Coleção pessoal de ozlaissa
Victor tocou o impossível,
mas temeu o próprio milagre.
A Criatura descobriu sozinha
que o mundo não abraça o que não compreende,
mesmo quando o gesto é puro,
mesmo quando o coração recém-nascido
só deseja ser visto.
O que poderia ter sido belo
foi lançado à sombra
pela pressa em julgar
e pela falta de afeto.
Houve um rosto que o enxergou,
um sopro breve de humanidade
arrancado do seu caminho.
E estando vivo, carregou a morte,
sabendo que até a esperança dos vivos
tem vida curta demais.
A morte do fim.
Criamos e idealizamos um divino que possa aliviar o nosso sofrimento de existir sem respostas e sem sentido. A falta de respostas da vida e do que vem depois da morte inquieta a nossa mente, fazendo com que esperemos que a nossa existência se encha de alguma esperança.
Ao mesmo tempo, também queremos nos sentir seres especiais, carregados de significado aqui e além daqui. A vida parece injusta quando pensamos que a morte pode ser apenas o fim, mesmo que o fim seja, de fato, a própria morte.
O Suor, a Heineken e as Metonímias da Vida
Através do suor foi que eu me acostumei,
Me acostumei a tomar uma Heineken,
Ligar meu HP, comer um Subway e transformar a marca em produto.
E nessa mesma dedicação foi que eu me entreguei,
Me entreguei a ler Clarice Lispector,
Estudar Freud, apreciar Monet,
E substituir o autor pela sua obra.
E nunca me deixei faltar,
A inspiração para criar,
A força para persistir,
E a causa para avançar,
Transformando o esforço em efeito.
Todo Ato Banal
Mania, mas não a de você,
Mania de mania, maníaca,
Que explica a intensidade,
A energia e a sua falta.
Mania de querer se entender,
De abraçar as antíteses,
Ser desvairado, louco,
Perdido em suas certezas.
Talvez tudo não passe de hipérbole,
Pois está para nascer um sujeito "normal".
O mundo é abrigo de insanos,
Um lar de almas em desatino.
