Coleção pessoal de pensador

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Eu vou ser piloto. O melhor da galáxia. (Han Solo)

Todo mundo suspeita que tem, pelo menos, uma das virtudes cardeais e esta é a minha: sou uma das poucas pessoas honestas que conheci até hoje.

Pare de dar a outras pessoas o poder de controlar sua felicidade, sua mente e sua vida. Se você não assume o controle de si mesmo e da sua própria vida, outra pessoa vai tentar fazê-lo.

A única obsessão que todos querem: "amor". As pessoas acham que, ao se apaixonarem, se tornam inteiras? A união platônica das almas? Eu acho diferente. Eu acho que você está inteiro antes de começar. E o amor te quebra. Você está inteiro e depois está rachado.

A mentira é uma maneira vulgar e desprezível de controlar a outra pessoa. Você fica vendo a outra pessoa agir com base em informações incompletas. Em outras palavras, se humilhando. A mentira é tão comum, no entanto, quando você é a vítima dela, é uma coisa espantosa.

É preciso desfrutar com satisfação o poder, é preciso ter certa crueldade, para aceitar a beleza e não se lamentar com o fato de que ela mesma faz sombra em tudo o mais.

Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados.

errantes
fazemos nossas escolhas
no gramado estendido
deste solstício de inverno

tudo mais falha:
germinar é difícil
mais difícil permanecer intacto

todo mar é
uma clausura extrema

mas nem o que o retém
o excede

A vida é uma estrangeira
para ser contemplada
enquanto algo
— indefinível como a flama —
nos diz
que tendemos à dissolução

UM CONTRAPROGRAMA

1
esta montanha invade a cidade
e à sua margem penso
não no silêncio, na astúcia
e no exílio (que já foram
tentados a contento) mas
do lado de dentro
mesmo que impossível
extraviar-me no alheio

2
o alheio: não o outro
do morro ou o rosto
da rua, mas o que
ainda despercebido pulsa
e sobreviverá ao tempo
porque o fim disto
– desta cidade – não é
o de todas as coisas.

veja, aqui é silêncio
mas se olharmos com mais calma
ali no canto há uma luta de morte
entre um besouro e as formigas.
num jardim, assim como no mundo,
sempre tem coisas acontecendo

Repetia o mesmo texto
e se julgava sábio,
o eufemismo de fundo

A vida se aprende.

Poder é perigo
e hoje acordei
rindo

Dom é tom
e hoje acordei
rindo

Querer é criatura
e hoje acordei
rindo

Na cara a boca
na pia o prato
sujos de feijão.

Quem já fez
de uma pedreira
seu beliche

Não tem medo de veneno
não tem medo de viagem
come o esqueleto da maçã

Não deu meio-dia
e cabe mais medo na cabeça
que panela em cima da mesa

E esse barulho
é chuveiro quente ou fritura?

São nem quatro da tarde
mas já dói o poente,
o modo, a morte e o mérito

E esse barulho
é ventilador de teto ou pião?

Não é meia-noite
andei a vida inteira
melhor é caminhar

E esse barulho
é chuva ou salva de palmas?

falamos sobre o percurso até o fracasso
ou sobre como falar em fracasso talvez
já seja um passo adiante
um passo adiante do fracasso
o passo não sei bem em que direção

ficamos quietos por tempo demais
com medo de dizer a coisa errada
no telefone não tinha como saber
se você me olhava nos olhos

esses dias de tédio
em que se tem tempo –
tempo só se arranja quando
não se tem
quando sobra desse jeito
a gente repete os assuntos
o ônibus chega rápido
e os trajetos ficam curtos
– de repente
readaptar-se à própria casa
como foi lá? bom
rever os gigantes, os mínimos
dedicar a eles igual dose
de carinho ou indiferença
usar as roupas que ficaram
meses dobradas no armário
com cheiro de sachê
nessas tardes sem compromisso
esticadas com rolo de macarrão
tudo é longo
nada dura

um enorme rabo de baleia
cruzaria a sala nesse momento
sem barulho algum o bicho
afundaria nas tábuas corridas
e sumiria sem que percebêssemos
no sofá a falta de assunto
o que eu queria mas não te conto
é abraçar a baleia mergulhar com ela
sinto um tédio pavoroso desses dias
de água parada acumulando mosquito
apesar da agitação dos dias
da exaustão dos dias
o corpo que chega exausto em casa
com a mão esticada em busca
de um copo d’água
a urgência de seguir para uma terça
ou quarta boia e a vontade
é de abraçar um enorme
rabo de baleia seguir com ela