Coleção pessoal de kecialmeida

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Deixa que eu te escute.
Teus costumes tão iguais
já me soam diferentes,
desde que encarei de frente
o quanto eu amo você.
Amo seu jeito distraído,
girando as linhas nos dedos,
as mãos ao redor do rosto,
contando histórias,
rindo entre algumas memórias
que já não recorda com detalhes.
Mas os sentimentos passam iguais,
os olhos marejam vez ou outra,
e só consigo pensar
o quanto você foi forte
e o quanto admiro
sua capacidade de sempre se reerguer.
Até teus gestos mais simples
sinto medo de perder.

Passava horas e horas admirando a lua cheia,
tão pontual e elegante,
nunca deixou-me esperando quando dizia que vinha,
essa bela velha amiga minha.


Ali, sempre naquela janela,
uma pergunta insistente teimava em aparecer:
“Quantos olhares cruzavam o meu
através dela?
Será que algum dia eu poderia saber?”


Não demorava muito e
logo começavam os questionamentos incessantes:
Quem são?
Quais suas frustrações e alegrias?
Onde cada um estaria?
Quais canções os emocionam?
Se sorriem, choram ou amam
ao contemplar seus mistérios…

Deteriorando-se
Em largos passos
Cruzando olhares
Sem ver de fato
Ergam as taças
E abram alas
Sem contenção
Chegam as graças
Mas, se de fato
Há tanto pra agradecer,
Devemos crer
Que os que não têm
Pouco fazem pra merecer?

Monotonia


É o mesmo canto,
São os mesmos passos.
Ao abrir a porta,
revivo tudo e sinto os estilhaços.
Chega sem convite e me embala,
que deselegância.
Não te esperei e, mesmo assim,
tive que fazer sala.
Como pode ser igual
até o momento em que peguei os biscoitos?
Na ânsia de que houvesse mudança,
fui ver o relógio…
E já eram oito
semanas iguais,
inícios e finais previstos.
Tudo chegando e saindo
sem que eu tivesse desejado.

Tal qual um menestrel,
tirei os versos do papel
para expressar minha verdade.
Me frustrava a pouca idade.
Alguns medem capacidade
pelo tempo de estadia
nessa tal jornada etérea,
mais conhecida por vida.