Coleção pessoal de loveandrockets
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue.
Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.
O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.
Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.
A maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?
Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias.
O verdadeiro sábio é aquele que assim se dispõe que os acontecimentos exteriores o alterem minimamente. Para isso precisa couraçar-se cercando-se de realidades mais próximas de si do que os fatos, e através das quais os fatos, alterados para de acordo com elas, lhe chegam.
Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não se dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta, é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente. Por isso pouco sentiam. Daí a sua perfeita execução da obra de arte.
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: viver não é necessário, o que é necessário é criar.
Irônico mesmo é eu aqui, chorando por não chorar, sentindo por não sentir, sofrendo por não sofrer. Sempre me senti solitária, mais nunca estive sozinha, agora encontro – me aqui, sem nada a me agarrar a não ser minha folha de papel suja com algumas lagrimas misturadas a minha maquiagem.
Essa noite fria desse verão quente. Verão daqueles que será guardado na memória, infelizmente, não lembrado como algo bonito e colorido, talvez como uma fase que me acrescentou, porem não como algo feliz. Passo neste momento, por uma daquelas noites, de choro intenso, que nos fazem acordar no dia seguinte, mais leves, plenos, que conseguem nos mudar, assim, da noite para o dia.
Mudanças quase sempre melhores, então ai, nessa parte, a visto o perigo, nessa palavra bem traçada na folha de meu caderno, com significado indefinido. É nesse “quase” que mora o medo de essa noite de choro e duvida, não acabar se transformando em algo bom, que ela no fim me faça acordar, mais fria, cética e obscura que sou, - se é que isso seja possível – então penso, vejo meus olhos tristes e
e sem vida no espelho, seguro minhas mãos suadas e frias, me bate um desespero bobo de acabar pior que me encontro, sinto aquele nó na garganta, já conhecido. Agora, eu, que nunca fui muito religiosa ou apegada em Deus, encontro - me em plena oração, para que o melhor me aconteça, pois só posso me agarrar a isso, com a minha fé de cética desiludida.
Não sou de demonstrar sentimentos, mas sou cheia deles. Eu sofro em silêncio, amo com o olhar e falo por sorrisos.
