Coleção pessoal de Patrick_Vieira

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⁠"Ajoelhado no Deserto"

“Não é mais pra ser”...
e essas palavras se fincaram em mim
como faca sem dó,
como prego sem martelo.

“Espero que ache alguém...”
— como se fosse simples,
como se o amor fosse mercadoria,
como se meu coração não estivesse em pedaços
no chão desse quarto sem cor.

E ela sumiu…
e eu fiquei,
ainda aqui,
ajoelhado no meio dos cacos,
orando sem fé,
clamando sem acreditar,
implorando sem esperança.

Dia trinta e sete...
trinta e sete dias de jejum, de lágrima,
de um propósito que virou tortura,
de uma oração que mais parece um grito mudo,
um pedido de socorro que nem sei mais pra quem faço.

E sabe o que dói?
É que eu continuo...
mesmo quebrado, mesmo desacreditado,
eu ainda oro,
porque no fundo, no mais fundo,
tem uma parte de mim que, mesmo desacreditando,
ainda espera...
ainda sonha...
ainda deseja que Deus me escute,
porque ninguém mais parece ouvir.

Eu só queria entender,
se amar foi meu erro,
ou se o erro é ser eu...

⁠"Refém de Mim"

É madrugada e o silêncio grita,
me aperta, sufoca, me limita.
A cama parece um campo de guerra,
onde o travesseiro é refém da minha tristeza.

Me perco nos olhos que não estão,
no amor que finge que foi ilusão.
Mas eu sei... no fundo eu sei,
que amar não é erro, mesmo se eu calei.

O telefone não toca, ninguém vem,
o peito pesa, ninguém me mantém.
Meu avô luta, minha vó se perdeu,
minha mãe se apoia no que restou... eu.

E o emprego, e a vida, e as contas, e o mundo...
Tudo pesa num segundo.
Queria sumir, ser fumaça, desaparecer,
mas, mesmo querendo, não sei nem como fazer.

Tem dias que penso em ferir minha pele,
como se ela pudesse gritar o que minha alma não consegue.
Mas no fundo, lá no mais fundo,
eu só queria um abraço, um colo, um refúgio seguro desse mundo.

Se poesia é pra curar, que ela me cure,
se é pra salvar, que ela segure.
Que cada palavra seja um sopro de vida,
que me lembre que apesar da dor...
eu ainda respiro. Eu ainda existo.
E talvez... só talvez... isso já seja um sinal de que ainda há caminho,
de que não acabou, e que eu não tô sozinho.

⁠“Quando Até Deus Se Cala”

Sento no chão...
e o mundo inteiro perde a cor.
Só existe eu,
o silêncio…
e esse vazio que me mastiga por dentro.

O peso nas minhas costas
é de coisas que nem deveriam ser minhas.
Culpa, cobrança, expectativa,
como se eu, só por ser mais novo,
não tivesse direito de cair,
de doer,
de quebrar.

O amor que dei...
foi embora nas mãos de quem nunca soube cuidar.
Me humilhei pra ter migalhas,
e no fim, só ouvi:
“Não é mais pra ser... me desculpa...”
Desculpa?
E depois... silêncio.
Sumiu.
Me deixou refém de memórias que só eu carrego,
sentindo falta de alguém que não sente de mim.

E eu?
Fiquei.
Ajoelhado...
gritando pra um céu que parece surdo,
orando por 37 dias...
e Deus?
Deus não me respondeu.
Não veio um sinal,
não veio uma resposta,
não veio nada.

Só o eco do meu próprio desespero
rebatendo nas paredes do quarto,
nas paredes da alma.
E eu me pergunto:
"O que eu fiz de errado?
Por que sou sempre eu?
Por que até Deus se calou pra mim?"

A cabeça pesa, o corpo treme,
a mente grita:
“Acaba com isso. Some. Desaparece.”
E por um segundo… parece até que seria paz.

Mas, mesmo destruído,
com o peito rasgado e a alma quebrada,
uma voz fraquinha, bem lá no fundo,
ainda teima em sussurrar:
“Se você ainda respira…
é porque não acabou.
A dor não é o fim.
Você não é o fim.”

Talvez… só talvez…
mesmo quando até Deus se cala,
Ele ainda tá aqui,
só esperando eu levantar,
nem que seja rastejando,
nem que seja só pra provar pro mundo…
que eu não vou morrer aqui.

⁠Amor Eros. Talvez você nem saiba o que significa, mas, antes de eu te explicar, preciso te dizer algo: é um sentimento assustador. Você tem medo de se machucar ou de machucar alguém. É o amor mais confuso que existe. Por que confuso? Você se pergunta. Porque esse amor beira o amor Philia e o amor Ágape. "Você é maluco!", deve ser o que pensa. Mas vamos lá: quantas vezes você já se apaixonou e pensou que amava aquela pessoa mais do que tudo na vida, e, no final, descobriu que apenas confundiu com o amor Philia? Quantas vezes se afastou, perdeu uma amizade por causa dessa confusão? Agora deve estar pensando: "Que amor horrível é esse?". Mas não é horrível. É um amor que precisamos entender e diferenciar. E, para explicar melhor, vou fazer uma poesia.
Amor, paixão e confusão
Amor, qual amor? talvez seja o maior enigma,
calma aqui eu te conto,
é o eros ou romantico,
aquele amor que sente por um conjugue
Mas eis que a confusão se insinua,
entrelaçando a mente com o mundo da lua.
Será desejo ou ilusão?
Um furacão ou só uma contramão?
Mas na bagunça há beleza pura,
um caos que a alma não censura.
Pois quem ama, mesmo em desatino,
abraça o fogo e o destino.
Então que venha a confusão,
queimar de amor é nossa missão.
Entre beijos, lágrimas e calor,
vivemos o doce enigma do amor.

⁠Você é pra mim o que o amarelo era pro Van Gogh
Uma explosão de luz em minha tela escura,
Com pinceladas de amor, no coração, algo novo,
Nossas cores se misturam, numa paleta de ternura.

Você é pra mim o que a Mona Lisa foi pro Da Vinci
Um enigma encantador, um sorriso profundo em seus olhos, descubro meu mundo e princípios,
Cada traço de sua alma é meu tesouro no mundo.

Você é pra mim o que a melodia foi pro Mozart,
Notas que tocam meu ser, uma sinfonia de paixão,
Seu amor é a canção que enche meu mundo de arte,
Em sua harmonia, encontro a completa gratidão.

Assim como o amarelo inspirou Van Gogh a criar
E a Mona Lisa intrigou Da Vinci a contemplar
E como Mozart deu vida à música e ao som,
Você, meu amor, é minha inspiração, é o meu dom.

Como cores, sorrisos e canções, eternamente raro,
Para eles, cores, harmonia e sorrisos é muito mais do que podemos enxergar
Este poema é só para nós, um segredo compartilhado.

⁠ “Quase lá”⁠

É o que a gente é
Não somos mais que amigos
Porquê “você sabe o que vai dar”
“É melhor deixar do jeito que tá”
Afinal
Não é amor
É quase lá
Temos o fósforo e a Caixa
Mas a gente não pode usar
“É melhor não acender”
“Deixa só na faísca”
“E se a chama se descontrolar”
Eu gosto do jeito que tá
Mas eu gosto muito mais de te olhar
Muito mais de te beijar
Eu gosto de te ter
Só pra mim
E só de pensar em te dividir
Você sabe
Que não vai dar
Mas olha isso não e sobre amar
É quase lá
E quando perguntam
“o que vocês são?”
“Somos amigos!”
É o que eu vou falar
Mas aí eu vou lembrar
Do jeito que a gente
Quase consegue se amar
E de como facilmente eu poderia
Tentar chegar lá
Quem sabe conseguir
E deixar no passado
Esse nosso
“Quase lá”