Coleção pessoal de marcelo_monteiro_4
A EVOLUÇÃO PERISPIRITUAL.
Autor: Léon Denis.
Fonte: Depois da Morte.
As relações seculares dos espíritos e dos homens, confirmadas e explicadas pelas experiências recentes do Espiritismo, demonstram a sobrevivência do Ser sob uma forma fluídica mais perfeita.
Essa forma indestrutível, companheira e servidora da alma, testemunha de suas lutas e de suas dores, participa de suas peregrinações, elevando-se e purificando-se com ela. Formado nos mais ínfimos graus da animalidade, o ser perispiritual sobe lentamente pela escala das espécies, impregnando-se dos instintos dos animais selvagens, das astúcias dos felinos e também das qualidades e tendências generosas dos animais superiores. Até então, não passa de um ser rudimentar, um esboço incompleto.
Ao chegar à Humanidade, começa a refletir sentimentos mais elevados; o espírito irradia com maior força e o perispírito ilumina-se com novos fulgores. De existência em existência, à medida que as faculdades se desenvolvem, as aspirações se depuram e o campo dos conhecimentos se amplia, ele se enriquece com novos sentidos.
Cada vez que uma encarnação termina, o corpo espiritual se desprende de seus andrajos de carne, como uma borboleta que emerge de sua crisálida. A alma se reconhece então completa e livre e, ao contemplar o manto fluídico que a envolve, por seu aspecto esplêndido ou miserável, certifica-se de seu próprio grau de adiantamento.
Assim como a árvore conserva a marca de seus desenvolvimentos anuais, também o perispírito guarda, sob suas aparências presentes, os vestígios das vidas anteriores e dos estados sucessivamente percorridos. Esses vestígios permanecem encerrados em nós, muitas vezes esquecidos; mas, quando a alma evoca e desperta sua lembrança, reaparecem como outras tantas testemunhas dispostas ao longo do extenso e penoso caminho percorrido.
Os espíritos atrasados possuem envoltórios densos, impregnados de fluidos materiais. Após a morte, ainda sentem as impressões e as necessidades da vida terrestre. A fome, o frio e a dor subsistem para os mais grosseiros dentre eles. Seu organismo fluídico, obscurecido pelas paixões, só pode vibrar fracamente, e suas percepções são muito limitadas. Nada sabem da vida do Espaço. Tudo é treva neles e ao redor deles.
A alma pura, desprendida das atrações bestiais, forma para si um perispírito semelhante à sua própria natureza. Quanto mais sutil for esse perispírito, com tanto maior intensidade vibrará e mais amplas e profundas serão suas percepções. Participa dos gozos da vida superior e das magníficas harmonias do infinito.
Tal é a tarefa do espírito humano e tal é a sua recompensa. Por meio de grandes esforços, conquistar novos sentidos de delicadeza e poder ilimitados; dominar as paixões brutais; transformar esse envoltório espesso em uma forma diáfana e resplandecente de luz, eis a obra destinada a todos nós, e que devemos prosseguir através de inúmeras etapas, pelo maravilhoso caminho que os mundos vão desdobrando diante de nossos passos.
— Léon Denis, em Depois da Morte.
A CASA DO CAMINHO É A TUA LUZ INTERIOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O gadareno estava cego.
Não a cegueira dos olhos da carne, que já havia deixado para trás com o corpo abandonado na Terra. Era uma cegueira diferente, feita de saudades, de espanto e de esperança. Havia despertado além da morte e caminhava por estradas que não conhecia.
Procurava uma casa.
Uma casa que ouvira mencionar muitas vezes nas regiões espirituais. Diziam que ali habitava a mais sublime de todas as mulheres. Aquela cujo coração fora berço do Cristo. Aquela que os aflitos chamavam simplesmente de Mãe.
Maria.
Por isso caminhava.
Procurava a residência da ternura, o lar da compaixão, a morada da misericórdia.
Mas, quanto mais procurava, mais se perdia.
Foi então que ouviu passos.
Não viu quem se aproximava.
A cegueira ainda o envolvia.
Contudo, quando a voz rompeu o silêncio, algo estremeceu dentro dele.
Ah, aquela voz...
Aquela voz não era apenas um som.
Era um hino.
Era uma lembrança.
Era uma luz.
Era a mesma voz que, séculos antes, atravessara os gritos da loucura e alcançara o homem que vivia entre os sepulcros.
A mesma voz que ordenara às sombras que se retirassem.
A mesma voz que lhe devolvera a dignidade perdida.
O gadareno caiu de joelhos.
Não precisava enxergar.
Reconheceu.
— Senhor...
O Cristo sorriu.
E o velho peregrino, agora Espírito, perguntou:
— Mestre, procuro a Casa do Caminho. Procuro a morada onde se encontra Maria. Procuro essa residência desde que despertei deste lado da vida.
Jesus o contemplou em silêncio.
Depois apontou para o próprio peito do gadareno.
— Ela está aí.
O homem não compreendeu.
Então percebeu.
Havia uma porta.
Sempre existira.
Uma porta luminosa.
Uma porta que se abria para dentro e para fora ao mesmo tempo.
Mas ele jamais entrava.
Jamais saía.
Permanecia diante dela, indeciso, como quem teme descobrir aquilo que procura.
— Senhor, onde está a chave?
O Mestre aproximou-se.
Seus olhos continham a serenidade das manhãs eternas.
Sua voz tinha a suavidade das águas tranquilas.
Então respondeu:
— A chave é a paz.
E acrescentou:
— A paz que nasce da confiança. A paz que floresce do perdão. A paz que aprende a amar sem exigir. A paz que um dia coloquei em teu coração.
Nesse instante, o gadareno compreendeu.
A Casa do Caminho não era um lugar distante.
Não estava escondida em alguma esfera inacessível.
Era um estado da alma.
Era o reino interior que o amor de Deus edificava silenciosamente desde o primeiro encontro com o Cristo.
A porta abriu-se.
A luz inundou tudo.
E lá estava ela.
Maria.
Mas antes que pudesse avançar, percebeu outra presença.
Alguém já o aguardava à entrada.
O mesmo Mestre.
Porque toda estrada da alma, cedo ou tarde, termina onde começou:
Nos braços daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
E o gadareno finalmente entrou em casa.
"O erro persistente não vive apenas da ignorância de quem o cria, mas da dedicação daqueles que o sustentam."
"As ideias mais frágeis raramente sobrevivem pela força da razão, mas frequentemente encontram apoio em idiotas úteis."
"Somos herdeiros de um legado de luz, mas apenas o trabalho no bem nos torna dignos de transmiti lo às gerações futuras."
"A evolução do Espírito começa quando a humildade lhe permite enxergar aquilo que o orgulho insistia em esconder."
A OBSESSÃO FAMILIAR - E O MITO DA “MEDIUNIDADE MISSIONÁRIA"
Quando o amor se transforma em sugestão psicológica e o lar passa a alimentar ilusões espirituais.
Há uma forma de obsessão pouco discutida nos meios espíritas e espiritualistas. Ela não se manifesta apenas através da influência de Espíritos desencarnados perturbadores, mas também por intermédio das ideias fixas, projeções emocionais e expectativas desmedidas cultivadas dentro do próprio ambiente familiar.
Não são raros os casos em que pais, avós ou parentes passam anos repetindo a uma criança ou adolescente que ele possui uma "mediunidade extraordinária", uma "missão grandiosa" ou uma "tarefa espiritual superior" destinada a mudar o mundo.
Aquilo que inicialmente parece incentivo pode converter-se em verdadeira indução psicológica.
Allan Kardec ensina que a mediunidade é uma faculdade natural, encontrada em diferentes graus na humanidade. Em "O Livro dos Médiuns", item 159, afirma que toda pessoa que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por isso mesmo, médium. Contudo, em momento algum Kardec estabelece que a mediunidade seja sinônimo de superioridade moral, santidade ou missão especial.
Ao contrário, em "O Livro dos Espíritos", questões 459 e 466, os Espíritos esclarecem que as influências espirituais ocorrem constantemente sobre os pensamentos humanos, e que muitas vezes somos dirigidos por sugestões que sequer percebemos.
Quando uma família insiste continuamente em convencer um filho de que ele é um "escolhido", um "missionário" ou um "enviado espiritual", cria-se um fenômeno delicado: a sugestão sistemática. A criança passa a interpretar acontecimentos comuns como manifestações sobrenaturais. Sonhos tornam-se profecias. Intuições tornam-se revelações. Coincidências transformam-se em sinais divinos.
Em muitos casos, não há má-fé. Há afeto, entusiasmo e desconhecimento. Entretanto, o resultado pode ser profundamente prejudicial ao equilíbrio psicológico e espiritual.
Kardec adverte, em "O Livro dos Médiuns", capítulo XXIII, que a obsessão não ocorre apenas por ação direta dos Espíritos inferiores. Ela encontra terreno fértil nas imperfeições humanas, no orgulho, na vaidade e nas ideias fixas.
Nesse sentido, o culto familiar à "missão espiritual" pode tornar-se um poderoso instrumento de fascinação. A fascinação, segundo Kardec, é uma das formas mais perigosas de obsessão, porque altera a capacidade crítica do indivíduo, levando-o a aceitar sem exame aquilo que deseja acreditar.
José Herculano Pires observava que um dos maiores perigos do movimento espírita é a substituição do estudo pelo personalismo. Quando a figura do médium passa a ser mais importante que o conteúdo moral da Doutrina, abre-se espaço para mistificações, fanatismos e desequilíbrios.
A verdadeira grandeza espiritual não necessita de proclamações familiares nem de títulos espirituais. Os grandes missionários da humanidade foram reconhecidos pelas obras, pela renúncia e pelo serviço prestado ao próximo, não por anúncios antecipados de parentes ou admiradores.
O próprio Espírito Emmanuel adverte que a mediunidade é instrumento de trabalho e responsabilidade, jamais certificado de elevação moral.
A Doutrina Espírita é clara ao ensinar que a evolução se mede pelas virtudes conquistadas. Em "O Livro dos Espíritos", questão 625, encontramos Jesus como o modelo e guia da Humanidade. Não é a capacidade de ver Espíritos que define a grandeza de alguém, mas a capacidade de amar, servir, perdoar e melhorar a si mesmo.
Muitos jovens adoecem emocionalmente ao carregar expectativas familiares desproporcionais. Sentem-se obrigados a produzir fenômenos, receber mensagens ou apresentar dons extraordinários para corresponder às crenças dos pais. Outros desenvolvem sentimentos de superioridade espiritual, comprometendo o próprio progresso moral.
O lar deve ser escola de equilíbrio, não laboratório de exaltações místicas.
Se uma faculdade mediúnica realmente existir, ela se manifestará naturalmente e deverá ser educada com estudo sério, disciplina, humildade e observação criteriosa, conforme recomenda Kardec.
A função dos pais não é decretar missões espirituais para os filhos. Sua missão é mais simples e mais sublime: educar consciências, formar caracteres e ensinar valores.
Toda vez que a família substitui a educação pela exaltação, corre o risco de alimentar ilusões.
Toda vez que substitui o estudo pelo entusiasmo, aproxima-se do fanatismo.
E toda vez que transforma uma possibilidade mediúnica em símbolo de superioridade, afasta-se dos princípios fundamentais do Espiritismo.
A prudência, ensinava Kardec, é uma das maiores garantias contra o erro.
No campo da mediunidade, menos deslumbramento e mais discernimento continuam sendo a melhor proteção contra as obsessões visíveis e invisíveis.
Fundamentação Doutrinária
Questão 459 de O Livro dos Espíritos: os Espíritos influenciam nossos pensamentos e atos.
Questão 466: a influência espiritual varia conforme nossas disposições morais.
Questão 625: Jesus é o modelo e guia para a Humanidade.
Questão 919: o autoconhecimento é um dos maiores instrumentos de progresso espiritual.
Capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns: estudo da obsessão, subjugação e fascinação.
Item 159 de O Livro dos Médiuns: definição de médium.
Capítulo XX dos Médiuns: responsabilidade moral do exercício mediúnico.
Alerta aos Familiares:
Nem toda sensibilidade é mediunidade.
Nem toda mediunidade representa moralidade.
Nem toda criança sensível está vendo Espíritos.
Nem toda intuição é revelação espiritual.
Nem todo sonho possui significado transcendente.
A repetição constante de narrativas místicas pode criar dependência emocional, fantasias de grandeza e dificuldades psicológicas reais.
A melhor proteção para um possível médium continua sendo: estudo, equilíbrio emocional, senso crítico, vida moral saudável e ausência de deslumbramento.
Fontes:
O Livro dos Espíritos.
O Livro dos Médiuns.
Fonte Viva.
Ceifa de Luz.
Vereda Familiar.
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NA SEARA DO AMOR:
O DISCÍPULO É RECONHECIDO PELO QUE SENTE E PRATICA.
Marcelo Caetano Monteiro.
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
— Jesus, João 13:35, Bíblia de Jerusalém
Introdução:
A marca do verdadeiro trabalhador do Cristo.
Jesus, em sua sublime pedagogia moral, legou à Humanidade não apenas um código de virtudes, mas o sinal distintivo de seus verdadeiros seguidores: o amor fraterno vivido com autenticidade. A frase “Os meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem” é uma síntese interpretativa fiel do Evangelho segundo João 13:35. Esse ensinamento ecoa na Doutrina Espírita como pilar da regeneração do homem de si para as sociedades universais.
Com Jesus e Kardec aprendemos amor como Identidade Espiritual.
No Espiritismo, o tema do amor como reconhecimento do discípulo fiel é central.Em O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente:
Capítulo XI – Amar o próximo como a si mesmo,
Item 4: “Fora da caridade não há salvação”, reafirmando que o amor ao próximo é o verdadeiro sinal da elevação moral.
Item 13: Os Espíritos nos dizem que “o amor resume a doutrina de Jesus inteira, porque esse é o sentimento por excelência.”
Em O Livro dos Espíritos, encontramos o fundamento dessa moral elevada:
Questão 886: Quando Kardec pergunta qual o verdadeiro sentido da caridade, os Espíritos respondem: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
O Evangelho segundo o Espiritismo:
Capítulo XVII - Sede perfeito.Os bons espíritas “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações."
A frase retoma a mesma ideia do Cristo: é pela conduta amorosa diária, nos esforços empreendidos com o real desejo de se melhorar que se reconhece o discípulo.
Na Revista Espírita, edição de julho de 1865, há um texto de Allan Kardec intitulado O egoísmo e o orgulho – causas do sofrimento, no qual ele ressalta:
“Enquanto o homem não colocar o amor ao próximo acima de suas vaidades e interesses mesquinhos, não poderá dizer que segue a Cristo.”
Léon Denis: A Dinâmica do Amor no Coração do Trabalhador.
Em O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Léon Denis aprofunda o ideal cristão sob a luz da razão:
Capítulo XX – O Dever, ele escreve:
“O amor é a força suprema que rege os mundos; o dever é a aplicação do amor. Quem ama,serve. Quem serve, realiza o bem.”
Em O Grande Enigma, no Capítulo XVI – O Culto do Belo, Denis aponta:
“O verdadeiro discípulo do Cristo é aquele que faz da sua vida um apostolado silencioso,irradiando a luz do bem por onde passa.”
Joana de Ângelis: A Psicologia do Amor como Alimento da Alma.
Na obra Vida Feliz (Divaldo Franco – Espírito Joana de Ângelis):
Mensagem 45:
“Ama sempre,mesmo quando não sejas correspondido,porque o amor é fonte que desata correntes e dissolve as algemas do sofrimento.”
Em Jesus e Atualidade, capítulo 1 – Discípulos de Jesus:
“O discípulo real do Mestre é o que ama sem impor,serve sem exigir,permanece quando todos partem,e se sacrifica em nome do bem.”
Joana nos apresenta o amor não como emoção instável,mas como decisão de doação contínua, que é o verdadeiro critério de reconhecimento espiritual.
Raul Teixeira: O Trabalhador da Seara de Coração Humilde.
No livro Na Seara do Mestre (Espírito Camilo – psicografia de Raul Teixeira):
Capítulo "Discípulos de Ontem, Servidores de Hoje",encontramos:
“Jesus não busca especialistas em letras, mas corações dóceis e voluntários.O sinal é o amor:quem ama,não cansa de servir.”
Raul reforça o caráter prático do amor no cotidiano das casas espíritas, no acolhimento, no passe, na escuta fraterna formas pelas quais o discípulo se revela.
Aplicações na Seara: O Amor como Ação
A seara de Jesus não é feita de teorias, mas de mãos estendidas,gestos anônimos e sacrifícios discretos.Os trabalhadores espíritas são convidados a ser reconhecidos pelo que sentem,mas principalmente pelo que praticam em silêncio,com doçura,renúncia e espírito de cooperação.
Quem se oferece ao serviço na Seara do Cristo deve trazer no coração a sua insígnia: a bondade ativa.
*Conclusão Consoladora.
O verdadeiro discípulo não é o que fala mais,nem o que se destaca aos olhos do mundo,mas aquele que ama discretamente,que perdoa com sinceridade,e que serve mesmo quando incompreendido.
Lembremos as palavras do Mestre:
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
(João 13:35)
Que cada gesto nosso,cada palavra e cada renúncia seja como uma pétala de luz ofertada ao Cristo,para que a seara floresça onde houver espinhos.
“Na obra do bem,não importa o tamanho da tua missão,mas que tenhamos a nossa no cerne íntimo imantado ao tamanho do nosso amor.”
Referências:
Bíblia de Jerusalém – João 13:35
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, itens 4 e 13.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 886 e 917.
KARDEC, Allan. Revista Espírita, julho de 1865, artigo O egoísmo e o orgulho – causas do sofrimento.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor, cap. XX – O Dever.
DENIS, Léon. O Grande Enigma, cap. XVI – O Culto do Belo.
JOANA DE ÂNGELIS. Jesus e Atualidade, cap. 1.
JOANA DE ÂNGELIS. Vida Feliz, mensagem 45.
CAMILO (espírito), psicografia de Raul Teixeira. Na Seara do Mestre, cap. “Discípulos de Ontem, Servidores de Hoje”.
" Boa noite. Persistir é continuar, mesmo devagar.
Amanhã é uma nova página e você ainda está escrevendo.
Confie: o tempo organiza o que agora parece confuso. "
ORGULHO, IGNORÂNCIA E INFLUÊNCIA ESPIRITUAL À LUZ DO ESPIRITISMO E DO EVANGELHO.
PARTE I
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Para enriquecer o título e a reflexão doutrinária, dois capítulos bíblicos dialogam profundamente com os ensinamentos espíritas sobre orgulho, soberba, vaidade, limitações humanas e influência espiritual.
No Antigo Testamento, destaca-se o capítulo 16 do livro de Provérbios. Nele encontramos uma das mais conhecidas advertências sobre a soberba:
" A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. "
Provérbios 16:18.
Sob a ótica espírita, esse ensinamento revela uma lei moral observável em todas as épocas. O orgulho cria ilusões sobre si mesmo. A criatura passa a acreditar que está acima das leis divinas, acima da correção e acima da necessidade de aprender. Mais cedo ou mais tarde, a realidade lhe apresenta lições que restauram a humildade e o senso de proporção.
No Novo Testamento, merece destaque o capítulo 23 do Evangelho de Gospel of Matthew. Nesse capítulo, Jesus dirige severas advertências aos escribas e fariseus, denunciando a vaidade religiosa, a hipocrisia e o desejo de superioridade moral.
Entre suas lições mais profundas está:
" O maior dentre vós será vosso servo. Porque aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. "
Mateus 23:11 e 12.
Essa passagem harmoniza-se integralmente com os ensinamentos de Allan Kardec. O verdadeiro progresso espiritual não consiste em aparentar santidade, erudição ou autoridade. Consiste em transformar o próprio caráter, vencer as imperfeições e servir ao próximo com sinceridade.
Enquanto o orgulho busca ser admirado, a humildade busca ser útil.
Enquanto a vaidade procura aplausos, a consciência reta procura o dever cumprido.
Enquanto a soberba afasta a criatura da verdade, a humildade abre as portas para o aprendizado contínuo.
Por essa razão, o Espiritismo ensina que o combate mais importante não ocorre contra os outros, mas contra as imperfeições que ainda carregamos em nós mesmos. A reforma íntima constitui a grande batalha da alma em sua jornada rumo à plenitude espiritual.
Fontes Fidedignas
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Questões 115 a 133 e 459 a 472.
Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Capítulos XXIII e XXIV.
Allan Kardec. A Gênese. Capítulo XIV.
Allan Kardec. Revista Espírita. Diversos estudos sobre obsessão, orgulho e educação moral.
Bíblia Sagrada. Provérbios, capítulo 16.
Bíblia Sagrada. Mateus, capítulo 23.
José Herculano Pires. Traduções e comentários das obras de Allan Kardec.
"Toda vez que a humildade cresce, o orgulho perde terreno, e toda vez que o orgulho recua, a luz da verdade encontra espaço para iluminar a consciência."
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GANHAR O MUNDO E PERDER A ALMA: Uma Leitura Espírita Sobre o verdadeiro Sofrimento Humano, a Reencarnação e o Verdadeiro Sentido da Vida.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre todas as advertências morais deixadas por Jesus, poucas são tão profundas e perturbadoras quanto esta:
“De que serviria a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
(Mateus 16:26)
Durante séculos, essa frase foi interpretada como uma exortação contra os excessos do materialismo. Contudo, à luz da Doutrina Espírita, ela adquire uma profundidade muito maior. Não se trata apenas de uma crítica à riqueza, ao poder ou à fama. Trata-se de uma reflexão sobre o próprio destino do Espírito imortal.
O homem passa pela Terra apenas por um instante. A alma, porém, atravessa os séculos.
Aquilo que o mundo chama de sucesso nem sempre corresponde ao que o Céu reconhece como progresso.
Enquanto a Terra mede o valor de uma criatura pelo que ela possui, o mundo espiritual a avalia pelo que ela se tornou.
É justamente aí que reside a grande tragédia humana.
Muitos passam a existência inteira conquistando posições, acumulando bens, buscando reconhecimento e aplausos, mas negligenciam a construção do próprio ser. Desenvolvem a inteligência, mas esquecem a consciência. Alimentam o ego, mas deixam a alma faminta.
Quando chega a hora do retorno ao mundo espiritual, descobrem que os títulos ficaram na Terra, os cofres permaneceram fechados, os aplausos silenciaram e apenas a consciência os acompanha.
Foi a isso que Jesus se referiu.
Não à perda da alma em sentido absoluto - pois o Espírito é imperecível - mas ao retardamento de sua evolução e à dor moral produzida pelas escolhas equivocadas.
Os Valores da Terra e os Valores do Céu
A humanidade vive sob duas escalas de valores.
A primeira é transitória.
A segunda é eterna.
Os valores da Terra são aqueles que desaparecem com a morte:
riqueza;
prestígio social;
influência;
aparência física;
poder político;
reconhecimento público.
Não são maus em si mesmos.
O Espiritismo jamais condenou a prosperidade material.
Allan Kardec esclarece que o problema não está na posse dos bens, mas no apego a eles.
A riqueza é prova difícil porque oferece ao homem inúmeras oportunidades de desenvolver orgulho, egoísmo e vaidade.
Os valores do Céu, ao contrário, permanecem além do túmulo:
amor;
caridade;
humildade;
resignação;
conhecimento moral;
fraternidade;
capacidade de servir.
São esses os tesouros que Jesus recomendava acumular.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec recorda que os bens terrestres pertencem apenas temporariamente ao homem. Os bens da alma, entretanto, constituem patrimônio eterno.
Por isso, um pobre pode ser espiritualmente rico, enquanto um milionário pode apresentar-se diante da espiritualidade como um mendigo moral.
A Dor da Alma e o Sofrimento Humano
A maioria das pessoas acredita que sofre apenas por causas presentes.
Perda de emprego.
Doença.
Separação.
Fracassos.
Luto.
Injustiças.
Contudo, a Doutrina Espírita ensina que o sofrimento possui raízes mais profundas.
Em muitos casos, a dor atual é apenas o reflexo de causas anteriores.
Não apenas desta existência, mas de vidas passadas.
Quando observamos o mundo sob a ótica de uma única encarnação, encontramos aparentes injustiças por toda parte.
Por que uma criança nasce cega?
Por que alguém enfrenta extrema pobreza enquanto outro desfruta abundância?
Por que pessoas bondosas sofrem tanto?
Por que indivíduos perversos parecem prosperar?
Sem a reencarnação, essas perguntas permanecem sem resposta.
Com ela, surge uma lógica moral universal.
As Causas Atuais e as Causas Pretéritas
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, Kardec distingue claramente duas origens para os sofrimentos humanos:
Causas atuais
São consequências diretas das ações da presente existência.
O indivíduo colhe aquilo que semeou.
Excessos geram enfermidades.
Orgulho produz conflitos.
Egoísmo gera solidão.
Imprudência traz prejuízos.
Nesse caso, o sofrimento funciona como resultado natural dos próprios atos.
Não é castigo.
É consequência.
Causas pretéritas
Existem dores cuja origem não pode ser encontrada na vida atual.
São provas ou expiações relacionadas ao passado espiritual.
O Espírito renasce trazendo consigo tendências, débitos morais e necessidades educativas.
A reencarnação não é punição.
É oportunidade.
Cada existência representa uma nova chance de corrigir erros e desenvolver virtudes.
Assim, muitas das dificuldades aparentemente inexplicáveis encontram sentido dentro da continuidade da vida.
Como ensina Kardec em A Gênese, capítulo XVII, a lei da reencarnação é a chave que permite compreender inúmeras passagens do Evangelho que, sem ela, pareceriam contraditórias.
A Questão 222 de O Livro dos Espíritos
Na questão 222 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec investiga a situação dos Espíritos após a morte e antes de nova encarnação.
Os Espíritos explicam que, nesse intervalo, o ser revê sua caminhada, avalia seus progressos e compreende suas necessidades futuras.
É nesse estado que percebe com clareza aquilo que, durante a encarnação, muitas vezes ignorava.
A alma enxerga então o valor real das coisas.
Aquilo que parecia enorme na Terra revela-se insignificante.
Aquilo que era desprezado mostra-se essencial.
Muitos Espíritos lamentam oportunidades perdidas.
Outros reconhecem que trocaram conquistas eternas por satisfações momentâneas.
É a realização tardia da advertência de Jesus:
Ganharam o mundo.
Mas negligenciaram a própria transformação moral.
Por Que Sofremos Diante da Vida?
O sofrimento não existe porque Deus seja injusto.
Nem porque tenha abandonado suas criaturas.
O sofrimento é instrumento de educação espiritual.
Kardec afirma que a dor é uma das grandes alavancas do progresso.
Enquanto o prazer frequentemente adormece a consciência, a dor desperta reflexões profundas.
As grandes perguntas da existência quase sempre nascem das lágrimas.
O sofrimento obriga o homem a olhar para dentro.
Convida-o a examinar seus valores.
Questiona suas prioridades.
Desfaz ilusões.
Revela fragilidades.
Mostra a transitoriedade das coisas materiais.
Em muitos casos, aquilo que chamamos desgraça é apenas uma etapa necessária do crescimento espiritual.
Sob a perspectiva terrestre, vemos perdas.
Sob a perspectiva espiritual, muitas vezes existem libertações.
O Segundo Advento do Cristo e a Renovação da Humanidade
Em A Gênese, capítulo XVII, Kardec analisa as palavras de Jesus sobre sua volta.
O Mestre não prometeu necessariamente um retorno corporal.
Anunciou a vinda de uma nova compreensão de sua mensagem.
Segundo a interpretação espírita, essa promessa se concretiza através do Consolador Prometido, identificado com a Doutrina Espírita.
O Cristo retorna não em um corpo físico, mas na restauração de seus ensinamentos.
A reencarnação, a comunicabilidade dos Espíritos e a lei de causa e efeito oferecem uma compreensão mais ampla da Justiça Divina.
Assim, a humanidade é convidada a abandonar a visão limitada de uma única existência e compreender sua verdadeira condição de Espírito imortal.
Ganhar o Mundo ou Ganhar a Si Mesmo?
Talvez a pergunta de Jesus pudesse ser formulada hoje de outra maneira:
De que adianta possuir tudo aquilo que o mundo admira se a consciência permanece inquieta?
De que vale a fama se não existe paz interior?
De que serve o poder se o coração continua vazio?
De que adianta conquistar impérios externos enquanto o mundo íntimo permanece em ruínas?
A Doutrina Espírita ensina que a finalidade da existência não é enriquecer, nem tornar-se famoso, nem acumular títulos.
O objetivo fundamental da vida é a evolução do Espírito.
Tudo o mais é instrumento.
Tudo o mais é transitório.
Quando o túmulo se fecha sobre o corpo, inicia-se a verdadeira avaliação da existência.
Não somos julgados por Deus como um soberano julgaria seus súditos.
Somos julgados pela própria consciência iluminada pela verdade.
Nesse momento, cada Espírito percebe exatamente o que fez de si mesmo.
E compreende que o verdadeiro patrimônio adquirido durante a jornada não eram os bens que acumulou, mas as virtudes que desenvolveu.
Por isso, a advertência de Jesus permanece tão atual quanto há dois mil anos:
Ganhar o mundo pode impressionar os homens.
Mas somente ganhar a si mesmo conduz à felicidade duradoura.
Fontes:
O Livro dos Espíritos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
A Gênese.
Evangelho de Mateus 16:26–28.
Evangelho de Marcos 8:36 -
14:60–63 (correspondente ao trecho citado sobre o Sinédrio).
QUANDO A TEMPESTADE ESTÁ DENTRO DE NÓS.
Autor: Marcelo caetano Monteiro.
O episódio narrado em Mateus 8:23 a 27 não descreve apenas uma tempestade sobre as águas da Galileia. Ele retrata, sobretudo, as tempestades que atravessam a alma humana. A embarcação é a própria existência. O mar representa as circunstâncias mutáveis da vida. Os ventos simbolizam as provas, as perdas, as enfermidades, os conflitos familiares, as decepções afetivas e as angústias que, por vezes, parecem querer afundar nossas esperanças.
Os discípulos não eram homens inexperientes. Muitos deles conheciam o mar desde a infância. Contudo, diante da violência dos elementos, perderam a serenidade. A experiência humana ensina algo semelhante. Há momentos em que o conhecimento, a posição social, a cultura e até mesmo os anos de vivência parecem insuficientes diante de determinadas dores. Nessas ocasiões, o medo fala mais alto que a razão.
Jesus dormia.
Esse detalhe, aparentemente simples, possui extraordinária profundidade filosófica e espiritual. Enquanto os discípulos se desesperavam, o Mestre permanecia em paz. Não porque ignorasse o perigo, mas porque possuía plena confiança nas Leis Divinas.
Sob a ótica espírita, Allan Kardec nos ensina que nada ocorre fora das leis sábias e justas de Deus. As dificuldades não são acidentes sem propósito. Elas constituem instrumentos educativos destinados ao progresso do Espírito. Quando a tempestade surge, ela não vem para destruir-nos, mas para revelar-nos.
Muitas vezes acreditamos que o sofrimento é o problema. Entretanto, frequentemente o verdadeiro problema é a forma como reagimos a ele.
A psicologia contemporânea observa que a mente humana possui uma tendência natural à antecipação catastrófica. Antes mesmo de o pior acontecer, imaginamos cenários ainda mais dolorosos. Criamos tempestades mentais maiores que as tempestades reais. O Evangelho demonstra exatamente esse mecanismo psicológico. O mar estava agitado, mas o desespero dos discípulos era ainda maior que as ondas.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec esclarece que a fé sincera produz uma espécie de força moral capaz de sustentar o indivíduo durante as provações. Não se trata de uma fé cega, mas de uma confiança racional, edificada sobre a compreensão das leis espirituais.
No cotidiano moderno, quantas vezes repetimos o grito dos discípulos.
Diante das contas que se acumulam.
Diante da enfermidade inesperada.
Diante da ingratidão.
Diante da perda de alguém amado.
Diante das crises familiares.
Diante da ansiedade que silenciosamente consome as forças emocionais.
Em todos esses momentos, o pensamento parece gritar.
"Senhor, estamos perecendo."
Todavia, a resposta permanece a mesma através dos séculos.
"Por que tendes tanto medo."
O ensinamento não condena o sofrimento humano. Jesus compreende a fragilidade dos homens. O que Ele procura despertar é uma consciência mais elevada, capaz de enxergar além da tempestade momentânea.
A antropologia demonstra que todas as civilizações criaram símbolos relacionados à travessia das águas. O mar sempre representou o desconhecido, o risco e a transformação. No Evangelho, essa simbologia alcança seu significado mais profundo. A travessia não é apenas geográfica. É espiritual. Cada ser humano atravessa mares interiores para alcançar maior maturidade moral.
Sob a visão espírita, a calma de Jesus também nos recorda a imortalidade da alma. Quando compreendemos que a vida física é apenas um capítulo da existência, muitos dos temores que nos paralisam começam a perder força. As ondas continuam existindo, mas deixam de possuir o poder absoluto que imaginávamos.
Léon Denis observava que a confiança em Deus não elimina as dificuldades, mas transforma nossa maneira de enfrentá-las. O indivíduo equilibrado não é aquele que nunca encontra tempestades. É aquele que aprende a conservar a luz interior mesmo quando os céus parecem escurecidos.
A verdadeira calmaria começa antes da transformação das circunstâncias externas. Ela nasce quando o Espírito decide não entregar o leme da própria consciência ao medo.
Talvez a maior lição desse episódio seja esta.
O Cristo não prometeu ausência de tempestades.
Prometeu presença durante elas.
E quando a presença do Mestre é sentida na intimidade da consciência, os ventos podem rugir, as ondas podem crescer e as noites podem parecer intermináveis, mas a embarcação da alma continua seguindo em direção ao porto seguro do progresso e da renovação.
"Quem aprende a confiar nas Leis Divinas descobre que nenhuma tempestade é eterna e que toda madrugada nasce para aqueles que perseveram na travessia."
Fontes:
O Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XIX. A Fé Transporta Montanhas.
O Livro dos Espíritos Questões 115, 132, 625 e 872.
A Gênese Capítulo II.
Depois da Morte - léon Denis.
O Problema do Ser, do Destino e da Dor - Léon Denis.
Bíblia - Novo Testamento.
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A ONÇA, O URSO E O MORANGO.
Há uma profunda lição escondida nesta singela narrativa.
Um homem encontra-se suspenso entre dois perigos inevitáveis. Acima dele, um urso feroz ameaça sua vida. Abaixo, seis onças aguardam o instante de sua queda. Não existe saída fácil. Não existe segurança. Não existe garantia de sobrevivência.
E, no entanto, em meio ao terror, ele percebe um morango.
Um fruto simples.
Pequeno diante da imensidão dos problemas.
Insignificante diante da ameaça da morte.
Mas real.
Ao levar o morango à boca, ele experimenta algo extraordinário: a vida continua acontecendo naquele instante.
O urso não desapareceu.
As onças não fugiram.
O barranco continuou perigoso.
Mas o sabor do morango também era verdadeiro.
Assim é a existência humana.
Quase todos carregamos preocupações acerca do amanhã. Há contas a pagar, enfermidades a enfrentar, saudades que machucam, conflitos familiares, decepções afetivas, inseguranças e receios quanto ao futuro. O urso e as onças mudam de forma, mas estão sempre presentes.
Muitas vezes acreditamos que somente seremos felizes quando todos os problemas forem resolvidos.
Entretanto, a vida raramente nos oferece um período completamente livre de dificuldades.
Quando vencemos uma preocupação, surge outra.
Quando ultrapassamos uma prova, uma nova experiência nos convida ao crescimento.
Se condicionarmos nossa felicidade à ausência de desafios, talvez jamais a encontremos.
O morango representa aquilo que ainda existe de belo, mesmo quando tudo parece ameaçador.
Representa o sorriso de uma criança.
A voz de um amigo.
A chuva sobre a janela.
O abraço sincero.
A oração silenciosa.
Um livro inspirador.
A paz de uma consciência tranquila.
O perfume de uma flor.
O nascer do Sol.
Os pequenos milagres cotidianos que frequentemente ignoramos por estarmos excessivamente concentrados nos perigos.
Sob a ótica espiritual, essa história nos recorda que a vida não é feita apenas das provas que enfrentamos, mas também das bênçãos que recebemos durante a caminhada.
Quem aprende a perceber os morangos espalhados pelo caminho desenvolve gratidão.
E a gratidão não elimina as dificuldades, mas ilumina a maneira como as atravessamos.
Os desafios continuarão existindo.
Os ursos continuarão rugindo.
As onças continuarão esperando.
Mas também continuarão existindo morangos amadurecendo nos galhos da existência para aqueles que conservam a sensibilidade de percebê-los.
Não adie a alegria para um futuro incerto.
Não espere que tudo esteja perfeito.
Não aguarde a ausência das tempestades para contemplar o céu.
O melhor instante para viver, amar, agradecer e ser feliz é este que pulsa agora diante de você.
Olhe ao redor. Talvez o seu morango esteja mais próximo do que imagina. E a vida, silenciosamente, esteja convidando você a saboreá-lo.
A ROSA AZUL SOBRE O MÁRMORE DEFINE...
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quando me disseste adeus, ou talvez nem o tenhas dito, algo em mim compreendeu antes das palavras, como as árvores compreendem o inverno antes da primeira folha tombar.
Ainda me recordo.
Recordo-me não dos grandes acontecimentos, mas das pequenas eternidades. A curva silenciosa do teu olhar. A luz repousando sobre teus cabelos. A delicadeza com que atravessavas as horas sem saber que alguém te transformava em destino.
Tudo permanece.
Permanece como permanece a chuva na memória de um rio seco.
Meu peito tornou-se uma antiga ruína. Pedra sobre pedra. Pó sobre pó. Uma catedral abandonada onde o vento recita os nomes que já não ouso pronunciar.
Carrego a dor como Demóstenes carregava suas pedras. Dia após dia. Noite após noite. Aprendendo a falar através das feridas, aprendendo a respirar através dos escombros.
E quando a noite desce pesada, mais pesada que o próprio céu, vejo os vultos.
Eles dançam entre as sombras. Riem. Zombam.
Zombam do amor que ainda guardo, como corvos em torno de uma chama que se recusa a morrer.
Tu nunca os viste.
Talvez porque teus olhos pertenciam à luz.
Mas eu os vejo.
Vejo-os passar pelos corredores da alma, arrastando correntes de ausência, erguendo seus cálices de esquecimento.
E mesmo assim, contra tudo, eu continuo.
Sobre uma pedra de mármore rosado, limpa como a pureza daqueles dias, deixo uma única rosa azul.
Não uma rosa para teus cabelos.
Os cabelos pertencem ao tempo.
Mas uma rosa para tua alma, porque as almas florescem mesmo quando os jardins desaparecem.
Foi essa rosa que sonhei oferecer-te.
Uma flor impossível. Uma flor feita de esperança, de lágrimas, de estrelas que morreram há milênios e continuam iluminando a noite.
Mas já eras de outros olhos.
Outras mãos recolhiam teu riso. Outros horizontes guardavam teus passos.
E eu compreendi, com a serenidade dolorosa dos que amam de verdade, que nem toda rosa nasce para ser colhida.
Algumas nascem apenas para perfumar a distância.
Por isso permaneço aqui.
Vigiando o sereno.
Com o sereno peito.
Enquanto a madrugada deposita suas lágrimas sobre a relva silenciosa.
E então descubro algo estranho, algo que faz doer e consolar ao mesmo tempo.
O amor não morreu.
Transformou-se.
Já não pede. Já não reclama. Já não espera retorno.
Apenas existe.
Como uma estrela distante. Como um sino esquecido numa cidade antiga. Como uma rosa azul repousando sobre o mármore.
E quando um dia o tempo apagar meu nome, quando o vento dispersar minhas últimas cinzas, talvez reste apenas isso:
A beleza de ter amado.
Porque há dores que nos destroem. Mas há dores tão profundas, tão puras, que acabam transformando-se em luz.
E a rosa que não pude colocar em teus cabelos floresceu, por fim, na eternidade silenciosa do meu coração.
"Alguns amores não permanecem ao nosso lado, mas permanecem para sempre dentro de nós, convertendo a própria saudade em uma forma superior de beleza."
FELICITA O TEU DIA.
Do Livro: Florais do Evangelho.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé .
" Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. "
Mateus 6:34. - Jesus.
Eis que amanhece mais uma vez,surgem-te uma nova oportunidade de aceitá-lo embora não te esqueças,que ontem fizestes planos similares para estar bem no transcorrer no dia de hoje,não obstante,as decepções que te assaltam em todos os campos,se impõem não como inimigos mas como um cadinho que te avalias as promessas anteriores.
Vem o dia para atender-te no que pedistes na noite.
Mas por tudo que rogastes deves parar e refletir,se de fato és merecedor e mesmo que sejas,já parastes para notar que muitos se lamentam por lograrem o mesmo êxito?
A natureza normalizada da humanidade é pedir e tão pouco agradecer.
Teus sonhos são permitidos o que não implica a realização deles,pois poderás se lamentar mais tarde em pesadelos profundos e abismais.
Acima da vontade terrestre impera por amor a celeste.
Aproveite o dia feito o dia mesmo,erguido,que gradativamente vai se afirmando até o anoitecer novamente.
Nada te é negado para o teu bem estar ou a tua agonia,analise isso e terás a comprovação,que poderias lamentar e muito se tudo te fosse atendido,mas podes iluminar-te sob os auspícios da alegria e da positividade mental que malgrado tua atenção,guiam-te e te amam incondicionalmente.
Não te contentes apenas com o amanhecer,mas te realizes também sob as sombras,não procures reclamar do sol a pino,mas movimente-se como ele que cumpre todos os dias o seu mister até dar a oportunidade à noite que de mansinho e caprichosa logo chega para servir como provas magestosas que há momentos para tudo e para todos por entre dias na imortalidade para todos e para todo o sempre.
Muita Paz!
COMPROMISSOS E LEMBRANÇAS .
Pelo Espírito : Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Amigos e irmãos,da seara Espírita,
quando estávamos adentrados na espiritualidade,de onde almejamos sonhos de poder voltar à terra,apresentamos propostas de comportamentos
abraçando compromissos que não nos seriam permitidos além da nossa capacidade,porque sabem antes de nós,os benfeitores sensatos do que de fato poderemos cumprir.
E com as bençãos de Deus em suas sagradas Leis,aqui aportamos novamente,para que o passado possa ser resgatado com alegria,mesmo sob duras penas que são alavancas do progresso da redenção!
O "anjinho" que dá o seu primeiro choro,marcando que está entre os encarnados,trás também hábitos que os pais devem redobrarem a vigilância,desde o berço já é possível detectar certas inclinações,que poderão ligá-los aos céus ou mantê-los no lamaçal da terra.
Os filhos como sendo dádivas Divinas,devem ser aceitos como tais,uma vez,que juntos agarraram a mesma promessa de se auto melhorarem para o resgate de débitos tenebrosos.
Agradeçamos ao amor do Pai celeste,pelas bençãos do esquecimento,uma vez que este nos faz amar sem imposição,porque se descobríssemos em nosso meio um possível inimigos de outrora,certamente a situação,se agravaria,porque acabaríamos amando o que é raro ou ainda reveríamos os atos do passado.
O poeta francês do século dezenove,Vitor Hugo,já afirmava que o esquecimento é tão natural,que mesmo na atual vida,não somos capazes de nos lembrar todos os acontecimentos que nela se deram,haja visto que procurasse esquecer até mesmo alguns que lastimamos...
Os pais tem deveres soberanos para com os filhos e estes da mesma forma tem laços que apresentam pequeninos nós,que podem demorar para serem desatados,mas o amor cresce,em meio aos turbilhões e carinhos entre ambos.A felicidade de se ter um lar,está nos sorrisos e até mesmo nas lágrimas que a família retém,mas não existe ninguém desemparado,podem existir sim, aqueles que estão tão desequilibrados que não registram o socorro eminente que em prece raramente solicitamos!
Não nos importa provas das vidas anteriores,o momento verdadeiro é o de agora,muitos para saberem do seu passado mergulham no campo da hipnose com o fito para apenas saber quem foram,ou com o propósito de achar onde está o ponto de partida para os traumas,retornam do transe raramente melhores,porque,imbuídos com o pensamento de grandes personalidades,não se encontraram nas vestes de reis,rainhas,príncipes ou alguma realeza e também,direcionar-se às vodas anteriores não nos garante restabelecimento ideal para a vivência no presente,uma vez que se chega a causa,mas não se livra dos efeitos,pode-se sim,amenizar mas aumentam as responsabilidades,porque agora trazes a mente deveras vezes aturdida,te gritando frente a companheiros da atual jornada,compromissos mútuos.
Avaliemos pois,que mediante atos intransigentes nesta vida,desejamos mesmo esquecer de alguns,imaginemos se lembrássemos dos antecedentes?
O que nos importa,é saber que alguém,dentro e fora do lar,estende-nos as mãos a pedir-nos socorro e sob o véu do esquecimento estaremos prontos a prestar auxílio em nome do amor abnegado.
Todos,tem deveres que são intransferíveis à outrem,amigos e "inimigos" se deparam arranham-se mas equivalentes com a proposta do amor ao próximo,aquele que mais sabe é quem mais dará seu perdão.
A vida só nos pede isto...
Sabemos não ser fácil,mas a terra é escola,é oficina,é casa é balança que pesa cada gesto de auto-iluminação e aproveitemos esta oportunidade,uma vez que muitos rogam neste instante para retornar,mas,não os dado a permissão,frente as transformações físicas e ainda mais os abalos íntimos de seres mais capacitados estão trazendo das esferas mais altas e que ninguém ignora.
Muitos compromissos foram debitados em nosso nome por nós mesmos e maldizer a existência é insensatez,alarmando que não pedimos para nascer,mas antes de isso se dar já vivíamos e em meio às dores vorazes,não só pedimos,mas imploramos para ter uma nova chance,aproveitemo-la pois por amor e méritos é que estamos no corpo,mas não nos esqueçamos,que é só de passagem,logo,logo não tardaremos o retorno à pátria verdadeira,agradeçamos o esquecimento de outrora mas amemos uns aos outros sem precisar vasculhar passado algum,pois voltamos para reajustarmo-nos no amor.
Muita Paz!
O NATAL DENTRO DE NÓS.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé.
Momento abençoado e bendito,que visita as criaturas em seus corações empalidecidos e calejados pelas dores atrozes,numa desesperança alimentada dia-a-dia...
Na divisão do calendário de outrora,para aniquilar os deuses ignóbeis e desajustados que já não serviam mais como consolo para a humanidade,eis que surge na mente gregoriana deste mesmo, apontar a brilhante estrela de belém no nascediço de Nosso Senhor Jesus Cristo,num solstício quando o mesmo mais se destacava das estrelas mais fulgurantes à cantar as maravilhas porvindouras do Rei dos reis.E para calar a voz das idolatradas pedras mortas e voltar os corações humanos à personalidade real do pequenino de Belém,marcou-se uma data para ele evarmo-nos em alto e em uníssono fraternal a capacidade de amar no perdão.Neste dia,tão imantado já de luz por mais de dois mil anos,Jesus tem refeito muitos,operando verdadeiros modos, voltados ao bem,retornar à casa Paterna celestial!
Ainda não se tem uma confirmação exata sem se correr o risco do anacronismo para o dia do seu nascimento,tanto quanto para o de sua aparente morte,mas o que se salienta é que ele aqui veio,misturou-se por entre os mais pobres,pecadores e adoentados e aos sorrisos admoestou que:
- Meu Pai trabalha até hoje e eu também!
O seu nascimento dividiu a história,sem precisão numérica,mas sim numa imposição meiga de amor tão peculiar de si.Recorria à simplicidade da terra levando-nos à singeleza do universo.
Nasceu o pequenino numa humilde posição ignorado por muitos numa estrebaria ou numa gruta que seja,mas em meio ao vínculo de carinhosos pais terrestres,aquecido pelos bafejos de animais e das palhas,recebeu como impulso para a data presente,ouro,mirra e incenso,que a Providência Divina o presenteou na figura afável dos três reis magos,que saíram de longe para antes dos presentes dizerem: - Nós viemos adorar o menino!
Baseado nesta prisca passagem,reflitamos nos dias de agora!
O valor natalício preponderante no comércio se antepõem às adorações pelo reconhecimento infinito para com este que tem que ser nascediço diário em nossas vidas.Não nos é pedido ou imposto que paremos de nos unir à mesa,até mesmo porque nos reportamos em família à imagem sagrada da Santa ceia,mas nos é pedido mormente,que o aniversariante seja honrado primeiro e concluímos,para depois,a pecaminosa glutonaria enfim!Tal visão é tão real,que depois surgem dietas para se livrar dos toxinas alimentares!
Jesus veio ao mundo,ainda está nele,estará sempre,porque bem poucos do mundo vão em sua direção.O simbólico natal vem trazendo ele de volta para fazer morada nesta gruta tão escurecida e funda do nosso coração!
O menino jesus,não se mantém assim,mas se o amarmos assim,todos cearemos com ele neste dia porque ele cresce no cerne daqueles que o amam.
A palavra da cruz é a mesma da manjedoura,pois nos dois acontecimentos lágrimas e sangue foram vertidos.Só não nos detenhamos nas profundas tristezas pois que o messianismo nos é dado de presente mergulhado em plenitude de vida imorredoura!
Que o natal nos seja leve e suave,mas que façamos por sentir esta energia transcendental que viaja o cosmos a atingir os corações estalajadeiros que vibram na mesma faixa de dentro de si para receber tamanha visita magnânima!
Contudo que esta mesma característica perdure aos confins dos séculos,porque também não se tarde o ano novo que tantos se mostram afetados pelas desilusões e não obstante fazem planos pelo que vem,mas não desanimemos com os primeiros solavancos,estes são as dores do parto que logo se amenizará na meiguice do anjo que Deus nos presenteia.
Irmãos,não nos debatamos por datas que só existem porque a matéria existe,mas nos unamos mutuamente pois a angelitude da supremacia da Belém de outrora,antes já amava o mundo.Agora este "menino" nos trás o valor que devemos dar à matéria neste dia e que possamos também dizer:
- Nós viemos adorar o menino!
Um feliz natal,votos propensos de paz para o ano novo
que assim seja!
