Coleção pessoal de pensador
Cá pra nós
Mulher tem que ter poder
Pois na vida moderna
Viver subalterna foi o que ficou pra trás
Um século dois ou mais
Je vois la vie en rose
O tal cupido me flechou de jeito
Romance pesadão, clichê
Moi mais tu
Cachaça de Jambu flambada com glacê
Très bon
O nosso lance é sabor de pimenta
Mon dieu
Se alguma coisa acontecer com o filhote antes de deixar o ninho, a responsabilidade recairá sobre os pássaros pais.
Ouve o som que te acalma
Vê do que transpassa a alma
E caminha devagar nas ondas do teu próprio mar
Música
Algo de miraculoso arde nela,
fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar
depois que todo o resto tem medo de estar perto.
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores explodissem em versos.
O último brinde
Bebo à casa arruinada,
às dores de minha vida,
à solidão lado a lado
e à ti também eu bebo –
aos lábios que me mentiram,
ao frio mortal nos olhos,
ao mundo rude e brutal
e a Deus que não nos salvou.
E se, neste país, um dia decidirem
à minha memória erguer um monumento,
eu concordarei com essa honraria,
desde que não me façam essa estátua
nem à beira do mar, onde nasci –
meus últimos laços com o mar já se romperam –,
nem no jardim do Tsar, junto ao tronco consagrado,
onde uma sombra inconsolável ainda procura por mim,
mas aqui, onde fiquei de pé trezentas horas
sem que os portões para mim se destrancassem.
Aprendi a viver com simplicidade, com juízo,
a olhar o céu, a fazer minhas orações,
a passear sozinha até a noite,
até ter esgotado esta angústia inútil.
Enquanto no penhasco murmuram as bardanas
e declina o alaranjado cacho da sorveira,
componho versos bem alegres
sobre a vida caduca, caduca e belíssima.
Volto para casa. Vem lamber a minha mão
o gato peludo, que ronrona docemente,
e um fogo resplandecente brilha
no topo da serraria, à beira do lago.
Só de vez em quando o silêncio é interrompido
pelo grito da cegonha pousando no telhado.
Se vieres bater à minha porta,
é bem possível que eu sequer te ouça.
Asa
Eu vivo como um cuco no relógio.
Não invejo os pássaros livres.
Se me dão corda, canto.
Só aos inimigos
Se deseja
Tanto.
Nem sempre você encontrará o que procura na primeira porta pela qual se embrenhar. Nem sempre a porta certa lhe trará a solução de imediato, pois resolver seu problema não depende apenas do que está por trás dela, mas também da paciência de quem entra, da sabedoria de quem o recebe e da dose ideal do elixir para sua mazela. Até aqueles que não solucionaram sua angústia tentaram fazer a diferença. Há outras passagens que você ainda não experimentou e que o direcionarão para o que almeja.
Qualquer que seja a altura do muro que você deva transpor, a única diferença é que necessitará de mais esforço para ultrapassá-lo. Não há limites para perseguir o desejo. Não há cansaço que não se resolva com pausas revigorantes para depois continuarmos a suar rumo ao desígnio. Só chega quem continua. Muitos param pelo caminho, mas muitos chegam. Qual é a sua escolha?
Duvide de sua incapacidade. Você remói seu drama constantemente e se esquece de que está vivo e pronto para lutar!
