Coleção pessoal de pensador
Teus vocábulos são lobos vociferando nos vãos de minha vigília.
Negros chacais riscando sílabas em minha cintura.
Percorrendo a cordilheira encarnada de meus cabelos.
O terraço afogueado de meu ventre.
Imolação
Dentro dos poemas
os espelhos rosnam
cães açulados
o sangue cintila na jugular
Sou devorada pelas imagens
O capitalismo não pode imaginar um mundo em que a produção seja dissociada do trabalho e dos salários.
Talvez a resposta seja que é necessário desacelerar, desistindo finalmente do fanatismo econômico e repensando coletivamente o verdadeiro significado da palavra "riqueza". "Riqueza" não significa que uma pessoa possui muito, mas se refere a alguém que tem tempo suficiente para apreciar o que a natureza e a colaboração humana colocam ao alcance de todos.
A idéia do futuro é central na ideologia e energia do século XX e, de muitas maneiras, está misturada à idéia de utopia.
O dinheiro é o nosso abrigo, a única maneira de termos acesso à vida. Mas, ao mesmo tempo, se você quer dinheiro, precisa renunciar à vida.
Somos uma sociedade extremamente violenta com nossas crias. Insistimos em não atender as queixas dos bebês, que dependem exclusivamente do cuidado dos adultos.
O selvagem torna todas as mulheres saudáveis. Sem o lado selvagem, a psicologia feminina fica desprovida de sentido.
Quando nós, pais, temos dificuldade de dar à criança aquilo que ela pede, devemos rever nosso próprio desamparo infantil ao invés de colocar a culpa na criança.
Nenhuma mulher deveria passar dias sozinha com a criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não quando somos julgadas, criticadas ou aconselhadas. Simplesmente ter outras pessoas por perto, se possível outras mulheres que estão passando pela mesma fase.
Se não assumirmos individualmente a responsabilidade de nos compreender e compreender o próximo, não é possível haver mudança.
Se há algo dentro de você que não está bom, é sinal de que é preciso entrar em contato com a essência e achar o ponto de ignição da sua alegria e felicidade.
Pense no movimento das ondas que vêm e vão, num processo contínuo de mudança. Uma onda não é igual à outra.
Uma coisa é preocuparmo-nos com a morte de outro, ao longe. Outra é, de súbito, tomar consciência da própria putrescibilidade, de viver na vizinhança da própria morte, de contemplá-la enquanto possibilidade real. À partida, é esse o terror suscitado pelo confinamento a muita gente, a obrigação de, por fim, responder pela sua vida e nome.
A política se converterá na luta de rua e a razão não importará. Nem os fatos. A política voltará a ser um assunto de sobrevivência brutal em um ambiente ultracompetitivo.
