Coleção pessoal de pensador
O espírito humano era o remédio mais forte da terra. E às vezes tudo que precisava era de um pouco de incentivo para realizar um milagre.
Dependendo da situação, às vezes você pode conhecer melhor uma pessoa em dez minutos do que alguém com quem passou a vida toda.
Pequenos erros tendem a conduzir a grandes erros. Nosso dever é vitalício e tudo o que você tem é a sua reputação. Uma vez que ela se perde, não volta mais.
Amo esse barulho. O vento passando pelos galhos das árvores. Acho que é o barulho que mais amo no mundo.
Não me importa como nem por quê. Se você me quiser de qualquer jeito que seja, não precisa explicar. Já sou seu.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e
fome.
A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas.
A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
o eco da vida-liberdade.
Todas as manhãs junto ao nascente dia
ouço a minha voz-banzo,
âncora dos navios de nossa memória.
E acredito, acredito sim
que os nossos sonhos protegidos
pelos lençóis da noite
ao se abrirem um a um
no varal de um novo tempo
escorrem as nossas lágrimas
fertilizando toda a terra
onde negras sementes resistem
reamanhecendo esperanças em nós.
Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.
Quando realmente chegar o dia em que tenhamos que nos separar, se minhas últimas palavras não forem “Eu a amo”, você vai saber que foi porque não tive tempo.
