Coleção pessoal de pensador
Ah, Senhor, os dias correm vagarosos como caramujos, os anos não perduram mais que uma fagulha, o passado não acaba nunca.
A vida devia ser duas; uma para ensaiar, outra para viver a sério. Quando se aprende alguma coisa, está na hora de ir.
Pergunte a um cientista nuclear o que é a realidade e ele vai gaguejar, se for honesto. Mas existe uma realidade percebida, e o ser humano não pode tolerá-la e aí altera a percepção.
Ah, como passam as coisas deste mundo, nada do que se contrói é perene, nada do que se faz é bem lembrado além de seu tempinho, nada fica como está, nunca se volta, nunca se volta.
Se não houvesse livre-arbítrio, o homem não seria nada, não poderia aspirar a nenhuma dignidade, pois que não teria responsabilidade de que, se queremos que o mundo melhore, devemos fazer por onde ele melhore, já que o mundo é nosso, é do homem e a ele foi dado. Não se pode querer que Deus resolva os problemas do homem, porque, se o fizesse, retiraria do homem a responsabilidade e, por consequência, o livre-arbítrio.
Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é querer que o outro não tenha.
A pessoa deixa de realizar o seu potencial, consumida que fica pela inveja. E quase sempre a razão da inveja é imaginária, porque, como a inveja traz esse sentimento de inferioridade, você se sente o pior dos seres, o mais desprotegido, o mais carente de qualidade.
Se a inveja produz tanta perda de autoestima, então o melhor remédio é a alter estima, a estima do outro, o amor, o afeto, a amizade. O amor a você mesmo e aos outros. É o que cura a inveja.
A inveja não é você querer o que o outro tem (isso é a cobiça), mas querer que ele não tenha, é essa a grande tragédia do invejoso.
Uns fogem do amor e outros procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica, em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio.
Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia.
Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. Quando minha cólera está diminuindo e eu perco a vontade de cobrar o que me devem, eu sento na frente da televisão e, em pouco tempo, meu ódio volta.
Já foi dito que a conquista da glória é um processo que se inicia com um impulso destrutivo e se encerra com a obtenção de um triunfo vingador.
Todas as pessoas que viajam apreciam essa sensação de andar pelas ruas de uma cidade que não é aquela em que se vive, sem pressa, sem hora de voltar para casa. Por quê? Porque não há casa, lar doce lar, para onde voltar. A casa é uma prisão, mesmo se você vive sozinho. Uma prisão à qual você se acostuma, como os animais do jardim zoológico se acostumam com as suas jaulas.
Mesmo que você tenha arrependimentos, mesmo que tenha remorso, você deve lutar. Se você tomou a decisão de lutar, lute, lute com tudo o que tem. Não desista por um segundo, um momento ou um instante. Agarre-se avidamente à vitória que tem à sua frente.
Se você ainda pode ficar de pé, se seus dedos ainda se moverem, se todos os seus dentes não quebraram, fique de pé e lute. Você deve lutar!
