Coleção pessoal de omagodaspalavras
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Formulações elegantes, pensamentos rarefeitos:
eis o velho luxo da retórica
quando o conceito se ausenta.
Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.
Seria o rigor a forma mais honesta de respeito pelo real?
Complexidade não confunde;
quem simplifica demais
é que oculta.
A sofisticação sem ética
é o ornamento da desigualdade.
A sagacidade percebe antes, e, por isso,
paga antes também.
Argúcia é inteligência com dentes;
perspicácia, com silêncio.
Discernimento é separar o ruído do poder que o produz.
A acuidade revela o mundo;
a lucidez revela
o custo de vê-lo.
A consciência que não questiona o próprio desejo permanece como espectadora das próprias limitações.
A tal da escuta ativa não apressa respostas, só... ativamente, escuta.
Qual atitude concreta tornaria minha fé mais honesta hoje?
Espiritualidade sem prática é autoengano.
Sabedoria é
atravessar o mundo
sem endurecer o coração.
O que eu critico (ofendo e/ou julgo) nos outros que temo reconhecer em mim?
Toda verborréia técnica mascara relações de poder.
A violência mais eficaz é aquela que se chama normalidade.
Letras em pálidas folhas de papel, códigos decorados por mulheres e homens da lei, que, em seu íntimo acreditam, e em seu público performam uma manutenção de privilégios que reforça mesmo “sem querer” as desigualdades.
Projeta, constrói e conserta.
É preciso reabilitar as memórias interditadas pela colonialidade.