Coleção pessoal de Kelvaraujo
Quase amor
Algo em mim não está certo,
Um vazio onde havia amor,
Silêncio onde havia riso,
Uma sombra cobrindo o sol.
Te amei como um tesouro raro,
Mas recebi apenas migalhas,
Ou será que fui precipitado,
Em esperar mais dessa batalha.
Você me pede um tempo, um respiro,
Promete amar-me como mereço,
Mas perdi para sua própria guerra,
Estranho agora quem conheço.
O amor já não está à vista,
Você deixou-o escapar, perdido,
Hoje, desisto desta luta,
Esta é, então, a nossa despedida.
Até aquele dia
Até aquele dia,
eu ainda te escrevia.
Dezenove, meu coração dizia,
ainda te amava,
ainda te esperava.
Guardava você
num canto quieto,
onde o tempo não passava
ou eu fingia que não.
Hoje já não mais.
Estranho o coração
ter que aceitar o que já era.
O que acabou há tanto tempo
e eu só agora percebo.
Hoje te deixo livre pra viver,
não que tenhas sido preso em mim,
mas porque enfim
aprendi a viver
sem te guardar no coração.
Inverno
Se eu voltasse pra você,
e você fosse o mesmo,
seria como esperar calor
num inverno sem fim.
Hoje eu vi os seus olhos…
Eles estavam tão lindos que pareciam vir ao encontro dos meus. Mesmo do outro lado da tela, senti como se estivessem aqui, deitado ao meu lado.
Brilhavam, lindos como sempre.
Ah, essa fotografia… como eu amo olhar pra ela.
Mas o que eu queria mesmo era ver de perto… quem sabe o destino, em sua calma, permita um dia.
Para você, com os olhos mais lindos e encantadores…
Espero que o brilho que eles lançam sobre mim nunca deixe de existir.
Dias se arrastam, longos e mudos,
pergunto ao vento onde você está.
Em que universo seu olhar se perde?
Em que pensamento sua alma repousa?
A noite densa sussurra mistérios,
estrelas dormem sob véus de neblina.
O que faz você nesta escuridão?
Dança com sombras ou sonha com luz?
O Lugar Onde Ficou
Estou exatamente aqui,
no mesmo lugar de dois anos atrás,
onde nossos lábios se tocaram
pela primeira vez.
Sento no mesmo gramado,
tiro a mesma foto,
mas não há ninguém para conversar,
ninguém para rir comigo.
Só o silêncio no teu lugar.
Demorei para voltar.
Foi preciso tempo,
foi preciso coragem.
Mas tudo aqui parece um eco,
um reflexo no lago, sem resposta.
Se eu pudesse avisar
aquele eu do passado,
diria que esse instante não voltaria,
e que o gosto daquele primeiro beijo, tão doce,
hoje tem o sabor da saudade.
No Silêncio do Coração
Que seja doce, meu bem sereno,
Como se fosse uma paixão,
Que no silêncio traz um aceno,
E faz eterno o meu coração.
Amar-te me traz esperança,
Confiança no que há por vir.
Às vezes, a sensação de mudança,
Ou o medo de um dia te ver partir.
E, se te vais, meu bem ausente,
O teu amor em mim sempre existirá.
Viverás em meu peito eternamente,
Pois quem ama aprende a guardar.
Inconscientemente
Sinto que minha mente,
No mais puro inconsciente,
Já te buscava sem saber.
Nesse encontro, presenciei
Jazidas de sentimentos emergirem,
Revelando um afeto profundo.
Onde você anda, meu bem?
Nesta distante realidade,
Me pergunto como você está,
Talvez perdido em memórias passadas,
Deixando-me com toda a minha intensidade.
Eu me chamo saudade
Vem quando menos esperamos,
bate com força no peito,
entra sem ao menos pedir permissão.
Mexe em nossas memórias,
navega em nossos pensamentos,
se afunda em nossa solidão.
Assopra como o vento,
levantando todos os sentimentos,
que um dia estiveram no chão.
Desnorteada vaga nas lembranças,
em seu caminho encontra momentos,
vestígios de uma antiga paixão.
Hoje a terra chora
floresta ardendo,
animais morrendo,
fogo, destruição.
Pessoas sofrendo,
hospitais fervendo,
morte, caixão.
Governo enriquecendo,
dados estabelecendo,
dogma, corrupção.
Educação descrendo,
Racismo ocorrendo,
protesto, retificação.
Viagem
Partindo nessa noite nebulosa
Próxima parada? pensamentos.
Passo pela estação de memórias,
Onde embarcam antigos momentos.
Pela janela vejo a incerteza,
Acompanhada da angústia e do desprezo,
Prestes a ingressarem nessa rota,
Conduzidos pelo maquinista, o medo.
Aproximando-se da estação vivência,
Dor e tristeza tomam o vagão,
De longe se vê a infelicidade,
Obstruindo a passagem da comoção.
Chegando ao fim dessa jornada,
Afeto e ternura tornam-se presentes.
Esperançoso concluo o meu caminho,
Diante dessa longa viagem recorrente.
