Coleção pessoal de maurotoledo

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Nestes tempos em que as
mais abjetas sandices ameaçam
ofuscar a sensatez, aquele que insinua nada ter a perder reduz a si mesmo
à mais trágica das
suas perdas!

Uma notável sagacidade e sofisticação
nem sempre resultam em robustas doses
de sabedoria. Intelectos focados em borrifar
os próprios dotes e impressões raras
vezes orvalham bom senso!

Memórias são nossas digitais no tempo:
sempre únicas, marcantes e profundamente reveladoras — atuando, sobretudo, como fiéis depositárias das gratas afeições e sensatez que nos sustentam e pacificam!

A mais desafiadora de todas curas, como
acentuou Jesus, o Cristo, muito além de
estancar nossas anomalias físicas, consiste narestauração de nossa lucidez como
espíritos em continuado
aprimoramento!

A sabedoria dos antigos deságua em três fundamentais vertentes: a prudência que tudo observa e pondera, o desapego que reveste-se do necessário e a lucidez que enaltece e reproduz agraça de viver!

Até que dediquemos à virtude
o mesmo vigor e audácia que, relapsos, devotamos à infâmia, esta, sorrateira
e devastadora, subsistirá!

Poder caminhar por este chãotrata-se de uma,
entre tantas, oportunidades de aprimoramento concedidas ao nosso espírito pelo Criador — em
tempo algum, porém, como o único habitat
e destino reservado à nossa aguerrida
tarefade viver!

Queres relevância entre os homens?
Sê moderado, tolerante e prestativo em tuas percepções e atitudes. Sê este pouco que
te pede a vida em favor do teu próprio aprimoramento como espírito!

As grandes ideiassão aquelas capazes de
nos instigar um olhar mais à frente, originando novas e igualmente desmedidas ideias; caso contrário, resultarão em dogmas insossos, sujeitos a prazos de validade!

A verdade, meus amigos, é essencialmente vertical, afirmando e reafirmando o senso de moderação que nos cobra a vida. Mas quantos, pergunto, estão dispostos a escalar tão íngreme vertente
para alcançar não menos custoso
fundamento?

Acreditar em forças sobrenaturais como causadoras de nossos infortúnios e vícios é,
a meu ver, desacreditar na capacidade humana de produzir tanto o bem
quanto o mal que
ambiciona!

"Olhos de ver e ouvidos de ouvir"
correspondem àquilo que cada Ser se dispõe a ver ou a ouvir — algo que somente o tempo
e a experiência adquirida,ampliarãotão necessáriapercepção!

O tempo das licenciosidades plurais
passou ao atribuir a cada indivíduo a causa e a
responsabilidade sobre si, assegurando seuacesso ao inequívoco e necessário — e, sob a aquiescência do mais vertical dos
fundamentos: a Verdade!

O autoconhecimento,
a meu ver, é o mais voluptuoso dos afrodisíacos,
por aguçar,prontamente, nossa relevância e libido como seres realizadores — remediando as sempre vexatórias crises de impotência geradas pela ansiedade e pelos desprazeres
do instinto!

Se não muda o mundo,é porque nós, homens,
até aqui nos mostramos pouco interessados em sua natureza inspiradora, originado tão singulares oportunidades de aperfeiçoamento ao nosso
espírito — antes, porém, entregues aos
seusrasospretextos e vícios!

Em meio aos inabituais achados, as presumíveis correções, tanto quanto aoininterrupto acréscimo de mais requintados princípios,seguirá o venturoso destino daqueleque foi talhado ao constante e impermutável aperfeiçoamento:
o espírito!

Ninguém foge de si mesmo,sentenciam
os 'deuses da razão', uma vez que não haverá qualquer melhoria ou acréscimo de valores
à nossa interioridade como espíritos que
dispense ou supere nosso
protagonismo!

Perdoar,
como notabilizou Jesus, o Cristo, é desafiar
nossos padrões de tolerânciae desprendimento, desfazendo as inflexíveis amarras que aprisionam nosso ego, abrindo espaço ao nosso equilíbrio
e paz interior!

Quanto a nossa condição de espíritos, momentaneamente, embutidos em um corpo,
a expressão 'estar velho' deveria dar lugar a uma outra mais coerente e auspiciosa,
ou seja,'atualizado'!

Da qualidadee persistênciade nossas
perguntas — e jamaisde um relespalpite — emergirão os primeiros vestígios delucidez e tangibilidade que ilustrame circunstanciam
o que seja a 'arte de viver'...
Não antes disso!