Coleção pessoal de MellGlitter
...e nessa história sem pé nem cabeça, eu me ajeito e tento me encaixar em algum lugar...
É que tem momentos na vida, que a gente resolve ficar, não por que quer... Mas porque é necessário primeiro se terminar uma história pra se começar outra.
Às vezes, esta outra, nunca chega...e a gente vai ficando e percebendo que na verdade a outra história nunca irá chegar se não formos até à ela.
...e entre tantas vontades e sonhos, acabei ficando por ali, naquele trecho da vida de outro alguém, como um rascunho, um ensaio.
Nem tão triste, mas nem tão feliz...Algo como um meio termo, como todos aqueles que se condenam a viver uma história que não é sua.
...dava sim vontade de ir embora, de viver a vida de um outro jeito, com uma nova perspectiva....Mas na bagagem existia o medo: de fracassar, de errar, de arrepender-se, de sei lá mais quantos medos vestidos de Bicho Papão!
E eu ficava contando os dias que me faltavam para viver o que eu nunca ousei...E enquanto eu esperava por isso, a vida ia acontecendo lá fora...sem mim!
Pode ser que a gente se esbarre em alguma esquina, num balcão de um boteco qualquer, ou num sonho...quem sabe!
O que importa mesmo é que esta esperança ainda vive em mim...e enquanto ela existir, eu vou me manter inteira, pra quando você chegar, reconhecer em mim, a sua metade!
A gente até sabe que ser intenso demais compromete, causa alguns escândalos e olhares indiscretos...Mas quando a gente nasce com esta marca de viver além da conta, é necessário se permitir de vez em quando...Eu sei que isso pode me comprometer e às vezes até me ferir...Mas quem nasceu assim como eu - com esta sina de ganhar a vida - não aceita ver as coisas pela borda. A gente precisa mesmo é transbordar!
Ô Dona vida, bem que a senhora poderia de vez em quando me encher a cara de risos e alegrias...Qualquer coisa que me desestabilize e me seduza a cometer alguns delitos e outros santos pecados...O seu bom senso até que me ganha entre um dia e outro...mas a sua loucura...a sua loucura sim, esta é que me fascina!
...e de tudo o que a vida me dá, gosto mesmo- e muito! - é do que ela me leva: histórias mal contadas, pessoas que não valem à pena, lágrimas derramadas, amores desfeitos, sonhos interrompidos...
As coisas boas...Ah!Estas ficam...Ficam porque a vida leva o que fica do lado de fora, o que é superficial...O que guardamos no coração, dentro da gente, isso ela não leva...Jamais!
...e a gente até que leva a vida numa boa quando o coração está vazio...Mas fica aquela sensação de falta, de se querer ter alguém por perto...Não que a gente não possa ser feliz sozinho...mas ser feliz com alguém, é como ganhar da vida, felicidade em dobro!
...eu sei,eu sei que eu deveria ter aprendido! Eu sei que demorou pra se sarar a ferida, pra se desacelerar o coração, pra se voltar a sorrir...Doeu, eu sei...Doeu como eu nunca pensei que doesse...Mas passou...Passou devagar, mas passou...e eu, que jurei que nunca mais passaria por isso novamente...amei de novo...como se nunca tivesse amado antes!
Ela acredita no amor, e à noite namora o luar que lhe promete uma história que nunca se viveu...Ela é tão romântica, tão sonhadora, que por se sonhar tanto, a realidade esqueceu!
Ela caprichou no decote, no batom, na chapinha, no vestido, no perfume, mas esqueceu o principal em casa: a educação!
Que feia!
E eu achava que ser feliz era pra sempre. Que todos os dias seriam rosa-choque e que a vida era feita de algodão. E quando as cortinas se abriram, revelou-se um palco de tristezas, onde o maior drama não era ser infeliz, mas acreditar que a felicidade nunca mais me daria o papel principal.
Todos os dias eu cobro do meu sorriso uma verdade! Traço planos nunca saídos do papel e invento uma história sem pé nem cabeça onde eu sei que nunca vou me encaixar. Minha vida não é nenhum conto-de-fadas e nem é rosa o meu batom. No meu mundo do faz-de-conta, todo dia é dia de ser feliz...E assim eu vou vivendo, vou levando e tentando ignorar o meu destino, que aliás, tem mania de fugir do meu controle.
Parei de vez com esta coisa de querer agradar, de ser a boazinha boba, de ser alvo pra gente que não me merece.
To dando passe livre pra minha sinceridade, pra mandar pro inferno quem me cansa a beleza e o melhor: to falando tudo que antes eu engolia e me fazia mal.
To numa fase em que a prioridade é me ouvir e não engolir sapos.
To levando pra minha vida, somente o que me agrada, o que me conquista, o que me bota um sorriso no rosto e me convence de que na vida há pessoas que ainda valem à pena.
Tem muita gente que vai chamar isso de egoísmo, mas eu prefiro chamar de evolução!
Dentro de mim mora um furacão entre quatro paredes, que insiste em colocar à prova meu bom senso e toda a minha santidade.
Vive também, um tsunami, que chega de surpresa nos momentos mais desavisados, e me faz perder as estribeiras, os bons modos...
Me abalam alguns terremotos que balançam meus alicerces e me deixa tão vulnerável às paixões mundanas.
Nesta minha confusão, eu vivo metendo os pés pelas mãos, e descubro que a minha anatomia é toda explosão!
Não, eu não me importo com o que vão pensar de mim.
E não falo da boca pra fora.
É que com o passar dos anos, aprendi que agradar a minha consciência é mais importante do que agradar aos outros.
E lá fui eu de mala e cuia ser feliz, sem nem sequer ser convidada!
Um medo, um frio na espinha, um bambear nas pernas...
Mas fui: eu e minha coragem!
E quando chegamos lá, a felicidade já estava na porta esperando, fazendo festa, querendo um abraço!
Tem coisas que a gente só ganha se for buscar!
E não adianta tentar disfarçar: tá na cara, no olhar!
Tá estampado na testa este frenesi, este amor descontrolado, exibido!
Este sentimento que me rouba todos os modos, o bandido!
