Coleção pessoal de pensador
aviso I:
este livro não é
um conto de fadas.
não há nenhuma
princesa.
não há nenhuma
donzela.
não há nenhuma
rainha.
não há nenhuma
torre.
não há
dragões.
há apenas
uma garota
diante da
difícil tarefa
de aprender a
acreditar
nela mesma.
para o menino que sobreviveu.
obrigada por me inspirar a ser
a garota que resistiu.
você tem
um raio na testa
para mostrar isso,
e meu corpo inteiro é
uma tempestade.
Nós morremos. Esse pode ser o sentido da vida. Mas nós fazemos a linguagem. Essa pode ser a medida das nossas vidas.
Escrever é realmente uma forma de pensar - e não apenas sobre sentimentos, mas também sobre coisas que são díspares, não resolvidas, misteriosas, problemáticas, ou apenas doces.
Num determinado ponto da vida, a beleza do mundo torna-se suficiente. Você já não precisa de fotografar, pintar, ou até recordar. É suficiente.
Eu sei que o mundo está machucado e sangrando, e embora seja importante não ignorar sua dor, também é crítico se recusar a sucumbir à sua malevolência. Como o fracasso, o caos contém informações que podem levar ao conhecimento - e até à sabedoria. Assim como arte.
Eu não faço distinção entre o artista e o resto do mundo, o chamado mundo real do trabalho cotidiano. Eu não subscrevo a teoria do artista como uma espécie de estética separada sentada na torre de marfim sofrendo e falando de beleza. É trabalho, é trabalho duro...
Se você é livre, precisa libertar outra pessoa. Se você tem algum poder, então seu trabalho é capacitar outra pessoa.
todos os dias penso em te escrever um cartão-postal
separo as conchas, as sementes e as ilhas
disponho-as ao modo de um mapa em relevo
a cartografia do nosso afeto
intermitente
os sambaquis se elevam à medida que entramos nas grandes fossas
abissais do nosso tempo
soníferas
com azulejos de líquens e outros musgos bem chiquitos
os corredores estreitos da casa em que
toco a campainha e os peixes-espadas cantam teu nome
estou dobrando as roupas enquanto você dorme tão bonito
estou contando todos os espaços entre as tuas pintas
todo o vazio que sobra
as cores que te caem bem
os tons amadeirados
macios
colibris aqui não me beijam
há uma festa no horizonte
gosto porque a vida ali é honesta
é um susto
não uma proposição
faço isso por resistência
à solidão de uma pedra
quando acordo
há sempre um buraco
no peito
fico um tempo
observando
vendo se dali sai
algum bicho
uma canção
e vou tapando
com os inventários todos
possíveis.
Algumas pessoas acreditam que se contarmos uma história várias vezes ela se torna real. Ela nos torna quem somos. E isso pode ser assustador.
O livro de Sarah Bellows. Histórias que se escrevem sozinhas e que ganham vida. Quem começou com isso?
Esta cidade contou histórias sobre mim. Histórias horríveis. Mas ninguém percebeu que eu tenho minhas próprias histórias assustadoras.
Durante anos, as pessoas desta cidade mentiram sobre mim. Me trancaram longe, me chamaram de monstro. Agora vão ter o monstro que tanto merecem.
Vocês não me seguem porque eu sou o mais forte. Pax é o mais forte. Vocês não me seguem porque eu sou o mais inteligente. Mustang é a mais inteligente. Vocês me seguem porque não sabem para onde estão indo. Eu sei.
