Coleção pessoal de jucicastro
SAUDADE
Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
sói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés
Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas
Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta
Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono
Solidão
Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso
Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio
É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou
Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna
Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo
POEMA DA DESPEDIDA
Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.
Quando já não havia outra tinta no mundo o poeta usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem voz nem nascente.
A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.
Hoje eu acordei numa casa diferente, num quarto diferente, sem nenhuma muleta, sem nenhuma maquiagem, meus amigos estão ocupados, meus pais não podem sofrer por mim. Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coração, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz.
O tempo é grátis, mas tão valioso que não tem preço. Não o podemos possuir, mas podemos usá-lo. Não o podemos guardar, mas podemos gastá-lo. Se o gastamos não podemos tê-lo de volta.
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes.
Como eles és alta e taciturna.
e entristeces prontamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
PERGUNTE AO INFINITO
Quer conhecer a dimensão dos meus sentimentos?
Se precisar mesmo saber o tamanho do meu amor?
Consulte, então, o infinito,
Pergunte a ele “qual é o seu tamanho?”
Se você obtiver uma resposta,
Poderá ter uma pequena noção do que sinto...
Oh! Infinito, amigo meu,
Não se sangue!
Responde-a!
Pedi a ela para procurá-lo,
Pois só você, oh, soberano, entende desse tipo de medidas!
Oh, honrado ser supremo!
Diga a ela também que existem pouquíssimas,
Pouquíssimas mesmo,
Não há muitas coisas maiores do que você, oh, soberano...
DIGA-ME COMO FAZ ISSO?
Uso muito tempo do meu dia,
Imaginando como você consegue,
Improvisar essas coisas todas,
Diga-me como consegue realizar tudo isso?
De que maneira agiu para fazer o mundo ficar mais colorido?
Qual é a magia que usa para me fazer feliz ao pensar em você?
Como inventou o arranjo para fazer meu coração bater mais rápido ao te ver?
Qual é o encanto que você usa para ser a mulher mais linda que meus
olhos já viram?
Como arquitetou para me fazer tremer totalmente ao te ver?
Como arranja para acender uma chama dentro de mim quando me olha?
Como consegue fazer o ar faltar
ao tocar a minha mão?
Que mágica fez com minhas emoções,
Quando te beijei e perdi a consciência?
Qual a magia que vai usar em mim
quando nos amarmos?
INCESSANTE (paixão)
Se você quer mesmo que eu a esqueça,
Então pare de entrar em meus sonhos!
Os poetas fazem poemas
que me fazem lembrá-la,
As músicas parecem que de alguma maneira falam de nós,
Os filmes me fazem pensar em você,
Faça com que as mulheres que vejo parem de parecer com você?
Todos meus pensamentos me remetem a você!
E a culpa é toda sua, antes de eu te conhecer isso não acontecia, não
pensava em você,
Antes de você fazer amor comigo e me levar ao paraíso eu era normal,
Você me encantou,
agora esse feitiço não sai de mim,
Para de entrar na minha cabeça
e fazer essa bagunça!
NÃO SE ASSUSTE
Se, às vezes, quando estamos fazendo amor,
Paro e fico muito tempo te olhando,
Não pense que não a amo,
Ou que sou detraído,
É que eu acho você tão linda,
E sua beleza me encanta,
Suas belezas, todas elas, me fascinam.
Se, muitas vezes,
Quando estamos fazendo coisas serias,
E eu te roubo um beijo,
Não se assuste,
Adoro seus beijos,
E quando olho para a sua boca ela me convida,
Se depois do beijo eu tirar a suas roupas,
Depois as minhas,
Não fique assustada,
Eu amo amar você.
Se quando a gente se amar a tarde toda,
E eu querer mais e mais,
Não se assuste não isso,
É que você estimula meus desejos.
SE...
Se a beleza de alguém
Fosse o que determinasse
O tempo que duraria a sua vida
Você seria eterna.
Se a beleza da alma
Tivesse influencia na longevidade
Quantas eternidades durariam a sua existência?
1.000? 1.000.000.000? Quantas?
Se a cada vez que eu pensasse em você
Uma formiguinha desse um passo,
Ela já teria dado 1.000 voltas ao mundo.
Se a cada vez que eu pensei em sair correndo para os seus abraços
Alguém plantasse uma arvore
O mundo todo seria uma imensa floresta
Ah, se você pudesse imaginar...
Se o tamanho do meu coração,
Fosse proporcional ao volume,
Do meu amor por você,
Seria necessario um trem,
Do tamnho no mundo para transportá-lo...
Se você podesse imaginar,
O quanto eu a amo,
Você sairia correndo,
Agora, de brços abertos...
Ah, se você pudesse imaginar...
