer idade, seu estatuto lhe é imposto pela sociedade à qual pertence.