Coleção pessoal de leide_dayana

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Para o meu amor subterrâneo
Eu me apaixonei primeiro pela sua voz — no som do rádio, em uma cidadezinha do interior. Tudo era tão estranho, tão encantador. E o mais curioso: o nosso primeiro contato foi bem pertinho da minha casa, num comício de política... (risos). Você me observou tanto naquele dia, mas não me chamou para dançar.
Depois disso, ficou fácil dizer pra mim mesma que eu gostava de você. Mas eu ainda era só uma menina de 13 anos, imatura, confusa. E você, um rapaz de 18. Hoje essa diferença pareceria pequena, mas naquela época era decisiva.
Eu gostava tanto de você, mas a minha insegurança me fazia dizer “não”. Só que, lá no fundo, eu tinha certeza do que sentia. Até que, um dia, meus pais me deram a notícia: íamos embora. E assim, mais uma vez, deixei você ir. Pouco tempo depois, uma colega que morava por perto começou a namorar com você... Eu nunca entendi isso direito. Sempre tive curiosidade. Porque, no fundo, eu sentia — de algum jeito — que você também me amava. Ou algo perto disso.
Fui embora, a 500 quilômetros de distância. Naquele tempo não tinha celular nem WhatsApp. O único meio de escutar sua voz era o orelhão perto da minha casa, onde eu ficava esperando ansiosa pelo sábado. Queria tanto te ouvir de novo... E você, às vezes, nem reconhecia mais a minha voz. Mas eu nunca me esqueci da sua.
O tempo passou, e é claro, eu me apaixonei outras vezes. Namorei, encontrei novos amores. Como você. Conversamos muito na época do MSN. Dividimos histórias, dores, alegrias. E eu esperava — ansiosamente — ver você online, pra te dizer o quanto as coisas estavam difíceis. Mas, em vez disso, eu mentia e dizia que estava tudo bem, que era feliz aqui. Você nem imagina, mas foi meu amigo em um tempo em que eu me sentia tão sozinha. Você me ajudou e nem sabe disso.
Não lembro quantas conversas foram. Nem sei quando elas acabaram. Mas eu sempre desejei, de verdade, que você fosse feliz. E eu sei que encontrou a mulher da sua vida. Acompanho de longe, e vejo: vocês formam uma família linda. E fico feliz por isso. Porque amar, de verdade, é querer o bem — mesmo que não seja ao seu lado.
Talvez eu nunca tenha tido coragem de dizer isso antes. Acho que por isso essa história ficou guardada aqui por tantos anos. Só queria te contar que, sim, você gostou de mim. Mas eu... eu te amei mais. Eu só não sabia como dizer.
Hoje, eu também encontrei o amor da minha vida. Juntos, construímos uma história linda. Mas às vezes, a gente só consegue dizer certas coisas quando sente que pode ser tarde demais. E eu não queria esperar mais. Essa é, talvez, a minha última mensagem para você. E eu precisava que fosse em vida.
Sempre tive vontade de te falar isso. Prometo que nunca mais mandarei. Essa é minha última carta de amor.
Continue sendo feliz. E saiba que, de onde eu estiver, também estarei feliz por você.
Com carinho,
Da menina que nunca teve coragem, mas sempre te amou em silêncio.


Se um dia fizer uma busca na rede, sobre um amor platônico. Que você a encontre aqui. (C)