Coleção pessoal de pensador

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Ela não me ensinou apenas a amar. Ela fez algo muito maior. Ela me ensinou a viver. E não quero fazer isso sem ela.

É que eu me apaixonei por essa garota incrível no meu primeiro ano. Só que eu não sabia como estar apaixonado, então fiz a única coisa que podia para mantê-la por perto. Eu virei amigo dela. Virei seu melhor amigo e enterrei todos os meus sentimentos de forma tão profunda que nem os reconheci, porque os sentimentos dela eram tudo o que importava, e ela gostava desse outro cara.

Por que vocês acham que acontecem guerras em seu lar? Por que acham que as pessoas ficam confusas, infelizes? Porque elas vivem suas vidas à parte, na individualidade.

Não podemos aceitar nenhum crédito pelos nossos talentos. É como nós os usamos que conta.

Se não for infeliz às vezes, você não saberá como é ser feliz.

O único modo de lidar com um assunto extremamente sério é tratá-lo com um pouco mais de leveza.

Amar é ser vulnerável; e é apenas ao ser vulnerável e ao correr riscos – e não com a segurança – que superamos as trevas.

A vida, com suas regras, suas obrigações e suas liberdades, é como um soneto: você sabe a fórmula, mas precisa escrever o soneto por conta própria.

Dentro das nossas limitações de ser humano, nem sempre somos capazes de entender as explicações. Mas, veja bem, não é porque não entendemos alguma coisa que essa explicação não existe.

nada peço aos deuses
ou ao deus
mas no verso simples
e exato
eu creio.

a palavra amor
comporta todo esse desastre
todo esse choro e desencontro
todas as guerras pelo nome
Helena
ou Fatma
ou Maria
ou César
ou Miguel
etc etc ao infinito?
a palavra amor
comporta todas as tecnologias
para um abraço
o avião o trem
a velha carroça encostada nos fundos da casa
e essas cartas
essas músicas
essas joias e penduricalhos?
a palavra amor
comporta todo os filmes
do cinema americano
as balas zunindo de ciúmes e desengano?
a palavra amor comporta
todos os verbos
e esses versos mal escritos
que envergonhariam os primeiros
habitantes das cavernas?
a palavra amor comporta
tanto bicho morto
pilhas de livros
tantas fogueiras
e luas ao redor do sol
e ainda as vozes que pairam sobre as cabeças
eu te amo te amo te amo?
a palavra amor
[esse móbile girante
objeto perfuro-cortante]
comporta a minha vida
e a tua?

Eu disse à árvore:
me abençoa, árvore,
sê minha avó
minha mãe
minha filha.
sê tu, árvore,
minha ilha de pássaros
e verdes
meu eterno retorno
pulmão e coração
meu berço minha rede.
ela, a árvore,
nada nem disse
e ficou ali naquela existência
sua de árvore
minha avó
minha mãe
minha filha
como todas as coisas são
sem precisão de bússolas
ou outras confirmações.

há muito que os dinossauros
não andam nem sobrevoam
esse mundo
há muito que as coisas
se quebram sem conserto
no entanto fósseis de brinquedo
fabulam outra realidade

a mulher presa ao poema
se extingue e ressuscita
em movimento perpétuo.

tem duas asas ocultas
uma coleção de imperfeições
e uns trezentos sonhos
que não cabem no retrato.

todo dia
uma coisa sangra em mim
entre o abismo e o voo
entre a asa e o salto

eu nunca me matei
todo dia insisto
nesse nascer continuo

poema

o amor só entende
o osso
o sacro
o ísquio
o ílio
suas cavidades
e fossos

o amor só atende
ao osso
seus canais
e cristas
suas linhas
e esboços

o amor se distende
em osso
suas ligas
forames
seus
ramos
seus poços

o amor só se rende
ao osso

MARFIM

A moça desceu os degraus com o robe
monografado no peito: L. M. sobre o coração.
Vamos iniciar outra Correspondência, ela
propôs. Você já amou alguém verdadeiramente?
Os limites do romance realista. Os caminhos do
conhecer. A imitação da rosa. As aparências
desenganam. Estou desenganada. Não reconheço
você, que é tão quieta, nessa história. Liga
amanhã outra vez sem falta. Não posso
interromper o trabalho agora. Gente falando por
todos os lados. Palavra que não mexe mais no
barril de pólvora plantado sobre a torre de
marfim.

Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem
medir as conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E
que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra
cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma
graça atravessando o estado de São Paulo, de madrugada, por
você, e furiosa: é agora, nesta contramão.

amor
bateu
para ficar
nesta varanda descoberta
a anoitecer sobre a cidade
em construção
sobre a pequena constrição
no teu peito
angústia de felicidade
luzes de automóveis
riscando o tempo
canteiros de obras
em repouso
recuo súbito da trama

Flores do mais

devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais