Coleção pessoal de maurotoledo

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... por vezes,
a desilusão nos devasta
em razão daquilo que imoderados sobejamente municiamos:
o atrevimento!

Diz
a 'filosofia do espírito' que
unicamente uma honesta e disposta
exposição às circunstâncias e fatos que nos
incitam e desafiam permite quemais sólidos
e transformadoresfundamentos ora vitais
a nossa interioridade como seres
em prodigiosa feitura,
se criem!

"Como conceber que
um ateu alimente a ideia da inexistência de Deus,
se não movido por Sua inequívoca presença?", questiona Fiódor Dostoiévski.
Lembrando que tanto a crença cega quanto uma descabida descrença são pálidos desdobramentos
de nossas ainda sofríveis presunções,
nada mais!

"Não são as lágrimas do arrependimento
que mudam fatos e porquês", pondera
Santo Agostinho — mas nossos pareceres
e atitudes, cada vez mais sensatos e
pacificadores, criando pontes que nos restabeleçam!

... salienta a
'filosofia do espírito'que um
eloquente e bem-posto minuto de silêncio suplanta com folgahoras e mais horas
deoratóriasbarulhentas
evazias!

... e nessas breves andanças
pelo mundo, nada, absolutamente,
se perde ou se perderá — longe disso, muito
se soma,se realiza e seconquista —, a não ser
aquiloque, embora alvo dos nossos mais
legítimosdesejos, jamais nos
pertenceu!

"Cada elemento se destrói
em razão das imperfeições que lhe
são próprias",diz Sócrates. Portanto, não
há como terceirizar o mal, tampouco a
virtude, que emana de
nósmesmos!

... elementar mandamento
para a nossa melhoria íntima — algo que,
reiteradas vezes, ocasiona fortes rejeições e a desistência de muitos, consiste numa criteriosa
e exaustivamudança de hábitos. Pois, como
sabemos,hábitos são zonas de conforto
de difícil ruptura!

... o direito
de um homem deve ser
o direito de todos os homens...
O mesmo vale para os seus deveres
consigo e com o próximo — caso contrário,
qualquer direito se torna um privilégio,
e qualquer dever sem critério
uma infundada
imposição!

... um insuspeito
espírito revolucionário não consiste
em lutar por nossa felicidade como um
bônus futuro — mas em vivenciá-la , a cada
instante, como um fator dominante
do nosso impermutável
agora!

... nestes tempos
em que manifestos por direitos (?) se
transformaram em pivôs de acusação e
cancelamento, ou construímos pontes
ou cavamos trincheiras — visto que
nem todo clamor por justiça (?) virá
acompanhado de argumentos
pacificadores!

... extrair
do homem comuma ilusão,
bem como seus embaraçosos fiascos, é
desconhecer ou mesmo desacreditar aquele que, sem dúvida, é o mais eficaz dos fundamentos que esculpem a
suafelicidade: a própria
experiência!

... caso ainda
não consigas viver com singular
mestria os talentos ofertados a ti pelo
Criador, vive ao menos aquilo que
está ao teu alcance, porém
honestamente!

... a escassez
de bens materiais não resume o
conceito de pobreza, assim como a riqueza
nem sempre será sinônimo de abundância...
Ambas, contudo, serão meios de elevação
para o espírito, ao suscitarvalores
como a superação e o senso
solidário!

... reduzir
a própria existência
ao corriqueiro e vulgar é o mesmo
que fraudá-la ousubjugá-la às
securasde um automatismo
estéril!

... nos frequentes,
e não menos controversos,
embatessobre a brevidade da vida,
o mais pertinente questionamento a ser
feito não é 'por que partimos?',
e sim, 'para que viemos?

... uma vez
impactado tanto pelo peso de
suas imperfeições quanto por suas
inevitáveis sequelas, é que o homem,
por si mesmo, se esforça para
mudar o próprio destino...
Não antes!

... tanto lá quanto cá,
tudo se manifesta como um processo
de descobertas, ações e ajustes contínuos,
cabendo a cada espírito não apenas limitar-se
aquilo que já compreende e vive, mas, sobretudo, buscaro que, solícito e dedicado, possa
aindadescobrir, assimilar e
realizar!

... a este corpo
que, prestadio, nos encarna,
tempera e possibilita, a nossa mais
digna e venturosa utilidade. E ao espírito —
a este espírito que somos todos — tudo
o que o enalteça, o prove e o
potencialize!

... se as intérminas
circunstâncias e fatos envolvendo
nossas vidas viessem acompanhadas
de um minucioso manual de instruções,
seguramente a arte de viver perderia
um dos seus mais estimulantes
e eficazes ingredientes: a
espontaneidade!